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Quíron e as Casas


Quíron na 1ª Casa

Com Quíron na 1ª Casa, as feridas podem ocorrer bem cedo na vida. Por exemplo: uma mulher que conheci com este posicionamento, nasceu com uma doença comumente chamada de "osteomielite", ou ossos quebradiços e frágeis. Pela delicadeza de estado, os médicos avisaram à mãe que a criança não deveria ser levantada nem carregada e, assim, enquanto bebê, ela foi privada de conforto físico e de carinho. Outros posicionamentos em seu mapa mostram uma vontade férrea e ela bravamente trabalhou, dentro de suas limitações, para se tornar forte e auto-suficiente. Na época em que fizemos a leitura de seu mapa, Urano em trânsito estava em conjunção com o seu Quíron na 1ª Casa e ela estava esperando para começar um treinamento como fisioterapeuta.

Outro exemplo é o de um artista nascido com Quíron em Sagitário na 1ª Casa em conjunção com o Ascendente. Muito afetado por uma doença atrofiante do sistema nervoso, nem por isso deixou de ensinar pintura para jovens usando as forças que lhe restavam. Embora Quíron tenha escolhido morrer, ele foi recompensado pelos deuses por seu bom trabalho, fazendo parte de uma constelação nos céus para que todos o vejam por toda a eternidade. Da mesma maneira, embora esse homem tenha morrido por volta dos trinta anos, como, o imortal Quíron, sua memória e influência continuam vivas através de suas pinturas e das posteriores obras de arte de seus alunos.

Ambos personificam a natureza de curador/ferido/mestre de Quíron e servem como fonte de inspiração, não só para pessoas incapacitadas como também para as pessoas capazes que os conheceram.

Em seu estudo de sessenta e nove mapas de curadores/terapeutas, Eve Jackson achou que onze deles tinham Quíron na 1ª Casa.


 Quíron na 2ª Casa

A habilidade que Quíron precisou aplicar às intuições espirituais, filosóficas e éticas na vida de todos os dias e nos assuntos práticos é enaltecida com Quíron na 2ª Casa. Elisabeth Kübler-Ross, cujo trabalho pioneiro no campo da morte e do morrer tem sido usado na prática, tanto para as pessoas que estão morrendo como para suas famílias, nasceu com Quíron em Touro na 2ª Casa. Seu trabalho apareceu justamente quando Quíron estava retornando à mesma posição natal (Quíron tem um ciclo aproximado de cinqüenta anos).

Também tenho visto Quíron na 2ª Casa, por exemplo, no mapa de pessoas que sofreram muito por falência bancária e colapso financeiro, e que usaram essa experiência para ampliar seus conhecimentos filosóficos e psicológicos acerca da vida e de si mesmas.


 Quíron na 3ª Casa

Uma mulher que se curou de um câncer fazendo uso de dietas especiais e de técnicas de visualização está atualmente escrevendo e distribuindo informações sobre como combater doenças dessa maneira; ela tem Quíron em Sagitário na 3ª Casa, a casa da comunicação. Observei este posicionamento nos mapas de outras pessoas que escrevem sobre medicina e sobre curas.

Suas feridas podem aparecer durante a adolescência e durante os anos de crescimento. Alguns com este posicionamento podem ter dificuldades de adaptação nos primeiros anos de escola ou ter dificuldades de aprendizado ou de fala. Em poucos casos os que têm Quíron nesta casa tinham irmãos ou irmãs doentes ou angustiados (aflitos) por algum coisa, e seus anos de formação foram marcados pela necessidade de serem sensíveis à condição de irmãos.


Quíron na 4ª Casa

Se a 4ª Casa é considerada como a do pai, então ele pode tomar a projeção de Quíron. A criança com esse posicionamento tende a ser excepcionalmente sensível a seus ferimentos, ou a ver o pai como uma espécie de mestre ou mentor. Uma mulher que conheço que tem Sol em conjunção com Quíron na 4ª Casa, quando menina foi abandonada pelo pai logo depois da morte da mãe. Essas rejeições na primeira infância contribuíram para a sua receptividade em relação à dor, às necessidades e aos sentimentos de outras pessoas.

É possível que nos últimos anos de vida, quem tem este posicionamento desenvolva um latente interesse por várias formas de curas.


Quíron na 5ª Casa

A 5ª Casa é associada a crianças e a jovens, e quem tem este posicionamento pode servir de professor para os jovens. Uma mulher com Quíron nesta posição conseguiu livrar-se da heroína e trabalha agora ajudando adolescentes com problemas de drogas.

Já foi mencionado que o posicionamento de Quíron na casa pode mostrar onde nossos desejos e ansiedades físicas de primeira infância poderiam entrar em conflito com impulsos em direção a algo transcendente, puro e divino. Fiz o mapa de um homem muito religioso com Quíron na 5ª Casa que se torturava com desejos sexuais por meninos e meninas pubescentes. Através de psicoterapia e orações, ele transmutou de forma construtiva esses impulsos, exprimindo seu amor às crianças trabalhando como tutor e conselheiro para adolescentes-problema.

O príncipe Charles nasceu com Quíron em conjunção com o Sol na 5ª Casa, a casa da auto-expressão criativa. Eve Jackson cita parte de uma entrevista por ela concedida: "Desde que eu era criança, interessei-me por assuntos médicos e trabalhos de cura; eu sempre desejei poder curar”. Nos últimos anos, ela tem expressado um sincero e entusiasmado apoio (5ª Casa) pela medicina holística.

  
Quíron na 6ª Casa

De certo modo, Quíron sofria por estar num corpo de que não gostava. Vi esse posicionamento nos mapas de poucas pessoas que se sentiam mal ou limitadas em seu corpo físico. Uma era uma mulher bastante alta, outra era um homem pequeno. No entanto, o tipo de ajuste psicológico que tiveram de fazer contribuiu para a compreensão e a sensibilidade de ambos em relação ao sofrimento alheio. O homem em questão trabalhou muito e produtivamente com pessoas de qualquer idade portadoras de problemas.

Relembrando o enfoque holístico de Quíron com a medicina, este posicionamento aparece freqüentemente nos mapas que vi de terapeutas que trabalham com o corpo - os que usam as técnicas neoreichianas, a massagem e os remédios feitos com ervas etc.

Uma vez que Quíron era tão ligado à arte da sobrevivência, é provável que os que possuem Quíron na 6ª Casa tenham potencial para dominar artes como a de cozinhar, a de costurar ou outro tipo de trabalhos manuais.


 Quíron na 7ª Casa

Com este posicionamento, é possível que a natureza de Quíron possa ser projetada no parceiro, que pode ser encarado como obviamente ferido, tanto física como psicologicamente. Ou pode ser o parceiro que é visto como um tipo de mestre ou de sábio mentor. Inversamente, quem tem Quíron nesta casa poderia agir como professor de outra pessoa.

Os sentimentos de rejeição de Quíron tendem a manifestar-se através de um relacionamento, quando esse planeta está posicionado na 7ª Casa. A dor da separação de uma pessoa amada pode trazer à tona profundas feridas que tocam, sensibilizam e transformam até as pessoas com coração mais duro, ou podem sentir frustrações pela discrepância entre uma noção idealizada do amor e a realidade que se apresenta diante delas.


 Quíron na 8ª Casa

Quem tem Quíron na 8ª Casa pode ser sensível à rejeição sexual ou se sentir deslocado ou confuso a respeito da própria identidade sexual. Fortes desejos libidinosos podem entrar em conflito com suas inclinações mais espirituais e religiosas.

É possível também que eles sejam extremamente receptivos a qualquer dor que paire no ar, e possuam habilidades de cura latentes que deveriam ser encorajados a desenvolver. Alguns são capazes de ensinar aos outros os mais profundos mistérios ou as mais sutis dimensões da vida. A 8ª Casa é associada à morte e quem tem este posicionamento pode querer seguir o exemplo do famoso centauro e escolher a morte de modo pacífico e equânime.


 Quíron na 9ª Casa

A 9ª Casa realça a habilidade de Quíron em aplicar idéias intuitivas e inovadoras de maneira prática. Pessoas com Quíron nessa posição são capazes de se tornar bons professores. O respeitado pensador e astrólogo John Addey nasceu com Quíron em Áries na 9ª Casa em conjunção com o Meio-do-Céu. Deformado por uma espécie de reumatismo incurável, ele trabalhou como professor para deficientes. Mais tarde, em certa ocasião, ele disse que provavelmente não teria sido tão feliz - caso passasse os dias entre o golfe e os cavalos - não fosse por sua doença, que o forçou a ficar parado por um momento e a refletir sobre a vida. Suas feridas impeliram-no a voltar sua atenção para os assuntos da 9ª Casa, como filosofia e astrologia. Com a clareza e a finesse do Quíron mitológico, Addey relacionou os conceitos abstratos e teóricos dos harmônicos de uma maneira prática para a análise de mapas.


 Quíron na 10ª Casa

Qualquer planeta na 10ª Casa estará ligado à carreira e à profissão. Dos sessenta e nove mapas de curadores/terapeutas que Eve Jackson estudou, quinze tinham Quíron na 10ª Casa. Enfim, a função da pessoa no mundo poderia refletir muito bem as qualidades terapêuticas do grego Quíron. No entanto, Quíron era muito inseguro sobre o grupo a que pertencia; ele era meio divino e meio animal, e quem tem Quíron nessa casa pode não ter muita certeza de onde ficar na sociedade e do papel que deve desempenhar no esquema das coisas.

Um Quíron de 10ª Casa também pode indicar um sentimento de rejeição pela mãe e a conseqüente dor psicológica e o crescimento que nasce com essa experiência. É também possível que a mãe tenha levado esta projeção de Quíron; ela é vista como sofredora ou aflita, espelhando de algum modo ou inversamente a natureza filosófica e terapêutica de Quíron.

  
Quíron na 11ª Casa

Os que têm Quíron na 11ª Casa podem estar envolvidos em diversos tipos de correntes de terapias ou centros de cura. Podem ser sensíveis ao sofrimento na sociedade e, talvez, preocupados em ajudar ou ensinar os que são oprimidos e os pobres. Pode haver um medo contínuo de rejeição ou menosprezo dentro de grupos ou amizades, ou algum abalo sofrido com esses envolvimentos. No fim das contas, essa dor poderia agir como catalisador para o melhor conhecimento e compreensão de si mesmo.

Os amigos representam algumas das conotações de Quíron - tanto as pessoas envolvidas em profissão de cura ou ensino, como as que são obviamente vulneráveis psíquica ou fisicamente. Os que têm Quíron nessa casa podem servir de mentor para amigos ou procurar seus sócios em busca de ajuda, de orientação e de apoio.


Quíron na 12ª Casa

No estudo feito por Eve Jackson, a terceira posição mais freqüente de Quíron em mapas de curadores e terapeutas é a 12ª Casa. Destes, notam-se dois grupos distintos: os que praticam a "cura espiritual", como o toque das mãos ou mesmo a cura à distância, e os que primeiro trabalhavam com sonhos e imagens dirigidas. Fiz o mapa de uma pessoa deficiente de nascença com o Sol em conjunção com Quíron na 12ª Casa; agora ela trabalha como psicóloga num hospital (a 12ª Casa é a casa das instituições).

Para os que têm Quíron na 12ª Casa, feridas não curadas podem marcar fundo o inconsciente ou advirem de difíceis experiências pré-natais. O psicólogo Arthur Janov, autor de The Primal Scream ("O grito primitivo") nasceu com Quíron na 12ª em Áries; ele acredita que o modo de religar-se à sua verdadeira força e vitalidade (Áries) é através da liberação de traumas antigos profundamente ameigados.

Os reencarnacionistas podem afirmar que quem tem um Quíron de 12ª Casa teve ligação com curas ou ensinamentos em vidas anteriores. Seja como for, quem possui este posicionamento tem o potencial para abrir a enorme fonte de sabedoria prática que está estocada no íntimo de sua psique.

Nodo Lunar e as Casas



Nodo Lunar Norte na 1ª Casa, Nodo Lunar Sul na 7ª.

Essas pessoas deveriam aprender a ficar de pé sobre seus próprios pés, tomando decisões e fazendo escolhas baseadas naquilo que necessitam ou querem para si mesmas. Elas têm de honrar quem são. A linha de menor resistência permite que outros as dominem e se ajustem demais tentando ser o que os outros precisam ou querem que elas sejam.

  
Nodo Lunar Sul na 1ª Casa, Nodo Lunar Norte na 7ª.

Essas pessoas têm a tendência de viverem demais para si mesmas, só olhando para fora à procura do Número Um. Precisam aprender mais sobre cooperação e compromisso, adaptando-se mais facilmente ao que os outros necessitam e requerem, especialmente em relacionamentos íntimos e no casamento.
  

Nodo Lunar Norte na 2ª Casa, Nodo Lunar Sul na 8ª.

Tais pessoas deveriam desenvolver seus próprios recursos e valores em vez de confiar nos recursos e valores alheios. Há a necessidade de ganhar dinheiro por seus próprios meios, mesmo que possam viver sem problemas com o que ganham de outros. Desta forma, desenvolvem um sentido mais verdadeiro de seu próprio valor. Há uma necessidade de entender a si mesmas e de aceitar o mundo da forma e da matéria.


Nodo Lunar Sul na 2ª Casa, Nodo Lunar Norte na 8ª.

Nesta situação, as pessoas podem ter sistemas de valores muito rígidos, que precisam ser alterados levando em consideração os pontos de vista e as crenças de outras pessoas. Alguns podem achar que, permitir que outros os ajudem ou mantenham seja um sinal de fraqueza, e que a auto-suficiência em tudo é a prioridade. Deveriam tentar ajudar os outros a desenvolverem um maior sentido de valor próprio. Podem ter de aprender que dores e crises, antes de serem coisas a evitar a qualquer custo, muitas vezes trazem oportunidades para crescimento e mudanças positivas.


Nodo Lunar Norte na 3ª Casa, Nodo Lunar Sul na 9ª.

Existe a necessidade de desenvolver a capacidade de pensar de modo racional e lógico em vez de ser dirigido demais pela fé cega. Sua visão intuitiva pode ser boa; o problema é integrá-la à vida de todo dia. Vale a pena explorar todas as possibilidades que têm à mão e aquilo que o ambiente próximo tem a oferecer, antes de comer para longe à procura do que querem.


Nodo Lunar Sul na 3ª Casa, Nodo Lunar Norte na 9ª.

Pode haver ênfase demais na mente racional e lógica e ter de desenvolver o lado mais intuitivo, criativo e sensível do cérebro. Há o perigo de ser provinciano demais, e eles deveriam expandir seu conhecimento explorando outras culturas e sistemas de crença, não ficando apenas naquelas que conheceram durante a infância.


Nodo Lunar Norte na 4ª Casa, Nodo Lunar Sul na 10ª.

O crescimento vem através de "trabalho interior" do self. Em vez de ficar se aquecendo com as realizações alheias, na berlinda, essas pessoas deveriam dar um tempo para desenvolver as esferas privadas e pessoais da vida, especialmente no ambiente familiar. Explicando: o lar e a alisa não deveriam ser negligenciados pelo sucesso mundano. São encorajadas atividades que alimentem a vida sentimental da pessoa e que aumentem seu autoconhecimento psicológico.


Nodo Lunar Sul na 4ª Casa, Nodo Lunar Norte na 10ª.

É necessário aventurar-se para fora da base do lar e equilibrar tendências a introspecções mórbidas ou a esconder o self, encontrando empregos ou carreiras que de algum modo sirvam à coletividade. No mapa de uma mulher, isso indica que ser apenas dona-de-casa não é suficiente. Tendências à reclusão ou à introversão podem rivalizar com a necessidade de desenvolver o sentido da própria autoridade, poder e utilidade através de uma carreira.

  
Nodo Lunar Norte na 5ª Casa, Nodo Lunar Sul na 11ª.

Há necessidade de desenvolver mais a própria criatividade dando mais expressão espontânea ao self e aos sentimentos. O que quer que aumente o seu sentido de ser especial e único pode ser encorajado, em vez de se misturar à multidão. Assumir metas e objetivos comunitários em vez de definir suas próprias necessidades e desejos pode vir em detrimento da individuação. Explicando melhor: é mais fácil ser levado pelos outros do que manter-se de pé por si mesmo.


Nodo Lunar Sul na 5ª Casa, Nodo Lunar Norte na 11ª.

Estas pessoas deveriam ser encorajadas a se envolver em empreendimentos grupais. Existe a necessidade de desenvolver um conhecimento social e/ou político, de promover uma causa comum, em vez de ficar preocupado apenas com seus próprios casos e interesses.


Nodo Lunar Norte na 6ª Casa, Nodo Lunar Sul na 12ª.

É preciso prestar mais atenção ao eficiente e prático direcionamento da vida de cada dia. Não aceitar as responsabilidades da existência mundana pode provocar muito sonho acordado ou o secreto desejo de serem libertados, salvos e mantidos pelos outros: Desenvolver e aprimorar suas qualidades, talentos, recursos e capacidades práticas proporcionará mais satisfação. O corpo precisa ser cuidado e respeitado.



Nodo Lunar Sul na 6ª Casa, Nodo Lunar Norte na 12ª.

É preciso mais simpatia e compreensão para com os outros a fim de equilibrar uma natureza por demais crítica e julgadora. Tais pessoas podem ser controladas e racionais demais, só acreditando naquilo que pode ser visto, provado, medido ou testado. O "coração" precisa ser aberto para que se sintam ligadas a algo maior que elas próprias. Neste sentido, a vida se toma mais rica e significativa.

Plutão e Escorpião através das Casas


Como Urano e Netuno, Plutão é outro princípio "desestruturante", empurrando inexoravelmente a vida, superando velhas formas para dar lugar ao novo. Como uma cobra que perde a pele, algo nos empurra do fundo de nós mesmos, nos impele para irmos além de velhas e ultrapassadas fases da vida e abrir caminho para futuro crescimento e evolução. Finalmente, o novo vai se tornar velho, e também terá de ser abandonado para a próxima fase que se segue.

Particularmente, Plutão e Netuno, ambos deuses do mundo subterrâneo, compartilham certas semelhanças em que cada um mina subversivamente nossos velhos padrões, forçando-nos a levantar as mãos e nos rendermos. Ainda assim, eles diferem dramaticamente na maneira de fazê-lo. Como cupins ou carunchos que devoram os alicerces de uma casa, Netuno dissolve vagarosamente a rigidez de uma velha estrutura. Com Plutão, no entanto, o telhado cai sobre nossas cabeças como uma tonelada de tijolos. Mais duro que Netuno, Plutão representa uma crescente pressão que gradualmente constrói um clímax e que acaba de nos moldar. Enquanto Netuno nos persuade a mudar, dando-nos o sentimento de que podemos ser purificados através do sacrifício e do sofrimento, Plutão se assegura de que chegaremos lá, eliminando inteiramente as velhas formas até que não reste nada. Ordenando que um ciclo termine e que um novo comece, Plutão nos deixa pouca escolha entre mudar ou morrer.

Um dos mais conhecidos mitos antigos, "A descida de Inana" (contado maravilhosamente no livro de Sylvia Brinton Perera, A descida da deusa) descreve muito claramente os trabalhos de Plutão numa casa. Inana é a deusa do paraíso, alegre, radiante e cheia de vida. Ereshkigal, cujo nome significa "a senhora do grande espaço abaixo" é sua irmã, que vive no mundo inferior e representa uma forma primitiva e matriarcal de Plutão. O marido de Ereshlcigal acaba de falecer e Inana decide visitar o mundo inferior para assistir ao seu funeral, mas, em vez de receber Inana bem, Ereshlcigal saúda a irmã com um sombrio e venenoso olhar e sujeita Inana ao mesmo tratamento que recebem todas as alisas quando entram no reino de Ereshlcigal. Há sete portões ou portais que levam a esse mundo inferior, e em cada um, quem passa tem de tirar uma peça de roupa ou uma. Vestida com decoro, Inana precisa passar através de cada um desses sete portais, deixando suas roupas e suas pedras preciosas, de tal modo que, quando encontra a irmã no mais profundo do mundo inferior, está completamente nua e faz uma profunda reverência diante dela. Em outras palavras, Plutão-Ereshlcigal tira-nos as coisas com as quais nos adornamos, coisas das quais extrafinos nosso sentido de identidade e "vida". Embora seja uma experiência extremamente desagradável e humilhante, conta-nos o mito que esta é uma força destrutiva que deve ser respeitada e reverenciada. Afinal, este é o trabalho de uma deusa, uma divindade que representa ou serve algum centro organizador ou poder mais elevado. A casa que contém Plutão é onde talvez tenhamos de encontrar ou pagar hospedagem dessa maneira a Ereshlcigal - uma deusa obscura, mas nem por isso menos deusa.

Ereshkigal então matou Inana e a pendurou num gancho de açougue no mundo inferior; a linda e bem-intencionada deusa do paraíso foi deixada apodrecendo. De modo semelhante, a casa que Plutão ocupa pode ter de encarar o que está podre em nós. É neste domínio que encontramos os lados obscuros e indiferenciados de nossa natureza - nossas paixões e obsessões desenfreadas, nossa ânsia de poder, nossa crua sensualidade, nossos ciúmes, inveja, ganância, ódio, raiva e selvageria, e nossas feridas e dores primordiais. Não seremos inteiros enquanto esses sentimentos não forem trazidos à superfície, transmutados e devidamente reintegrados à psique.

Isso parece desagradável, e muitas vezes o é, mas temos de nos lembrar de que Plutão era também o deus dos tesouros enterrados e da prosperidade oculta. Pela sublevação que provoca, partes desconhecidas de nós mesmos, banidas para o inconsciente e, portanto, fora de nosso alcance, são reclamadas para uso e disposição consciente. Desta maneira, religamos a energia perdida e também ganhamos acesso a recursos e forças intocadas através deste acordo.

Inana não fica pendurada no mundo inferior para sempre. Sabendo que ia a um lugar perigoso, preparou antecipadamente sua soltura caso se encontrasse em apuros lá embaixo. De modo semelhante, Plutão-Ereshkigal podem nos cozinhar em nosso próprio molho, mas precisamos ter o bom senso para não ficarmos parados apenas no que é asqueroso e doloroso na vida. Plutão nos arrebenta, mas, como Inana, temos de voltar ao mundo superior e ao andamento diário da vida - felizmente com um maior grau de autoconhecimento, sabedoria e inteireza.

Inana escapa do mundo inferior ajudada por dois pequenos andróginos, chamados "os pranteadores". Pequenos e escorregadios, eles entraram no mundo inferior sem serem notados e se aproximaram de Ereshkigal, que sofria muito. Não só pela morte de seu marido, mas também porque estava grávida e tinha de enfrentar um parto difícil. Em outras palavras, algo morreu, mas algo está nascendo. Em vez de castigar Ereshlcigal pela horrenda morte de Inana, os pranteadores chegaram bem junto a ela e se comiseraram com sua condição. Praticando uma espécie de terapia rogeriana, eles lhe deram a chance de lamentar-se, refletindo sua desgraça e dor. Os pranteadores foram ensinados a afirmar a força da vida mesmo que esta se manifeste como miséria, escuridão e sofrimento. Grata por ter sido aceita desta maneira, Ereshlcigal lhes oferece aquilo que desejam. Eles pedem a volta de Inana à vida e Ereshlcigal, agradecida, a faz reviver. Inana retorna ao mundo superior, transformada e renovada, trazendo consigo vida nova para a colheita e para a vegetação. Ereshlcigal-Plutão destrói a vida, mas também pode coar vida nova.

O que podemos aprender da casa de Plutão? Primeiro, em vez de considerar a dor e as crises como um estigma ou uma doença, como algo mim que tem de ser evitado de qualquer maneira, podemos entender essas fases como parte de um processo maior que leva a uma renovação e a um renascimento. Segundo, aprendemos que não podemos dominar ou transformar aquilo que condenamos, negamos ou reprimimos, que é exatamente o que costumamos fazer com tudo o que é desagradável. No entanto, os pranteadores têm a chave: prestar atenção e aceitar Ereshlcigal-Plutão como parte da vida permite que a mágica da cura funcione.

Algo mais é ganho com a destruição, com a perda do que era preciso e com a desintegração daquilo que uma vez serviu como fonte de identidade e vitalidade. Depois de sermos despojados de tudo, nos lembramos daquela parte de nós que ainda continua conosco depois que tudo nos foi tirado. Descobrimos algo profundo dentro do self, algo que nos sustenta mesmo após a perda de antigas ligações do ego. Este é o presente que recuperamos na casa de Plutão: o conhecimento de algo dentro de nós mesmos que é indestrutível. Plutão tira o duradouro daquilo que é meramente transitório - e nós renascemos com o sentido de estarmos vivos, sentido que é incondicional e independente de acontecimentos externos ou relativos e dos fenômenos do mundo, agraciando-nos com certas "muletas".

Obviamente, onde Plutão monta seu altar no mapa, os acontecimentos não podem ser considerados fáceis. Intriga e complexidade é a senha aqui. No domínio de Plutão, precisamos buscar causas ocultas e motivações subliminares inconscientes. O ego isolado não está interessado em supervisionar sua própria destruição. Plutão é o companheiro de crime de um self mais profundo e essencial que usa este planeta para derrubar as limitações do ego e liberar mais daquilo que realmente somos. Como escreve Jung, "há coisas mais elevadas do que a vontade do ego, e a estas devemos nos curvar".

Plutão lida com extremos, e nós somos capazes de provar o pior e o melhor da natureza humana na área de vida na qual ele está localizado. Quando a onipotência do ego é chamada às falas, ficamos com medo de sermos destruídos e, de acordo com isso, tentamos nos proteger controlando cruel e deslealmente tudo o que ocorre na casa de Plutão. Mesmo sem saber por que, somos levados a agir de forma compulsiva, obsessivamente e, ainda, na mesma esfera, tomando conhecimento e servindo a uma força misteriosa mais forte que nós mesmos, podemos descobrir e exibir nossa própria força, nobreza, propósito e dedicação. Não somos apenas significativamente mudados pelo que acontece nesta área, mas também podemos atuar como catalisadores ou alavancas na transformação de outros. Para alguns, a própria força que faz a história acontecer pode surpreender e trabalhar através deles no domínio de Plutão.

Escorpião na cúspide ou contido numa casa pode ser interpretado como Plutão ali. A casa que contém Plutão influenciará qualquer casa onde Escorpião se encontre. Por exemplo, o ex-presidente Nixon tem Plutão na 10ª Casa e Escorpião na cúspide da 3ª. Uma mente reservada, ardilosa e determinada (Escorpião na 3ª) não pára diante de nada para realizar sua necessidade obsessiva de poder e de carreira (Plutão na 10ª Casa), e que lhe trouxe a destruição e o subseqüente renascimento.

Netuno e Peixes através das Casas


O planeta Netuno é associado ao deus romano do mesmo nome e ao deus grego Poseidon. Personificando a água, Poseidon era o deus dos mares, dos lagos, dos rios e das correntes subterrâneas. Embora morando num vasto palácio no fundo do oceano, ele se ressentia da soberania de Zeus e ansiava por mais posses terrenas. Poseidon disputou a Ática com Atena e perdeu; batalhou por Argólida com Hera, sem sucesso, e não conseguiu capturar Egina de Zeus. Cheio de raiva e desesperado, ele inundou as terras que não ganhou ou secou seus rios por vingança. Como Posídon (Netuno), nossas emoções voláteis muitas vezes anseiam por coisas que não podemos ter.

O elemento astrológico Água, associado ao campo dos sentimentos, age como Poseidon de outros modos. Quando ele emergiu dos mares, uma ou duas coisas aconteceram. Às vezes a água à sua volta se abria calma e magnífica. Em outras, no entanto, sua aparição significava tempestades indômitas e vendavais furiosos. Do mesmo modo, quando nossos sentimentos chegam à superfície, eles podem ser plenos e divinamente inspirados, ou podem passar por cima de nós como a onda de uma maré alta.

O planeta Netuno, como a Lua e Vênus, é outra energia da anima, representando a parte de nós que se funde, se adapta, reflete e procura unir-se com os outros. Enquanto a Mãe Lua ganha identidade refletindo o outro, enquanto a charmosa Vênus dá com a intenção de receber um pouco de volta, o nobre Netuno quer perder a própria identidade imergindo com algo maior que ele mesmo.

Enquanto a tarefa maior do ego isolado (Saturno) é a autopreservação, o planeta Netuno simboliza a ânsia de dissolver as fronteiras do self separado e vivenciar a unidade com o resto da vida. Já encontramos esses dois princípios na discussão geral da 12ª Casa, e, se bem lembramos, eles não são os melhores amigos. Na verdade, Saturno (representando o princípio estruturaste do ego) temeroso de ser destruído por Netuno, devorou-o ao nascer. Para muitos, a ideia da desintegração da identidade individual é atemorizante, e eles vão relegar Netuno - o desejo de religação com a totalidade da vida - para o inconsciente. Mas (tomando de empréstimo a analogia de Liz Greene) tudo o que é atirado no porão tem um jeito de se esconder debaixo da casa e aparecer bem na frente dela. Se Netuno é suprimido, ele não desaparece; pelo contrário, ele se disfarça e acaba se enroscando em nós como uma cobra. Na casa de Netuno, podemos "criar" involuntariamente circunstâncias para as quais não temos outra alternativa a não ser sacrificar nossos desejos pessoais, obedecendo a forças que não podemos mudar nem aliviar. Desta maneira, o nosso ego individual é despojado de seu sentimento todo-poderoso de superioridade e de isolamento. Purificados, somos bem-vindos aos braços de algo maior do que nós mesmos.

Na verdade, Júpiter foi quem salvou Netuno da tirania de Saturno; o desejo do ego individual de se expandir (Júpiter) pode eventualmente enfraquecer seu próprio isolamento, permitindo a Netuno ficar livre. Deste modo, muitas pessoas, em vez de temer a desintegração do ego, o encorajam ativamente, tentando conseguir a expansão e a felicidade associadas a uma existência sem limitações. Isso pode ser construtivamente alcançado através da meditação, da fé e do respeito, da criatividade artística e da devoção abnegada a outra pessoa e à causa; ou pode ser alcançado de uma maneira mais perigosa através das drogas, do álcool e de uma desenfreada entrega às paixões.

Algumas pessoas, lembrando-se vagamente do paraíso perdido, procuram o paraíso na Terra, na casa de Netuno. Na crença de que Netuno deveria dar-nos tudo, podemos colocar grandes esperanças nas questões sob o seu domínio, como se nossa própria redenção estivesse ali. Tendo barganhado nada menos do que o êxtase absoluto, ficamos invariavelmente desapontados quando o mundo exterior não nos fornece esses bens. Feridos e amargurados, vamos olhar para outros lados em busca de conforto - muitas vezes no bar da esquina ou no divã do analista. No entanto, para alguns de nós, a desilusão vinculada ao fato de não obtermos de Netuno o que desejamos é um marco de entrada para uma outra dimensão de experiência; em vez de ficar procurando a nossa felicidade apenas em realidades exteriores da vida, voltamos nossa atenção para o nosso interior. E eventualmente podemos descobrir que a felicidade que estávamos procurando já se encontrava ali, dentro de nós, escondida no indestrutível palácio de ouro de Netuno dentro do mar.

Isso levou Júpiter a salvar Netuno, e muitas vezes, na casa em que Netuno se encontra, procuramos um salvador. Fazendo-nos de vítimas ou de coitados (ao mesmo tempo recusando responsabilidades e esforço pessoal) esperamos que alguém apareça para tomar conta dessa área da vida para nós. No entanto, algumas pessoas invertem essa dinâmica e tentam ser o salvador dos outros neste domínio. 

Diferentemente de Saturno, isso não é feito por causa de algum tipo de pressão, mas bem mais por um sentimento de simpatia pela dor alheia. Em alguns casos, podemos mesmo nos tomar uma encarnação viva de uma espécie de imagem ou ideal popular na esfera de Netuno - algo como um novo deus ou deusa, ou um superstar, para escândalo público ou como um conveniente bode expiatório.

Como bem se pode imaginar sobre um deus dos mares, Netuno é bem escorregadio. Algo que estejamos procurando nessa área da vida pode escapar-nos misteriosamente. Muitas vezes, em vez de encarar os fatos, agimos como Blanche Dubois e criamos a ilusão de que tudo está maravilhoso. Podemos escolher ver apenas aquilo que serve de amparo à nossa fantasia. Mais cedo ou mais tarde, a realidade, provavelmente, cairá sobre nós. Ali, mais uma vez, ou não; nunca podemos ter certeza de nada com Netuno.

Netuno é associado com as coisas do mundo etérico, que não podem necessariamente ser compreendidas, medidas ou vistas. Ele é a essência da forma em vez da forma em si mesma. Através da casa de Netuno é possível vislumbrar um estado de consciência mais alto ou alterado, uma visão do infinito e da eternidade e de tudo que transcende os limites normais de espaço e tempo. Em outro nível, mostra onde estamos perenemente confusos, vagos e incertos a respeito de nossas intenções e metas, ou inclinados a seguir a correnteza e flutuar com qualquer coisa que apareça. Se (como acredita Netuno) tudo é uma única coisa, então, não importa o que aconteça. De qualquer maneira, isso não deveria fazer muita diferença para nós.

Duas figuras associadas com Netuno são Dionísio e Cristo. Ambos pregaram a renúncia à identidade separada e a necessidade de mesclar-se a algo divino. Dionísio reuniu um grupo de seguidores e, com a ajuda dos efeitos intoxicantes do vinho, eles eram transportados, via sentimentos e êxtase, a um outro reino. Obviamente, para as realidades mundanas da vida eles simplesmente se abandonavam a algo maior que o self, não se incomodando se seus canos estão estacionados numa dupla faixa amarela ou se deveriam estar em casa colocando o jantar na mesa para seus maridos. Nesse sentido, transcendiam o tempo, os limites e a forma.

Cristo é considerado por alguns como o "Mestre Netuniano". Ao mesmo tempo vítima e salvador, ele ensinou "a entrega" do self ao espírito. A instituição - o ego-consciente normal - achou difícil reconhecer tanto Cristo como Dionísio como deuses. Ambos sofreram formas de desmembramento. Ambos morreram para renascer. A posição de casa de Netuno é onde podemos compartilhar, de certa maneira, a experiência dessas divindades. Nesse domínio, é possível nos esfacelarmos de modo a podermos nos unir novamente de maneira diferente, abrindo-nos para algo que está por trás do ego. Atitudes de boa vontade, de aceitação e de fé ajudam. Às vezes, na casa de Netuno, não temos outras escolhas viáveis.

Peixes na cúspide ou contido numa casa é semelhante a Netuno nesta posição. A casa que tem Netuno influenciará qualquer casa em que Peixes se encontre. Por exemplo, Marilyn Monroe nasceu com Netuno na 1ª Casa e Peixes na cúspide da 8ª Casa. Ela veio a simbolizar uma imagem idealizada da sexualidade feminina (Peixes na 8ª) e sacrificou muito de sua própria identidade neste processo (Netuno na 1ª Casa, a casa do self).

Urano e Aquário através das Casas

Pouco se conta sobre Urano na mitologia. O primeiro deus no céu regeu o espaço ilimitado e recebeu a tarefa de inventar e dar nomes à Natureza. Urano realizou façanhas criativas tais como idealizar as asas das borboletas, cada uma estampada com sua própria e única individualidade. A presença de Urano no mapa indica que somos capazes de pensamentos e de ações novos e originais. Neste domínio, não é necessário conformar-se com padrões de comportamento tradicionais, convencionais.
Ele era casado com Gea, a Mãe Terra. Toda noite, o Céu se deitava sobre a Terra e como resultado disso concebiam filhos continuamente. O casal deu nascimento a uma raça de gigantes conhecidos como os Titãs, a alguns Cíclopes de um só olho e a uma hoste de monstros, cada um com cem braços e cinqüenta cabeças. Desgostoso à vista de seus rebentos, Urano recusou-se a permitir que eles existissem. Por essa razão, assim que eles nasciam, Urano os mandava de volta para o útero de Gea, para o centro da própria Terra. Astrologicamente, isso subentende que podemos conceber na casa de Urano o que acreditamos ser algumas idéias muito boas; mas quando trabalhadas e concretizadas, elas podem não sair tão bem. O que em teoria parecia maravilhoso pode ser um desapontamento quando posto em prática e, como o deus Urano, algumas vezes temos de queimar nossas idéias originais e tentar outra vez.
Obviamente, Gea, com o útero cheio dos filhos banidos, não achou nenhuma graça. De dentro de seu peito ela produziu um pouco de aço, forjou uma foice e implorou que seus filhos castrassem o pai com ela. O filho mais novo, Cronos (Saturno), já exibindo um bem desenvolvido sentido de responsabilidade, apresentou-se como voluntário para cumprir a tarefa. Um pouco do sangue do falo desmembrado de Urano jorrou de volta ao útero de Gea e daí nasceram as Fúrias. Quando o órgão foi lançado ao mar, emergiu com a espuma, e Afrodite (Vênus) nasceu.
Este mito sugere as complexidades que caracterizam a esfera de influência de Urano. Aquela parte de nós que é mais terrena ou saturnina nossa reserva, nosso cuidado, nosso conservadorismo, o respeito pela tradição e o medo do desconhecido - pode literalmente "cortar fora" o impulso criativo de Urano. É possível que a inibição de Urano numa casa dê origem às Fúrias, cujos nomes podem ser traduzidos como "raiva invejosa", "retaliação" ou "nunca acabar". Ressentindo-se do estado de coisas nesta área da vida, nós muitas vezes culpamos os outros pela nossa infelicidade, gerando um resíduo amargo e envenenado que a psique tem de eliminar. Uma terrível massa de energia é necessária para segurar uma mudança quando ela se faz realmente necessária e, como resultado, podemos acabar exaustos, doentes ou alienados. Ou, talvez, corajosamente, empreendamos novas ações e exploremos outras maneiras provocadoras e independentes de ser nesta casa. Mesmo assim, podemos ainda evocar as Fúrias - desta vez soltas sobre nós pelos que se sentem desafiados, ultrapassados ou ameaçados pelo nosso comportamento. Tanto em nível pessoal como em nível coletivo, a casa de Urano é onde temos que nos separar do conformismo, experimentar novas tendências ou correntes de pensamentos e arriscar a romper conosco e com tudo o que se encontra à nossa volta em nome do progresso e da evolução.
Felizmente, Afrodite nasceu fora dessa disputa. Sua presença sugere que, enquanto respeitamos e trabalhamos dentro de alguns limites e do confinamento de Saturno, podemos esperar encontrar maneiras mais harmoniosas e criativas (Vênus) para levar a vida adiante. Em alguns casos, podemos não ser capazes de transpor totalmente as velhas estruturas, mas podemos nos empenhar para abrir espaço com essas novas idéias e interesses e, dessa maneira, conseguir mudar alguma forma de expressão. Este é o desafio que Urano apresenta na área do mapa em que mora.
Urano foi descoberto há relativamente pouco tempo, em 1781, durante o período das revoluções americana e francesa, e na véspera da Revolução Industrial. Em sincronia, este planeta é associado com ideais de verdade, justiça, liberdade, fraternidade e igualdade, bem como com qualquer tendência coletiva progressista que desafie o status quo. Urano quer que transcendamos os limites de nosso passado, de nosso ambiente, de nossa biologia e, se possível, de nosso destino: só porque nascemos numa família pobre, isso não quer dizer que tenhamos que ser caipiras. Em forma pura, sua visão é a de um grupo de indivíduos juntos, cada um expressando sua própria unidade e ainda assim sustentando um todo maior do qual cada um faz parte.
No entanto, Urano é propenso a certas distorções. Na casa, é onde temos necessidade de verdade e de liberdade, bem como um medo excessivo de sermos capturados ou aprisionados pelas nossas próprias criações. Se estamos muito inclinados a mudar apenas por mudar, então nada nesta área poderá se arraigar. Ou, se ficarmos nos equilibrando sobre a fina linha de separação entre a loucura, a excentricidade e o gênio, vamos persistentemente sentir a necessidade de sermos diferentes dos outros apenas para causar polêmica ou chamar a atenção sobre nós mesmos. A casa de Urano pode mostrar onde rapidamente desrespeitamos os limites da nossa "humanidade". Presumindo que somos capazes de transcender automaticamente as restrições de nosso corpo físico ou de nos elevar acima dos componentes instintivos da nossa natureza, cometemos o pecado de hubris e convidamos a punição a cair sobre nós. Com o mesmo refinamento que inspirou o sr. Frankenstein a construir o seu monstro, liberamos horrores no mundo em nome do avanço e do progresso. Ou quando ideais utópicos (como a Revolução Francesa) não levam em consideração as realidades da natureza humana, eles envolvem e amarram, às vezes estrangulando, quase todo mundo nesse processo.
Aquário na cúspide ou contido numa casa terá sabor semelhante a Urano ali. Haverá uma conexão entre a casa que contém Urano e qualquer casa que tenha Aquário.

12ª Casa

Começando pela 12ª Casa, o crescimento assegurou que nos distinguíssemos da ilimitada e universal matriz de vida da qual primeiro emergimos. No entanto, como vimos na 11ª Casa, a distinção entre nós mesmos e os outros é desafiada pelo entendimento de que cada passo de um sistema é ligado e inter relacionado com as outras partes. Tanto místicos quanto cientistas nos dizem que, afinal, não somos tão diferentes. Quem somos é influenciado pelos outros e os outros são influenciados pelo que somos. Nossas mentes estão ligadas e são diretamente afetadas umas pelas outras. A noção de que existimos como entidades isoladas está rapidamente perdendo espaço para um sentido mais amplo e coletivo do self. Na 12ª Casa, o duplo processo da dissolução do ego individual e a fusão com algo maior que é o self, é sentido e vivenciado, não via mente ou intelecto, como na 11ª Casa, mas com o nosso coração e a nossa alma. Como diz Chistopher Fry: "O coração humano pode ter a amplitude de Deus."

O poeta Walter de la Mare escreveu que "nossos sonhos são contos, narrados num paraíso nublado". Em nível mais profundo, a 12ª Casa, naturalmente associada com Água, Peixes e o planeta Netuno, representa a pressa de dissolução que existe em cada um de nós, uma ansiedade para voltar às águas indiferenciadas do útero materno, para o estado original de unidade. Freud, Jung, Piaget, Klein e um grande número de outros psicólogos modernos estão de acordo em afirmar que a primeira estrutura de consciência da criança é pré pessoa/objeto, ignorando limites, espaço e tempo. Lembranças precoces ferem mais profundamente em nível muito profundo. Todo indivíduo intui que sua natureza mais profunda é ilimitada, infinita e eterna. A redescoberta dessa totalidade é a nossa maior necessidade e nosso maior desejo. De uma perspectiva psicológica reducionista, o desejo de religação com o original sentido de totalidade perdido pode ser entendido como uma regressão para o estado anterior ao nascimento, mas em termos espirituais esta mesma ansiedade se transforma num desejo místico de união com nossa fonte e numa experiência direta de fazer parte de algo maior do que nós mesmos. Este é um tipo de saudade divina.

De certo modo a proposta de um retorno a este estado encantador e cheio de paz, soa como uma glória. E ainda, algo mais dentro de nós, o desejo do ego de se preservar e o medo de sua própria morte concorre para esse sentimento. O ego batalhou muito para ganhar uma fatia de vida para si mesmo. Por que deveria ele renunciar a isso? No símbolo de Peixes, o signo associado com a 12ª Casa, dois Peixes nadam em direções opostas. Os seres humanos se defrontam com um dilema fundamental com dois impulsos contrastantes. Todos querem perder seu sentido de isolamento e transcender sua separação individual, e ainda assim ficam aterrorizados com a desintegração e temem a perda do self separado. Essa dupla ligação existencial - querer a totalidade, temendo e resistindo a ela - este é o maior compromisso da 12ª Casa.

Por ser tão assustadora a dissolução da identidade do ego, as pessoas procuram gratificações substitutivas numa tentativa de satisfazer a ansiedade de autotranscendência. Uma das estratégias para a religação com a unidade é através do sexo e do amor: "Se eu sou amado, possuído ou faço parte de algo, consigo ir além do meu isolamento." Outra maneira para ganhar novamente o sentido perdido de onipotência e onipresença é através do domínio do poder e do prestígio. Se posso estender meu território de influência sobre muitas coisas, o resto da vida está ligado a mim. O mergulho em álcool ou em drogas é outra maneira de quebrar barreiras. Tentativas de suicídio e várias outras formas de comportamento autodestrutivo ocultam muitas vezes o desejo de retornar a um estado de bem-aventurança de ser não-diferenciado. Outros procuram a transcendência mais diretamente através da meditação, da prece e da devoção a Deus. A 12ª Casa pode fazer aparecer qualquer uma destas saídas.

No entanto, é provável que a 12ª Casa desestruture, engolfe, absorva ou infle a identidade individual. Esquecer o paradigma do "eu aqui dentro" versus o "você lá fora" significa que os limites entre nós e os outros se mesclaram. Por esta razão, uma forte ênfase nesta casa pode indicar pessoas que tenham grande dificuldade em formar claramente identidades definidas. Elas são influenciadas por qualquer coisa que esteja por perto ou seja lá com quem for que entrem em contato. Outras distorcem dramaticamente suas identidades pessoais fora de proporção. Antes de sacrificar o ego a ligar-se a algo caro e divino, a pessoa pode tentar embeber o ego com tais qualidades. Em vez de procurar se religar com Deus, a pessoa tenta bancar Deus - uma forma de arrogância relativa ao que Abraham Maslow chamou de "grande desvio superior".

Junto com esta confusão da 12ª Casa sobre quem somos, muitas vezes vem uma total falta de direcionamento de vida. Em algum nível pode haver a sensação de que uma vez que tudo é mesmo igual, qual é a diferença? Tão logo distingue-se uma clara identidade ou uma estrutura é imposta à vida, algo acontece que puxa o tapete debaixo dos pés e a nebulosidade reina suprema novamente. Assim que o indivíduo pensa que capturou algo em que pendurar o sentido do Eu este algo escorrega ou desaparece. A capacidade de manter as coisas unidas ou facilitar seus próprios fins pessoais é de algum modo servil a um poder de dissolução muito maior sobre o qual há muito pouco controle.

O obscurecimento de limites entre o self e os outros pode criar confusão a respeito de onde nós começamos e de onde terminam os outros, mas ao mesmo tempo confere um maior grau de simpatia e compaixão por aqueles com quem compartilhamos a Terra. Assim oprimidas pelo sofrimento ao seu redor, algumas pessoas com uma 12ª Casa forte vão procurar quaisquer meios de escape ou afastamento do mundo como um todo. Outras que sentem a dor "lá de fora" como sua própria, vão naturalmente trabalhar de modo a amenizar esta dor. Em vários graus, a 12ª Casa descreve o auxiliar, o "ordenador", o libertador, o mártir ou salvador, que "toma sobre si" as necessidades e as causas de outrem.

O significado original da palavra sacrifício é "tornar sagrado". Algo que foi tornado sagrado ao ser oferecido aos deuses ou a forças superiores. Passando através de todos os graus de significado da 12ª Casa está a suposição de que o indivíduo é redimido através do auto-sacrifício, através do oferecimento do self a algo maior. Isto é verdadeiro na medida em que temos, de alguma maneira, que deixar um sentido de self autônomo e separado para entrar no abraço maior do todo. Enquanto o sacrifício e o sofrimento muitas vezes servem para aliviar o ego e dar vazão a uma maior simpatia e conhecimento espiritual, o valor da dor e a natureza do sacrifício são muito facilmente distorcidos em "Eu tenho de sofrer para encontrar a Deus" ou "Tudo o que possa se constituir numa satisfação pessoal deve ser abandonado". No entanto, talvez não sejam as coisas em si que devam ser sacrificadas mas, mais precisamente, o nosso vínculo com elas. No momento em que derivamos nossa identidade ou realização de tais coisas como relacionamentos, propriedades, ideologias ou sistemas de crença, perdemos o contato com a nossa natureza mais profunda e básica com a nossa natureza ilimitada.

Algumas pessoas podem até tentar alcançar ou realizar seus sonhos e desejos da 11ª Casa apenas para descobrir, na 12ª, que ainda se sentem enganadas por não terem a felicidade completa. Aquilo que pensavam que lhes daria a maior satisfação já não é suficiente, ou então mostrou não ser tudo. Os romanos tinham um ditado: Quod hoc ad aeternitatem? (que significa: O que é isso comparado com a eternidade?). Do mesmo modo, a 12ª Casa nos lembra constantemente que todas as alegrias desejam ser infinitas.

A 12ª Casa (junto com as outras casas de Água, a 4ª e a 8ª) tradicionalmente revela padrões, anseios, instâncias e compulsões que operam em níveis abaixo do conhecimento consciente, e mesmo assim influenciam significativamente nossas escolhas, atitudes e diretrizes na vida. Empilhadas em nossa memória inconsciente, experiências passadas colorem a maneira como vemos e achamos o mundo. Mas a que distância para trás estas influências do passado se originam?

Em alguns casos, os planetas e os signos na 12ª Casa podem contar com o que os psicólogos chamam de "o efeito umbilical". Segundo esse conceito, o embrião em desenvolvimento é receptivo, não só a substâncias físicas que a mãe ingere mas é também afetado pelo seu estado psicológico geral durante o período de gestação. Suas atitudes e experiências são transmitidas através do cordão umbilical ao feto, dentro do útero. A natureza do que é transmitido à criança desta maneira é mostrada pelos posicionamentos da 12ª Casa. Se Plutão se encontra aí, a mãe pode ter sofrido alguma experiência traumática durante a gravidez. A criança nasce então com uma sensação de perigo de vida e uma incômoda apreensão de que a condenação está logo ali, virando a esquina. Não existe memória consciente da origem dessa atitude; existe apenas a vaga impressão do que é esta vida. Por exemplo, recentemente acompanhei o caso de uma mãe grávida com um diagnóstico de tumor no cérebro. Sua filha nasceu com Plutão na 12ª Casa e a mãe morreu logo depois de seu nascimento.

E o que aconteceu antes do útero materno? Muitos astrólogos se referem à 12ª Casa como a "casa do carma", Os reencarnacionistas acreditam que a imortal alma humana encontra-se num caminho de aperfeiçoamento e de retorno à sua origem que não pode ser completado no curto espaço de uma vida. Leis definitivas, em vez do acaso, operam para determinar as circunstâncias de cada tempo de vida ou de cada estágio de nossa residência provisória. Em cada nova encarnação trazemos conosco aquilo que colhemos em experiências de vidas anteriores, bem como as capacidades latentes que aguardam desenvolvimento. Causas colocadas em movimento em existências anteriores afetam aquilo que encontramos na presente. A alma escolhe um determinado tempo para nascer, pois as normas astrológicas estabelecem as experiências necessárias para o presente estágio de crescimento. Neste sentido, todo o mapa representa o nosso carma - tanto o que provém do resultado de nossas ações passadas como o que é necessário despertar em nós para continuar. Mais especificamente, a 12ª Casa mostra o que estamos "trazendo" do passado que vai operar nesta vida seja como débito ou como crédito em nossa conta.

Difíceis posicionamentos de 12ª Casa podem indicar antigos "pontos fracos" e energias mal utilizadas em vidas anteriores, e que ainda temos de aprender a usar sabiamente na atual. Posicionamentos positivos nesta casa sugerem qualidades entranhadas que nos servirão vantajosamente nesta vida como resultado de "trabalho" feito sobre elas no passado. Com relação a esta teoria, alguns astrólogos chamam a 12ª Casa de "auto-sustentação ou autodestruição". Por exemplo, um Marte ou Áries nesta posição, poderia significar que o egoísmo, a impulsividade ou a pressa tenham sido um problema no passado e a continuação de tal comportamento poderia ser a causa de uma "queda" nesta vida. Por outro lado, numa 12ª Casa bem aspectada, Marte sugere que as qualidades positivas dele, tais como coragem, força e franqueza, já foram aprendidas e que sustentarão o nativo em tempos difíceis, aparecendo justamente quando são mais necessárias. Aspectos mistos a posicionamentos na 12ª Casa mostram que o efeito deste planeta ou desta energia fica, de algum modo, em suspenso como que sendo testado para ver como manipulamos este princípio. Se o usamos sabiamente, seremos premiados; se desgastamos o planeta ou o signo em questão, as conseqüências tendem a ser bastante severas.

Referindo-nos ao "efeito umbilical" ou à teoria do carena e da reencarnação, os posicionamentos da 12ª Casa descrevem influências que recaem sobre nós de causas e origens que obviamente não podemos lembro ou ver. Através da 4ª Casa de Água herdamos ou retemos vestígios de nossa ancestralidade. Na 12ª Casa, é possível que sejamos receptivos a uma combinação ou memória ainda maiores - aquilo que Jung chamou de "inconsciente coletivo": a memória inteira de toda a raça humana. Jung definiu o inconsciente coletivo como "a precondição de cada psique individual, do mesmo modo que o mar é o transportador da onda individual". De alguma maneira, como é mostrado na 12ª Casa, cada um de nós está ligado ao passado, trazendo registros de experiências muito anteriores àquelas que conhecemos pessoalmente.

Além do resíduo do passado, no entanto, o inconsciente coletivo é também um reservatório de potenciais latentes à espera de serem extraídos. Colin Wilson escreve que "a mente inconsciente pode incluir todo o passado do homem, mas inclui também o seu futuro". A mente inconsciente é mais do que um mero reservatório de idéias, impulsos e desejos reprimidos ou queimados; é também a fonte de "potencialidades de conhecimento e experiência" que o indivíduo ainda quer contactar. A 12ª Casa, em outras palavras, contém tanto o nosso futuro como o nosso passado.

Algumas pessoas com posicionamentos na 12ª Casa atuam como mediadoras e transmissoras de imagens universais, míticas e arquetípicas que giram no nível do inconsciente coletivo. Em vários níveis, artistas, escritores, compositores, atores, lideres religiosos, curandeiros, místicos e profetas atuais tocam este reino e se tornam os veículos de inspiração para outros. Com aquilo que eles sintonizaram, tocam o acorde certo, que então ressoa dentro de nós, tornando-nos capazes de compartilhar de sua experiência. Inúmeros exemplos de mapas com posicionamentos na 12ª Casa ilustram este fenômeno: o compositor Claude Debussy com a sensual Vênus em Leão na 12ª Casa; William Blake com a imaginativa e sensível Lua em Câncer nesta casa; o poeta Byron - cuja maneira expansiva e jocosa de usar a palavra, a rima e a forma, revigorou todo o movimento romântico - tinha Júpiter em Gêmeos na 12ª Casa; e o visionário Pierre Teilhatri de Chardin com Sol, Netuno, Vênus, Plutão e a Lua todos na 12ª Casa são apenas alguns casos explicativos.

É como se as energias da 12ª Casa não tivessem de ser usadas somente para fins pessoais. É possível que nos seja pedido expressar este princípio pelo bem dos outros, não só para nós. Por exemplo, se Marte se encontra nesta posição, podemos fazer o papel de batalhadores da causa de outros. Neste sentido, anulamos o nosso Marte ou o oferecemos aos outros. Mercúrio na 12ª Casa entende as preocupações dos outros ou serve de porta-voz a eles.

Algumas pessoas, através dos posicionamentos da 12ª Casa, levam o que pode ser chamado de "vidas simbólicas". Seu modo de vida individual reflete as tendências ou os dilemas numa atmosfera coletiva. Por exemplo, Mahatma Gandhi com Sol em Libra na 12ª Casa tornou-se o pensamento vivo do principio libriano de coexistência pacifica para milhões de pessoas. Urano na 12ª Casa do mapa de Hitler tornou-o excepcionalmente aberto a ideologias que pairavam no ar naquele tempo. Bob Dylan tem Sagitário na cúspide da 12ª Casa e seu regente, Júpiter, na 5ª, a área do mapa relativa à expressão criativa; através de sua música ele foi a boca e a inspiração de muitas das tendências de contra-cultura dos anos 60. Uma mulher negra com Urano em Câncer na 12ª nasceu e cresceu numa parte da Inglaterra em que praticamente só havia brancos. Tendo de integrar-se na vida da cidade, ela não estava lidando somente com seu próprio dilema pessoal, mas também lutando pela causa de muitos outros negros.

A 12ª Casa tem sido chamada de a casa dos "inimigos secretos" e das "atividades por baixo do pano". Isso pode significar literalmente pessoas que intrigam ou conspiram contra nós. No entanto, mais parecem ser fraquezas ocultas ou forças dentro de nós mesmos que minam a realização de nossos objetivos e metas conscientes. Enfim, impulsos inconscientes como mostrados pelos posicionamentos da 12ª Casa são também capazes de impedir a realização de nossas aspirações conscientes. Por exemplo, se um homem tem a Lua e Vênus na 7ª Casa existe uma forte ansiedade por estar junto a outra pessoa em relacionamento intimo; por outro lado, se este homem tem também Urano na 12ª, isso sugere que inconscientemente pode haver um tão forte desejo por liberdade e independência que ele vai sabotar de algum modo qualquer tentativa de estreitar laços afetivos. Em geral, em qualquer luta entre aspirações conscientes e inconscientes, o inconsciente vence. Neste caso, o indivíduo pode ser costumeiramente atraído por mulheres que não são livres para casar ou que, por alguma razão, não retribuem seus avanços. Desta maneira, o impulso de continuar independente (Urano na 12ª) mantém-se vitorioso sobre as necessidades conscientes. Se existem pressões morais conscientes dentro de nós, podemos fazer algo para regulá-las e alterá-las, caso assim o desejamos. Se não estivermos conscientes de certos impulsos e regras, estes abrem caminho para nos dominar e controlar. Aquilo que é inconsciente dentro de nós tem uma habilidade de vir por trás e nos atingir na cabeça. Por este motivo, não importa o quanto tentemos, algumas metas conscientes são continuamente bloqueadas e precisamos examinar a 12ª Casa para encontrar uma pista da razão pela qual isso acontece.

A ligação da 11ª Casa com instituições tem sentido à luz das várias conotações desta casa já discutidas até agora. A 12ª Casa mostra o que está escondido ou o que se encontra por trás das coisas, como hospitais e prisões são, em parte, lugares onde determinadas pessoas vivem segregadas da sociedade. Aqueles que têm difíceis posicionamentos da 12ª Casa podem desmoronar sob a pressão da vida ou cair sob a presa de poderosos complexos inconscientes que irrompem na superfície, resultando numa necessidade de serem assistidos e contidos. Outros são postos de lado por serem considerados perigosos ao bem-estar da sociedade. Em qualquer desses casos, a vontade de uma autoridade maior é forçada sobre eles conforme o princípio da 12ª Casa de submissão individual a algo maior do que o self. Uma hospitalização ou um período de afastamento da vida pode ser necessário para restabelecer o equilíbrio psicológico e físico, tornando a pessoa novamente inteira - outro principio da 12ª Casa. Experiências em orfanatos, hospícios e tratamento de deficientes também aparecem via 12ª Casa.

Não é estranho encontrar pessoas com posicionamentos nesta casa trabalhando em tais instituições. Servir a outros menos afortunados que eles é a expressão prática da compaixão e da simpatia que a 12ª Casa confere. A Igreja, certas obras de caridade ou a vida monástica são outras esferas que absorvem a pessoa que sente ser este o seu chamado para sacrificar ou dedicar a vida a Deus ou ao bem-estar dos outros. Os reencarnacionistas acreditam que um mau carena passado pode ser redimido através de boa vontade e serviços desse tipo.

Como já mencionamos, a 12ª Casa dá acesso ao arquivo coletivo de experiências passadas de geração em geração. Por isso, não é de surpreender que os guardiões deste armazém, aqueles que trabalham em museus ou bibliotecas, tenham muitas vezes posicionamentos próprios da 12ª Casa.

Não seria correto discutir a 12ª Casa sem mencionar mais uma vez a pesquisa feita por Michel e Françoise Gauquelin. Eles analisaram as carreiras de esportistas vitoriosos e encontraram uma correlação de Marte na 12ª Casa. Cientistas e médicos também tendem a ter Saturno nesta posição. Escritores têm a Lua, e atores, Júpiter. Baseados em seus estudos, tudo indica que planetas na 12ª (e até certo ponto na 9ª, 6ª e 3ª casas) determinam significativamente o caráter e a profissão do nativo. Isso surpreendeu muitos astrólogos que achavam que posicionamentos na 1ª ou 10ª Casa deveriam ser mais fortes neste aspecto.

No entanto, será que tais descobertas são tão estranhas do ponto de vista que entendemos ser o da 12ª Casa? Se existe uma ânsia de "dar" tudo o que está na 12ª a outras pessoas, segue-se que poderíamos fazer carreira com base nos princípios ali contidos. E mais: se a 12ª Casa indica energias na atmosfera coletiva, às quais somos sensíveis, é provável que nosso caráter e expressão reflitam isso. Esportistas captam a ansiedade coletiva de competir e chegar primeiro (Marte). Escritores sintonizam a imaginação coletiva (Lua) e cientistas . servem à necessidade coletiva para classificar e estruturar (Saturno).

Uma vez que a 12ª Casa tem relação com a religação a algo caro e divino, um indivíduo pode vivenciar um planeta nesta posição com a chave ou a passagem para a grandeza e a autotranscendência. Naturalmente, a pessoa gostaria de desenvolvê-la. Em algum nível, ela pode acreditar que as portas do paraíso são abertas através da superação de qualquer princípio da 12ª Casa. A profunda ânsia, totalidade e imortalidade que existe em todos nós é a incitação que motiva a realização através dos planetas da 12ª Casa.

Para algumas pessoas, uma ênfase na 12ª Casa contribui para a falta de uma clara identidade, uma nebulosidade, vidas sem diretrizes, sacrifícios, sensação de opressão por parte de impulsos inconscientes ou subjacentes soltos na atmosfera, e um falso senso do valor do sofrimento e do autosacrifício. Por outro lado, o conceito da 12ª Casa de entregar-se ao sentimento de ser um self separado, dá vida à verdadeira simpatia e compaixão, a serviços altruístas, inspiração artística e, finalmente, à capacidade de estar num todo maior.

Na 11ª Casa teorizamos sobre a unidade e a falta de conexão de toda a vida. Em princípio isso é reconhecido. Na 12ª Casa, o mistério da nossa unidade com o resto da criação é percebido diretamente com todas as células do corpo. Toda a existência é sentida como parte de nós mesmos, do mesmo modo como as partes do nosso corpo são partes de nós. Com tal conhecimento, seria difícil ferir inadvertidamente outra pessoa como o seria cortar fora um de nossos dedos. Conseqüentemente, achamos que aquilo que deve servir ao nosso bem-estar individual servirá invariavelmente para o bem do todo.

Uma antiga história ilustra o lado positivo da 12ª Casa. Um homem tem permissão para visitar o paraíso e o inferno. No inferno ele vê uma grande reunião de pessoas sentadas em volta de uma longa mesa posta, com comida farta e gostosa; no entanto, as pessoas são pobres e esfomeadas. Ele logo percebe que a razão de se encontrarem em estado desesperador é que as facas e os garfos servidos são maiores que os braços dos comensais. Como resultado disso, eles são incapazes de levar a comida à boca e de se alimentar. Depois, mostra-se ao homem o paraíso. Ele encontra a mesma mesa posta. ali com os mesmos longos talheres. No paraíso, porém, em vez de as pessoas estarem somente preocupadas em se alimentar, cada uma usa seus talheres para alimentar ao próximo. Todas elas estavam bem-alimentadas e felizes.

Enquanto não perdermos totalmente nossa própria identidade pessoal ou o sentido de nossa individualidade única, temos de vivenciar, tomar conhecimento, honrar e nos ligar àquela parte de nós que é universal e ilimitada. Afinal, o truque é nadar nas águas da 12ª Casa sem afundar.

Emergimos da matriz universal da vida, nos estabelecemos como entidades individuais e, depois de tudo, achamos que somos realmente uma coisa só com a criação. Quer nossa conexão com o todo maior seja vivenciada conscientemente quer não, através da 12ª Casa é inevitável que nosso corpo físico morra e se desintegre. Quando o corpo morre, morre também o sentido de termos uma existência física separada. De um modo ou de outro, retornamos ao solo coletivo do qual viemos. O que havia no começo há no fim. Voltamos ao Ascendente para recomeçar uma nova volta da espiral.

11ª Casa

De ser esquecido por não ser ninguém, até conseguir ser reconhecido como alguém: este foi o caminho da 1ª à 10ª Casa. Mas agora que o ego foi firmemente estabelecido e devidamente conhecido, o que vai acontecer?

No plano mais profundo, a 11ª Casa (associada com o signo de Aquário e co regida por Saturno e Urano) representa a tentativa de ir além de nossa ego identidade e tornar nos algo maior do que já somos. O caminho certo para conseguir isso consiste numa identificação maior que o self tal como um círculo de amigos, um grupo, uma crença ou uma ideologia.

De acordo com a Teoria Geral de Sistemas, nada pode ser compreendido isoladamente, mas sim como parte de um sistema. Os componentes do sistema e seus atributos são vistos como funções de um sistema completo. O comportamento e a expressão de cada parte influenciam e são influenciados por todas as outras. Naquilo que é conhecida como uma sociedade de "alta sinergia" os objetivos do indivíduo estão em harmonia com as necessidades do sistema como um todo. Num sistema de "baixa sinergia" os indivíduos, ao realizarem suas próprias necessidades, não agem necessariamente pelo bem do todo. A maneira como funcionamos como parte de um sistema é mostrada pela 11ª Casa.

Obedecendo à sua dupla regência, o conceito de consciência grupal implícito na 11ª Casa, pode ser entendido de duas maneiras diferentes. Saturno procura maior segurança e um senso mais só1ido de identificação pelo fato de pertencer a um grupo o que os psicó1ogos rotulam de "identificação de pertença". Fazer parte de um certo grupo seja ele social, nacional, político ou religioso realça o sentido de quem somos e nos dá uma sensação de segurança em números. De certa maneira isto é uma façanha, uma vez que o resto do mundo é usado a serviço do aumento ou do reforço da identidade. A evidência disso é vista mais claramente naqueles demasiadamente preocupados em ter os amigos certos, ser notados nos lugares certos e alinhar seu self com as crenças certas. A face mais negativa deste Saturno subjacente na 11ª Casa manifesta-se quando um grupo é ameaçado por outro grupo - tal como negros se mudando para um bairro de brancos ou junguianos se mudando para uma vizinhança predominantemente freudiana.

O lado uraniano da 11ª Casa representa o tipo de consciência grupal que professores espiritualistas, místicos e visionários de diferentes culturas e tempos, repetidamente defenderam. Em vez do típico paradigma "eu aqui dentro" versus o "você aí fora" ou automodelo, eles falam da unidade do indivíduo com tudo o que é vivo; somos parte de um todo maior inter-relacionado com o resto da criação. Espelhando a percepção mística da unidade de toda a vida, recentes pesquisas científicas demonstram a rede de relacionamentos interligando tudo que há no universo. Por exemplo, David Bohm, um físico britânico, lançou a teoria segundo a qual o universo deve ser entendido como um "simples todo individido no qual partes separadas e independentes não têm qualidade fundamental". Uma análise profunda dos paralelos existentes entre a física moderna e o misticismo oriental é encontrada em O tao da física, de Fritjof Capra, um eminente pesquisador de alta energia física. Alguns paralelos que ele relata são tão surpreendentes que é quase impossível determinar se certos relatos sobre a natureza da vida foram elaborados por cientistas modernos ou místicos orientais.

Uma recente teoria proposta por um psicólogo britânico, Rupert Sheldrake, é particularmente relevante para a 11ª Casa. Sheldrake sugere a possibilidade de invisíveis campos organizadores que regulam a vida de um sistema. Em 1920, William McDougall da Universidade de Harvard estava estudando a rapidez com que os ratos aprendiam a escapar de um labirinto cheio de água. Nessa mesma época, outros pesquisadores na Escócia e na Austrália que vinham repetindo estas experiências acharam que sua primeira geração de ratos reproduzidos de outra linhagem que as de McDougall conseguiram o feito com o mesmo grau de habilidade que os de McDougall, de última geração. A perícia foi de algum modo "transmitida" para outros ratos em outras partes do mundo. Estas ocorrências levaram Sheldrake à teoria de que, se um membro de uma espécie biológica aprende um novo comportamento, o campo organizador invisível (campo morfogenético) para tal espécie, muda. Os ratos que conseguiram o feito tornaram possível a outros ratos, a muitas milhas de distância, fazer o mesmo. Em algum nível profundo estamos todos ligados uns aos outros. A teoria de Sheldrake foi primorosamente resumida pelo padre jesuíta Pierre Teilhard de Chardin, nascido com Mercúrio, Júpiter e Saturno na 11ª Casa. "Quando uma verdade aparece pela primeira vez, seja numa única mente, sempre acaba se impondo à totalidade da consciência humana".

Em A conspiração aquariana, Marilyn Ferguson escreve: "Você não pode entender uma célula, um rato, uma estrutura cerebral, uma família ou uma cultura se os isolar de seu contexto". Da mesma maneira, Carl Rogers, um dos fundadores da psicologia humanística observou que quanto mais fundo o indivíduo mergulha em sua própria identidade, mais ele descobre toda a raça humana. Nossa identidade tem uma associação maior do que o "ego encapsulado em pele" é capaz de admitir. Visto sob este ângulo, o desenvolvimento da consciência grupal como é visto na 11ª Casa não serve unicamente ao propósito de engrandecer ou reforçar a identidade do Ego. Antes, o conhecimento de sermos parte de algo maior nos dá condições de transcender os limites e as fronteiras de nossa separação individual e de nos sentirmos como uma célula num corpo maior de humanidade. Desta percepção nasce um sentido de irmandade para com os co-habitantes do planeta muito além dos obrigatórios laços de família, nação ou igreja.

Sintropia - a tendência da energia vital de se dirigir para uma maior associação, comunicação, cooperação e conhecimento - é o principio básico através do qual a 11ª Casa opera. Tendo-nos reconhecido como indivíduos separados e distintos, há uma chamada para uma nova ligação com tudo aquilo de que nos diferenciamos anteriormente.

Do mesmo modo que a natureza se organiza em células vivas, da mesma forma que células vivas se reúnem em organismos multicelulares, pode acontecer que em algum estágio seres humanos se integrem em algum tipo de superorganismo global. Mesmo no nível saturnino, a interdependência e a interconexão devida no planeta está se tornando cada vez mais óbvia. A tecnologia de comunicações aumentou dramaticamente a velocidade da interação global, e o conceito de Marshall McLuhan do mundo como uma "aldeia global" está perto de se tornar verdadeiro. Corporações e conglomerados multinacionais reúnem inexplicavelmente as economias do mundo. O colapso do sistema monetário de um país teria um efeito desastroso sobre muitos outros. O isolacionismo e o nacionalismo praticamente não são mais viáveis. Em outro plano, pequenos grupos, redes, sistemas de movimentos e de sustentação vêm proliferando em todo o mundo aglutinando pessoas para promover causas comuns. Enfim, quase da mesma maneira como 0 nosso corpo se modifica e se desenvolve, o grande corpo da humanidade também está crescendo e evoluindo. A maneira pela qual poderíamos participar e servir à evolução e ao progresso deste self coletivo é mostrada pelos posicionamentos na 11ª Casa.

Na 5ª Casa, nossa energia é usada para nos distinguir dos outros e para aumentar o sentido do nosso valor e qualidades individuais. Na 11ª Casa, nossa energia pode ser investida em promover e realizar a identidade, propósito e causa de qualquer grupo a que pertençamos, quer isto seja entendido como sendo toda a raça humana ou um particular segmento dela. Na Sá Casa fazemos o que queremos em causa própria. Na 11ª Casa podemos escolher, abandonar ou conciliar algumas de nossas preciosas vontades pessoais, inclinações e idiossincrasias em consideração ao que o grupo decida que é melhor.

Consciência social á a palavra-chave para a 11ª Casa. Uma sociedade (10ª Casa) estrutura-se segundo certas leis e princípios (9ª Casa). Leis e sociedade facilmente se cristalizam e se dilatam, e invariavelmente certos elementos da sociedade são favorecidos pelo sistema enquanto outros são oprimidos. Grupos que se sentem negligenciados ou traídos pelas leis existentes podem encontrar uma expressão através de certas reformas associadas com a 11ª Casa. Muitas vezes aqueles que têm fortes posicionamentos nesta casa trabalham através de grupos humanitários ou políticos para implementar mudanças sociais necessárias. No entanto, também é bastante comum encontrar outros com ênfase na 11ª Casa badalando de um compromisso social para outro. Nesta semana, Ascot, as quadras de Wimbledon na seguinte, e depois um dia em Henley, antes de ir à ópera em Glyndebourne.

Em alguns casos, os posicionamentos na 11ª Casa podem significar o tipo de grupos em cuja direção gravitamos. Por exemplo, Netuno poderia estar interessado em sociedades musicais, em grupos psíquicos ou espiritualistas. Urano faria o mesmo com grupos de astrologia, e Marte com o clube local de futebol. No entanto, além de apenas descrever o tipo de grupo, é mais provável que os signos e os planetas na 11ª Casa simbolizem a maneira de nos comportar e interagir em situações de grupo. O Sol ou Leão nesta posição pode ter de ser o líder tendo como base uma boa proporção de seu valor e de sua identidade do envolvimento com o grupo. Mercúrio ou Gêmeos nesta casa pode aparecer como a secretária do grupo ou como um de seus mais esclarecidos porta-vozes. Alguém tem de fazer o chá, e a Lua ou Câncer nesta posição pode ficar feliz em providenciar não só este serviço como também em colocar sua casa à disposição como local de encontro. Ademais, a 11ª Casa dá o sentido de quão bem nos sentimos em situações de grupo. Vênus ou Libra conseguem isso facilmente e fazem muitos novos amigos quando entram num grupo. Saturno ou Capricórnio é bem capaz de se afastar do grupo e se sentir sem graça e estúpido misturando-se com os outros. Oscar Wilde, que atingiu grande sucesso nos meios artístico e social de Londres, tinha a Lua em Leão na 11ª Casa. Paul Joseph Goebbels, o oficial encarregado da divulgação do partido nazista que controlava as comunicações públicas e a mídia, tinha Plutão conjunção Netuno em Gêmeos nesta casa.

A amizade enquadra-se perfeitamente no ideal da 11ª Casa de nos tornarmos maiores do que realmente somos. As pessoas se unem através da amizade, as fronteiras pessoais se ampliam e tanto as necessidades como os recursos dos outros acabam entrelaçados com os nossos. Apresentamos aos nossos amigos novas idéias e interesses, do mesmo modo que somos envolvidos por aquilo que eles têm para compartilhar conosco.

Os planetas e os signos na 11ª Casa muitas vezes descrevem os tipos de amigos pelos quais somos atraídos. Por exemplo, um homem com Marte nesta casa pode ser atraído por pessoas que tenham óbvias qualidades marcianas, tais como dinamismo, iniciativa e capacidade de comando. No entanto, os posicionamentos na 11ª Casa também podem mostrar qualidades que não possuímos, que projetamos para fora e que encontramos externamente através de amigos. Se o homem com Marte na 11ª Casa não desenvolveu seu lado marciano e lhe falta um certo empurrão tipo "Levanta-te e anda", seus amigos lhe oferecerão esta energia, estimulando-o e levando-o à ação. Ele pode, inclusive, possuir uma incomum habilidade para evocar tais qualidades nos seus colegas de trabalho mais próximos que, em outras situações e com outras pessoas seriam normalmente mais calmos e tranqüilos.

A 11ª Casa também sugere a maneira como fazemos amigos. Marte pode correr impulsivamente para uma amizade, enquanto Saturno é mais sem jeito, tímido ou cauteloso a esse respeito. Como nos portamos e que energias despertamos nas amizades também é mostrado pelos posicionamentos aqui. Vênus pode fazer amigos facilmente mas prefere deixar as coisas acontecerem (ela também pode esperar que os amigos "apareçam" com ideais um pouco mais elevados). Plutão sugere associações intensas e complicadas que nos transformam significativamente ou nas quais apareçam situações de traição, intriga e deslealdade.

Na 11ª Casa existe o desejo de transcender ou de ir além de símbolos existentes e de modelos de nós mesmos. Ansiamos por um self mais ideal ou por uma sociedade mais utópica. Por esse motivo, esta parte do mapa foi rotulada como a casa das esperanças, das metas, dos desejos e dos objetivos. O desejo de sermos algo maior do que somos tem de ser acompanhado pela capacidade de considerar novas e diferentes possibilidades. Mais do que qualquer outra espécie, o grande cérebro humano e o desenvolvido córtex cerebral dota os seres humanos com a capacidade de imaginar um amplo leque de alternativas, opções e saídas. A maneira como encaramos as possibilidades e avançamos para realizar tais esperanças e desejos é mostrada pelos posicionamentos na 11ª Casa. Por exemplo, Saturno nesta posição, pode ter dificuldade em formar imagens positivas do futuro ou ter de enfrentar obstáculos, atrasos ou obstruções no meio do caminho para finalmente alcançar suas metas e seus objetivos. Marte estabelece uma meta e a persegue, enquanto Netuno pode se confundir sobre o que realmente quer, ou apenas fantasiar e sonhar acordado com desejos imaginários. Neste contexto, vale lembrar que quanto mais claramente podemos imaginar a possibilidade, mais perto ficamos de concretizá-la. O estímulo de visões positivas do futuro ajuda no processo de caminharmos numa direção mais positiva.

A evolução impele a níveis cada vez maiores de complexidade, organização e associação. Na 1ª Casa de Ar (a 3ª), através da linguagem recebemos a habilidade de distinguir a pessoa do objeto. Nossa mente desabrocha quando nos relacionamos com os outros em nosso ambiente próximo. Na 2ª Casa de Ar (a 7ª) crescemos através do contato íntimo de nosso próprio conhecimento com o conhecimento de outra pessoa. Pessoa e objeto diferenciados na 3ª se encontram frente a frente na 7ª. Na última casa de Ar (a 11ª), nossas mentes individuais estão ligadas, não só com as mentes dos que nos são caros, mas com todas as outras mentes. Os planetas da 11ª, Casa sensibilizam uma pessoa para as idéias e os pensamentos que circulam no nível da mente grupai. Não é um fenômeno incomum para uma pessoa em San Francisco, outra em Londres e outra no Japão terem flashes de uma nova e mesma idéia brilhante, independentemente uma da outra, dentro de um pequeno espaço de tempo. Na 11ª Casa descobrimos nosso parentesco, não só com nossa família, nossos amigos, nosso país ou aqueles a quem amamos, mas com toda a raça humana.