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Casas de Água

A água é o elemento associado com os sentimentos. As três casas de Água preocupam-se com emoções presentes abaixo do nível superficial da consciência. Elas lidam também com as respostas condicionadas do passado, agora instintivas, irrefletidas e criadas.

A primeira casa de Água é a 4ª, que também é angular. Ela descreve sentimentos ativos muito arraigados dentro de nós bem como o ambiente e as influências familiares em nosso primeiro lar, que modelam a identidade. Na segunda casa de Água, a sucedente 8ª Casa, nossos sentimentos são fortificados, aprofundados e agitados por relacionamentos íntimos com outra pessoa. Duas pessoas, cada uma com seu ambiente familiar e sua máscara emocional, tentam ser uma só. Maior segurança (uma qualidade sucedente) é buscada na ligação dos sentimentos de duas pessoas. Na 8ª Casa, nossos próprios sentimentos (diferenciados e reconhecidos na 4ª Casa angular) fluem para dentro dos sentimentos de outra pessoa. Na terceira casa de Água, a cadente 12ª, progredimos da união com alguns poucos selecionados (8ª) para um sentido de unidade com toda a vida. Tomamos conhecimento do inconsciente coletivo - o oceano coletivo do qual todos nós emergimos e o ambiente que compartilhamos com todos e com tudo.

Na 4ª Casa, sentimos nossa própria alegria e dor. Na 8ª, sentimos a alegria e a dor de um sócio próximo, e na 12ª sentimos a alegria e a dor do mundo. O desenvolvimento seqüencial das casas de Água, assim como com as casas dos outros elementos, é um movimento do pessoal para o interpessoal para o universal.

As três casas de Água estão simbolicamente em trígono umas com as outras e os planetas nessas casas podem literalmente estar em trígono uns com os outros.


Aspectos entre as casas de água:
O trígono 4ª- 8ª

Este aspecto ajuda a pessoa a compartilhar seus sentimentos mais profundos com outra pessoa. Vai haver muita sensibilidade a influências latentes na atmosfera do lar. Quem tem esses posicionamentos tem um jeito todo especial para sentir as emoções ocultas e os motivos de outra pessoa. Com aspectos harmoniosos entre planetas da 4ª e da 8ª, existe a possibilidade de as experiências da primeira infância aumentarem a capacidade de satisfazer relações interpessoais mais tarde na vida. Às vezes o trígono 4ª-8ª indica heranças (8ª) de terras ou propriedades (4ª).

O trígono 8ª-12ª

Aspectos entre essas casas aumentam as descobertas de uma pessoa sobre tudo o que é sutil ou misterioso na vida. Eles vêem ou sentem coisas que os outros não têm sensibilidade para perceber, e tornam possível encontrar recursos capazes de transformar uma crise numa grande oportunidade de crescimento. Muitas vezes a ajuda aparece quando é mais necessária. Pessoas com tais aspectos são capazes de guiar outras quando estas estão melhorando na vida (8ª) e podem trabalhar com muito sucesso em instituições (12ª). Conheço uma senhora com Sol na 8ª em trígono com Netuno na 12ª que escapou da morte três vezes. Ela também trabalhava como advogada (8ª) para jovens prisioneiros (12ª) e levantava fundos (8ª) para fins caritativos (12ª). Recentemente uma herança de família (8ª) deixou-a livre para prosseguir mais profundamente com seus anseios humanitários (12ª).

O trígono 4ª-12ª

Os que têm trígonos entre a 4º e a 12ª Casas são tão sensíveis que podem detectar emoções ocultas no ar e muitas vezes sentem a variação de humor e os sentimentos dos outros como se fossem seus. Verifica-se neles uma receptividade natural para as tendências e a moda coletivas, e às vezes são capazes de influenciar grupos de pessoas através do poder de suas emoções e sentimentos. Pode haver uma ligação psíquica com o pai (4ª), esteja ele vivo ou não. As possibilidades de experiências positivas através das instituições da 12ª Casa são aumentadas. Períodos de descanso e retiros da vida exterior são necessários a intervalos regulares e normalmente resultam muito benéficos. Paramhansa Yogananda, um místico oriental que fundou o Instituto de Auto-Realização, nasceu com Vênus e Mercúrio na 4ª Casa em trígono com a Lua na 12ª Casa.

Casas de Ar

Associa-se o ar à capacidade de destacar o eu e de ver algo objetivamente à distância e com perspectiva. Uma vez que nos tenhamos separado ou distinguido da matriz universal de vida, poderemos começar a nos relacionar com aquilo que encontramos. O elemento ar relaciona-se com o intelecto, a comunicação e a troca de idéias.

A primeira casa de Ar é a 3ª, que também é uma casa cadente. O movimento, o desenvolvimento mental e o conhecimento da linguagem nos capacitam a nos reajustar e redefinir num sentido mais concreto do eu formado na 1ª e na 2ª Casa. A segunda casa de Ar é a 7ª, que é angular. Minha mente e minha perspectiva de vida (3ª) encontram a sua mente e sua perspectiva de vida (7ª). O encontro de duas pessoas gera uma grande quantidade de energia, e o fracasso ou o sucesso de um relacionamento pode ter influência sobre como nos sentimos em muitas outras áreas de nossas vidas. A terceira casa de Ar (11ª) é sucedente. Estabilizamos e reforçamos nossos pontos de vista olhando para os outros (grupos ou amigos) que compartilham de nossas idéias. As mentes se encontram na 11ª Casa. As idéias são "transformadas" em ideologias, e "ismos" são amplamente aplicados à sociedade e "assimilados" por um grande número de pessoas.

As três casas de Ar estão simbolicamente em trígono umas com as outras, e os planetas que se encontram nessas casas podem estar literalmente em trígono uns com os outros.

Aspectos entre as casas de ar.
O trígono 3ª-7ª

A 3ª Casa está associada com a comunicação, e quando um planeta nessa posição faz trígono com outro na 7ª, existe facilidade de comunicação íntima. Conseguimos fazer com que nos entendam, bem como somos capazes de compreender e avaliar os outros (pelo menos intelectualmente). Em geral, existe um vivo interesse e um bom grau de percepção do modo como uma pessoa ou uma coisa interage ou se relaciona com outra.

O trígono 7ª- 11ª

Uma parceira tende a servir de base para expansão social ou intelectual. Pode ser um amigo (11ª) que apresenta essa pessoa ao seu futuro parceiro de casamento (7ª). Ou um importante relacionamento (7ª) pode ter início com alguém que a pessoa conhece através de um grupo ou de uma organização (11ª). Normalmente o parceiro (7ª) compartilha das metas e dos objetivos da pessoa e a ajuda a alcançá-los. Jean Houston, uma figura de liderança em psicologia humanística, tem Júpiter na 7ª em trígono com Plutão na 11ª. Ela e seu marido Robert Masters fundaram um instituto para pesquisas mentais e juntos desenvolveram numerosas técnicas para ampliação do conhecimento.

O trígono 3ª-11ª

Quando um planeta na 3ª Casa faz trígono com um planeta na 11ª, ocorre, em geral, um fácil relacionamento com grupos de pessoas. Pode haver uma compreensão intuitiva de como a mente individual (3ª) é ligada aos outros (11ª). A pessoa pode falar claramente (3ª) sobre amplos conceitos ou coisas que ela imagina (11ª). Amigos ou grupos (11ª) inspiram e ampliam o pensamento (3ª), e, reciprocamente, os pontos de vista e o conhecimento geral da pessoa afetam os outros. Albert Einstein tinha Urano na 3ª em trígono com Netuno na 11ª. Suas descobertas (Urano na 3ª) levaram a um maior entendimento da interconexão de toda a vida (11ª). Em outro nível, o trígono de 3ª-11ª pode significar que sociedades amigas de bairros (3ª) podem ser formadas para promover mudanças de cunho social (11ª), ou que um meio-irmão (3ª) pode apresentara pessoa a novos amigos, idéias ou grupos (11ª).

Casas da Terra

O elemento Tema é associado com o plano de existência material: a condensação do espírito em formas concretas.

A primeira casa de Terra é a 2ª Casa, e ela é também uma casa sucedente. Por isso, a segunda casa representa a matéria tentando se tornar mais segura ou estável, resultando daí a associação da 2ª Casa com dinheiro, posses e recursos. Isso inclui coisas tais como o corpo - que gostamos de chamar de nosso. Em termos econômicos, é o capital.

A segunda casa de Terra é a 6ª, que é também uma casa cadente; por este motivo, a 6ª Casa ajusta e reconsidera o principio terreno. Nesta casa nossos recursos e habilidades são comparados aos recursos e habilidades dos outros. Nossas habilidades especiais são aprimoradas e aperfeiçoadas. O corpo também necessita de atenção para funcionar de forma eficiente e uma doença pode ser entendida como uma tentativa de o corpo se reajustar. Em termos econômicos, representa a força do trabalho.

A terceira casa de Terra é a 10ª, uma casa angular. Neste caso, existe a necessidade de gerar matéria, isto é, a necessidade de produzir. Em certo sentido, a 10ª Casa representa as forças de administração que ativamente organizam e supervisionam o capital e o trabalho. Em termos pessoais mostra como nós, propositadamente, estruturamos e direcionamos nossa energia e habilidade para resultados concretos e definidos. Daí a associação da 10ª Casa com a carreira, a ambição e a maneira como gostamos de ser vistos pelo mundo. Mais amplamente, a 10ª Casa descreve o papel que o indivíduo interpreta perpetuando e mantendo o corpo da própria sociedade.

Na primeira casa de Terra (2ª), o corpo e a própria matéria se diferenciam da totalidade orobórica da vida. Na segunda casa de Terra (6ª), nosso corpo particular e os nossos recursos diferenciados na 2á são mais especificamente delineados. Na terceira casa de Terra (10ª), nosso próprio corpo e habilidades práticas (diferenciadas na 2ª e mais claramente definidas na 6ª) se reúnem com os outros para formar e manter a existência material coletiva.

As três casas de Terra estão simbolicamente em trígono umas com as outras, e os planetas nessas casas podem literalmente estar em trígono uns com os outros.

Aspectos entre as casas de terra:
O trígono 2ª- 6ª

Se um planeta na 2ª Casa se encontra em trígono com um planeta na 6ª, o indivíduo está equipado com recursos e habilidades que ele utiliza prática e produtivamente e, em geral, com adequada remuneração financeira. Muitas vezes existe um eficiente e consumado manejo do mundo material.

O trígono 6ª- 10ª

Com esse trígono existe a probabilidade da competência e do modo de trabalhar dessa pessoa conduzi-la ao sucesso na carneira. É possível que algo herdado "via mãe" (10ª) contribua para o repertório de talentos ou habilidades (6ª). Filha de pais ligados ao mundo do espetáculo, Candice Bergen faz bom uso tanto de sua beleza quanto de sua inteligência em sua carreira de atriz e de repórter fotográfico. Ela nasceu com Vênus em conjunção com Urano em Gêmeos na 6ª Casa, em trígono com Júpiter em Libra na 10ª.

O trígono 2ª-10ª

Neste caso, a carreira se coaduna muito bem com o temperamento e as habilidades. O dinheiro e o status podem ser conquistados naquilo que a pessoa naturalmente gosta de fazer. Algo valoroso é herdado via mãe ou o parente modelo (10ª). Sir Harry Lauder, o comediante e animador, tinha um público enorme e todos gostavam dele sobretudo por seu sotaque escocês. Ele nasceu com Mercúrio (o planeta da fala) na 2ª Casa (recursos) em trígono com Netuno na 10ª.

Casas do Fogo


O Fogo é a forma viva que anima todas as formas vivas. É o elemento associado com o querer ser: a ânsia de exprimir o self de dentro para fora.

A 1ª Casa é a primeira casa de Fogo. Ela também é angular. Se combinarmos as qualidades de Fogo com a natureza das casas angulares (atividade e liberação de energia) chegamos a uma boa descrição da 1ª Casa: a atividade de liberar a força da vida. A 1ª Casa mostra o movimento inicial de ser dentro de nós, a ânsia de ser uma pessoa separada e distinta. Desenvolver os signos e os planetas na 1ª Casa nos vitaliza e vivifica.

A segunda casa de Fogo é a 5ª Casa. Ela é também uma casa sucedente. Por isso, a 5ª Casa combina as qualidades associadas com as casas sucedentes e as qualidades associadas com o elemento Fogo. Casas sucedentes concentram, estabilizam e utilizam a energia gerada nas casas angulares. No caso da 5ª Casa, o espírito puro da 1ª Casa é focalizado e direcionado. Reforçamos nosso senso de identidade (1ª) perseguindo soluções e interesses que nos façam sentir mais vivos e estampando nossa individualidade naquilo que fazemos ou criamos (5ª).

A terceira casa de Fogo é a 9ª. Ela é também uma casa cadente. Por isso, a 9ª Casa combina as qualidades associadas com as casas cadentes e as qualidades associadas com o elemento Fogo. As casas cadentes reconsideram, reajustam e reorientam a maneira como focalizamos nossa energia. Na 9ª Casa, reavaliamos nosso senso de identidade vendo nossa vida e a nós mesmos num contexto mais amplo. O fogo que reconhecemos queimando dentro de nós na lá e na 5ª Casa se espalhou para todo o mundo. Agora percebemos "o fogo" ou o espírito como um atributo universal que existe em tudo o que nos rodeia. Na 5ª Casa exploramos nossa própria criatividade pessoal, mas na 9ª vislumbramos o trabalho de uma inteligência criativa cósmica que concebe a vida de acordo com certas leis e princípios universais.

Na primeira casa de Fogo (1ª), nossa própria identidade é lançada. Na segunda casa de Fogo (5ª), nos consolidamos, confirmamos e expressamos essa identidade. Na terceira casa de Fogo (9ª), a natureza criativa do fogo e a ânsia de ser é vista expressando-se impessoalmente através de princípios arquetipais que governam e geram toda a vida.

As três casas de Fogo formam simbolicamente um trígono entre si. Planetas na 1ª, 5ª ou 9ª Casas podem literalmente estar em trígono uns com os outros, e formar ângulos de 120° cada um (permitindo uma órbita de aproximadamente 8 a 10 graus). No entanto, para encontrar aspectos temos de contar o número de graus existentes entre os dois planetas e não apenas o número de casas. Um planeta na 1ª Casa não forma automaticamente um trígono com um planeta na 5ª, e em alguns casos, dado o tamanho igual das casas nos sistemas quadrantes, os dois planetas podem até formar uma quadratura entre si. É preciso, entretanto, entender a afinidade básica entre os posicionamentos nas casas associados com o mesmo elemento no zodíaco natural.

Aspectos entre as casa de fogo:
O trígono 1ª- 5ª

Se um planeta na 1ª Casa forma um trígono com um planeta na 5ª, o planeta da 1ª Casa encontra uma saída criativa através do planeta da 5ª Casa. Por exemplo, se Mercúrio está na 1ª Casa e forma um trígono com Júpiter na 5ª, a ânsia de se comunicar e trocar informações simbolizadas por Mercúrio pode encontrar uma saída através de alguma forma de expressão artística (Júpiter na 5ª Casa). Em contatos de trígono entre a 1ª e a 5ª Casas existe uma facilidade ou fluxo natural para abertamente expressarmos quem somos nós. O autor francês, Victor Hugo, que exprimiu sua preocupação humanitária através da literatura, tinha o simpático Netuno na 1ª Casa em trígono com Mercúrio na 5ª.

O trígono 5ª- 9ª

Quando um planeta na 5ª Casa está em trígono com um planeta na 9ª Casa, aquilo que exprimimos ou criamos (5ª), muitas vezes influencia e inspira outras pessoas (a natureza expansiva da 9ª). Pode parecer que a criatividade flui através de nós vinda de uma fonte de inspiração mais elevada ou de uma visão "de fogo". Lord Byron, o romântico poeta inglês que revelou sua aguda sensibilidade à beleza através de sua obra, tinha Vênus na 9ª em trígono com Netuno na 5ª.

O trígono de 1ª- 9ª

Aqueles que têm trígono entre estas duas casas naturalmente agem de acordo com uma visão maior da vida. Suas ações obedecem a tendências já presentes na atmosfera e que por isso encontram menos resistência na realização de seus desejos. Um vasto objetivo de existência (9ª) guia sua maneira de enfrentar o mundo (1ª). O perigo com este trígono está em o indivíduo identificar muito facilmente o self com a voz de Deus, e justificar suas ações na base de uma maior autoridade ou de um princípio condutor. Por exemplo, Francisco Franco, o ditador fascista, tinha a Lua, Netuno e Plutão na 9ª em trígono com Saturno na 1ª.



Classificação das Casas por elementos

Outra maneira de agrupar as casas é pelos elementos. Há três casas de Fogo (1ª, 5ª e 9ª); três casas de Terra (2ª, 6ª e 10ª); três casas de Ar (3ª, 7ª e 11ª) e três casas de Água (4ª, 8ª e 12ª). Um desenvolvimento significativo e seqüencial pode ser observado quando progredimos da 1ª Casa associada com determinado elemento para a 2ª Casa deste elemento e também a 3ª deste mesmo elemento. Em geral, a 1ª Casa associada com determinado elemento traz a natureza deste elemento à tona e o personaliza; a casa seguinte, alinhada com este elemento, diferencia e define este principio, normalmente comparando nossa expressão dele com a de outros. A 3ª Casa relacionada com um determinado elemento universaliza sua expressão. Este elemento pode ser vista funcionando num nível coletivo amplo.

Aspectos das casas cadentes

A oposição 3ª-9ª

A 3ª Casa descreve a natureza da mente analítica e concreta, enquanto a 9ª mostra um processo de pensamento mais abstrato e intuitivo. A 3ª Casa vê as partes, a 9ª olha primeiro para o todo. Quando os planetas se acham em oposição entre estas duas casas, isso poderia significar um bom equilíbrio e integração entre os hemisférios direito e esquerdo do cérebro. No entanto, em certos casos, a oposição pode mostrar uma pessoa que refine fatos (3ª) e depois tira deles as conclusões erradas (9ª). Montanhas são feitas de morrinhos, ou uma pessoa pode aderir a alguma crença ou verdade (9ª) e depois interpretar tudo à sua volta (3ª) somente à Diz desses princípios. Em outras palavras, os fatos são distorcidos para provar algo. A 3ª Casa pode trabalhar durante muitas semanas preparando uma conferência, assegurando que cada palavra transmita o significado preciso. O conferencista da 9ª Casa pode preferir esperar para ver quem está no auditório, confiando em que ele intuitivamente saberá o que dizer no devido tempo. Algumas vezes, com a oposição da 3ª à 9ª casas, existe um sentimento persistente de que o pasto do vizinho é mais verde.

A oposição 6ª-12ª

A 6ª Casa examina as milhares de formas de existência relativa pesquisando em detalhes como uma coisa difere de outra. A 12ª Casa, no entanto, abarca a essência da coisa - não quanto ela pesa ou mede, mas como ela é "sentida". A 6ª mostra-se discriminativa e seletiva, definindo limites cuidadosamente. A 12ª é simpática, inclui tudo e dissolve fronteiras. A 6ª Casa é pragmática, lógica e se preocupa com as realidades do dia-a-dia da vida; a 12ª aspira transcender tudo o que é mundano, e está ciente das ilusórias, desconhecidas e misteriosas nuanças da existência. A 6ª Casa planeja a vida; a 12ª flui com ela.

As oposições entre essas duas casas realçam essas maneiras contrastantes de ver a vida, mas permitem uma maior chance de realização da síntese dos vários modos de vida. Eu tenho visto oposições da 6ª à 12ª Casa, por exemplo, em mapas de pessoas espiritualizadas que também têm os pés firmemente no chão. Uma era um dentista com Lua em Capricórnio na 6ª, oposição Júpiter em Câncer na 12ª e devoto seguidor de um guru indiano. Outra era um carpinteiro que ofereceu seus serviços voluntários para treinar pessoas em países do Terceiro Mundo na sua profissão. Ele tinha três planetas na 6ª em oposição a Urano na 12ª.

As oposições entre a 6ª e a 12ª casas às vezes se manifestam em indisposições físicas de origem psicológica. Os reencarnacionistas acreditam que certos problemas de saúde (6ª) podem ser conseqüência de comportamentos em vidas passadas (12ª). Por exemplo, se um homem numa vida passada comeu e bebeu demais, nesta vida ele pode nascer com alergia a certos alimentos que o forram a prestar mais atenção àquilo que põe para dentro de seu corpo. Ou, então, uma pessoa que habitualmente olhava de cima para baixo para outras pessoas numa vida passada, pode se achar anormalmente alta nesta vida, ou talvez nasceria extremamente pequena para saber como se sente uma pessoa para a qual se olha de cima para baixo. Em qualquer caso, com oposições da 6ª à 12ª casas, as origens de algumas doenças podem ser diagnosticadas com dificuldade, provindo de alguma origem nada fácil de ser detectada.

A quadratura de 3ª- 6ª

Temos aqui, ligadas, duas casas diretamente relacionadas com o processo lógico e racional do lado esquerdo do cérebro. A tendência da mente é trabalhar demais. A 3ª Casa gosta de saber um pouco de tudo, enquanto a 6ª Casa quer saber o máximo possível a respeito de poucas coisas. Ponha as duas juntas e teremos alguém que quer saber o máximo a respeito de tudo. Com planetas nessas duas casas, é possível analisar alguma coisa a partir do que existe. Levado a extremos, poderia tratar-se de uma pessoa que insiste que a única diferença real entre as peças Otelo e Hamlet são as letras do alfabeto que estão colocadas de maneira diferente em cada peça.

Tomada mais positivamente, existe em geral a busca de informações (3ª) para uso prático (6ª). Pode haver muita disputa sobre detalhes e muita discussão sobre a maneira certa e apropriada de fazer algo. Conseqüentemente, aqueles que têm a combinação da 3ª à 6ª Casa não deixam os outros escapar sendo demasiado abstratos, caprichosos ou vagos. Se me aparece alguém com esses posicionamentos para uma consulta com leitura de mapa, eu lhe dou meia hora a mais para perguntas no final. (O que você quer dizer exatamente com ...?)

Com quadraturas entre essas casas, é possível que a saúde (6ª) seja afetada na mobilidade física bem como no bom funcionamento da mente (3ª). Algumas vezes conflitos não resolvidos com enteados (3ª) reaparecem como problemas com colegas de trabalho (6ª).

A quadratura de 6ª-

A combinação da expansiva 9ª Casa, sempre preocupada em buscar a verdade, com a mundana e prática 6ª Casa pode produzir uma alma sem descanso que vai de uma preocupação a outra numa constante procura de algo que a preencha totalmente. A vantagem é que tais pessoas costumam julgar que aquilo sobre o qual estavam depositadas todas as esperanças de algum modo se desfaz antes de alcançado. Quando isso falha, outra coisa qualquer é perseguida fervorosamente com a habitual convicção de que tal coisa deveria propiciar "tudo". Em vez de olhar para algo como sendo a verdade total, essas pessoas deveriam se aproximar com a atitude de que isso poderia ser alguma versão ou ângulo da verdade. Explicando melhor, elas criam a impressão de alguma coisa como sendo o todo. Aí então encontram outra coisa para dar um pouco de verdade e outros tipos de realização. Desta maneira não se abrem a um desapontamento se um dos focos de atenção não entrega todo o alimento que almejam.

A quadratura entre a 6ª e a 9ª Casa pode ser vista historicamente no conflito entre maneiras indutivas de investigação científica (6ª) e a espécie de conhecimento que aflora da fé e das crenças religiosas (9ª). A tensão entre as Casas 6ª e 9ª também se manifesta nos tipos de disputas teológicas preocupadas com o número exato de anjos que conseguem dançar na cabeça de um alfinete. As Escrituras (9ª) podem ser interpretadas de maneira fundamental: as leis e os rituais devem ser seguidos exatamente para assegurar que mesmo a mais humilde e comum expressão de existência (6ª) faça parte do sagrado ou seja executado de acordo com uma lei maior (9ª). Há também a habilidade de perceber o significado cósmico (9ª) nos menores detalhes da vida (6ª). Em outro nível, problemas de saúde (6ª) podem acontecer em viagens (9ª). É possível que haja diferenças de opinião sobre leis internas (9ª) e sobre a administração de assuntos diários (6ª).

A quadratura de 9ª-12ª

Neste caso, temos duas casas de natureza expansiva relacionadas uma com a outra. Nenhuma destas esferas gosta de fronteiras e limitações, e aqueles que têm planetas nestas casas não se sentem muito bem dentro das restrições de uma existência mundana. Normalmente predomina um interesse em matéria filosófica ou religiosa: em casos extremos eles vivem num mundo de símbolos, sonhos e imagens, passando por uma grande experiência após outra, muitas vezes esquecendo-se completamente de ir ao dentista. Eles podem ter uma fonte interminável de inspiração transpessoal, mas nenhum veículo capaz de expressar ou relacionar sua visão à vida do dia-a-dia. Nada inclinados ao pensamento analítico conseguem engolir qualquer crença e vivê-la fervorosamente até que ela seja cuspida fora e algo novo seja encontrado e engolido. Alguns se desviam tanto achando-se Napoleão ou Cristo que acabam internados em instituições para doentes mentais (12ª). Falando mais positivamente, pessoas com forte ênfase de 9ª a 12ª servem para abrir os olhos de outras para realidades além do alcance da vista de um pensador típico de 3ª e de 6ª Casa.

Existem diferenças de abordagem a "entendimentos maiores" entre a 9ª e a 12ª Casa. A 9ª Casa acredita que os modelos e princípios básicos que governam a vida podem ser conhecidos e compreendidos. A 12ª Casa sente algo que é muitas vezes insondável e desconhecido. A 9ª Casa se preocupa principalmente em escalar novas alturas. A 12ª encontra inspiração não só nas alturas mas também nas profundezas - êxtase e dor, bem-aventurança e sofrimento estão intimamente ligados. Em nível mais mundano, pode haver estranhas e inexplicáveis ansiedades para viajar para diversos países e o perigo de prisão (12ª) em país estrangeiro (9ª).

A quadratura de 3ª-12ª

Falando claramente, a 12ª Casa é a mente inconsciente e a 3ª, a mente consciente. A 12ª Casa é o domínio do que está escondido e invisível, enquanto a 3ª percebe aquilo que é imediato e está disponível no ambiente. Uma ação ou exposição pode ser apreciada pelo seu valor nominal (3ª) ou pode ser sentida como ocultando sentimentos ou motivações (12ª). Em psicologia, isso é conhecido como meta-significado. A 3ª Casa observa as ações e faz o sentido das palavras, mas a 12ª "prende" e é sensível a outros níveis do que está sendo dito ou feito. A combinação 3ª-12ª percebe muitos níveis de realidade ao mesmo tempo. Isso confere ou um fantástico insight das pessoas e situações, ou uma grande confusão mental. Devem elas acreditar naquilo que ouvem ou vêem, ou naquilo que sentem ou percebem?

Esse tipo de mensagens cruzadas não é anormal com meio-irmãos (3ª). Em geral, meio-irmãos mais velhos se acham ambivalentes diante de irmãos mais novos. Eles sabem que devem amar o novo bebê, mas o ciúme e o lado destrutivo também estão presentes. O mais novo percebe que o mais velho age carinhosamente em relação a ele, mas também sente algo menos agradável se passando entre eles. Qual nível deve ser tomado como certo? Para o caso em questão, conheci uma mulher com Saturno e Plutão na 12ª Casa em quadratura com a Lua em Escorpião na 3ª. Sua irmã mais velha era excepcionalmente simpática com ela, mas por dentro se ressentia da intromissão da irmã mais nova. Mais tarde, a irmã mais nova tomou-se uma mulher com enormes dificuldades em acreditar no que os outros lhe diziam. Tudo o que se dizia ou fazia era interpretado de maneira negativa como uma ameaça intencional a ela. Misteriosamente, ela ficou surda de um ouvido e viveu uma vida solitária e isolada.

Problemas passados não resolvidos (12ª) com meio-irmãos (3ª) impediram-na de se relacionar naturalmente com as pessoas à sua volta. Com quadraturas entre a 12ª e a 3ª, a capacidade de tomar decisões ou a habilidade de perceber perfeitamente a vida pode ser distorcida por complexos inconscientes muito arraigados. Estes precisam ser examinados e trabalhados através de uma análise consciente (3ª) de imagens e fantasias ocultas abaixo do nível superficial da psique (12ª).

Casas Cadentes


As casas cadentes (3ª, 6ª, 9ª e 12ª) são associadas com os signos mutáveis de Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes. Enquanto as casas angulares geram energia e as casas sucedentes concentram a energia, as casas cadentes distribuem e reorganizam a energia. Em cada casa cadente, nos reconsideramos, reajustamos ou reorientamos com base naquilo que vivenciamos anteriormente na casa sucedente anterior. Na 3ª Casa cadente, aprendemos mais sobre quem somos comparando e contrastando-nos com aqueles que nos cercam. À medida que as capacidades mentais se desenvolvem, entramos num mundo além dos sentidos corporais e das necessidades biológicas (2ª Casa). A 6ª Casa cadente reflete o bom ou mau uso da emanação da energia da 5ª e se ajusta de acordo com ela. As explorações interpessoais e as lutas da 8ª conduzem a reflexões da 9ª Casa em leis mais profundas e processos que governam a existência e as regras que nos emaranham. A perspectiva do ego individual já mexido pela experiência da 11ª Casa de fazer parte de um grupo ou de um sistema maior, finalmente na 12á cadente tomba de sua posição como rei da montanha.

As casas cadentes muitas vezes têm sido descritas como fracas ou insubstanciais, mas a pesquisa feita pelo casal Gauquelin sugere que posicionamentos nestas casas são mais fortes do que se acreditava antigamente. Michel Gauquelin e sua mulher Françoise, ambos psicólogos e estatísticos, estudaram a distribuição diurna dos planetas em milhares de mapas natais com hora exata. Analisaram em particular a posição dos planetas nas casas, nos mapas de determinadas profissões como atores, artistas, médicos, executivos, políticos, cientistas, soldados, campeões esportivos, escritores e outros. O resultado dessa pesquisa mostrou que os planetas naturalmente associados com cada uma destas profissões (tal como Marte para os esportistas, Saturno para os cientistas etc.) apareciam mais freqüentemente nas casas cadentes do que nas casas angulares como esperaria a astrologia tradicional. Por exemplo, Marte no mapa de esportistas famosos aparecia com mais freqüência na 12ª e na 9ª casa: isto é, imediatamente após o nascimento e a culminação superior do planeta, em vez de imediatamente antes na 1ª ou na 10ª casa. A segunda posição mais freqüente de casas de Marte entre os esportistas analisados, foi na 6ª e na 3ª casa. Mais uma vez, elas estão imediatamente após o ocaso e a culminação inferior do planeta em vez de antes na 7ª ou na 4ª casa. A conclusão tirada do seu exame é que as casas cadentes são fatores mais importantes na determinação de caráter e de carreira do que se suspeitava.

Recapitulando em poucas palavras, eles encontraram as seguintes correlações:

1. Marte apareceu com mais freqüência em casas cadentes nos mapas de médicos, líderes militares, campeões esportivos e altos executivos.

2. Júpiter apareceu com mais freqüência em casas cadentes nos mapas de atores, teatrólogos, políticos, líderes militares, altos executivos e jornalistas.

3. Saturno apareceu com mais freqüência em casas cadentes em mapas de cientistas e médicos.

4. A Lua apareceu com mais freqüência em casas cadentes nos mapas de escritores e políticos.

Um raciocínio semelhante pode ser aplicado às outras casas cadentes. A 9ª é onde procuramos a verdade e os princípios que guiarão nossas vidas. Por isso vamos ser altamente motivados a desenvolver e a dar expressão aos planetas que aí se encontram, como uma maneira de outorgar maior significado à nossa existência. Tanto a 6ª quanto a 3ª Casa descrevem nossos esforços para discernir nossa diferença dos outros. Por isso, desenvolver os planetas nessas casas é fundamental se queremos nos diferenciar inteiramente e nos definir como indivíduos separados. A ânsia de nos ligar a algo maior que o self (como foi mostrado pela 12ª e pela 9ª) e a ânsia de estabelecer e caracterizar nossas próprias identidades específicas (como foi mostrado pela 3ª e pela 6ª) são os dois princípios complementares que formam a cruz do dilema humano. Vistos por esse ângulo, os planetas nestas casas assumem grande importância.

Como no caso das quatro casas angulares e das quatro sucedentes, as quatro casas cadentes figuradamente se quadram ou se opõem. Cada uma representa uma visão de vida contrastante e um método diferente de adquirir e processar informações.

Aspectos entre as casas sucedentes

A oposição 2ª-8ª

Os conflitos aparecem entre aquilo que a pessoa possui e vale versus aquilo de que outra pessoa gosta. A 2ª Casa preserva e mantém as formas. A 8ª Casa derruba tudo para dar lugar a algo novo. Sacrificamos nossas limitações (2ª) para entrar completamente em outras (8ª). A 2ª Casa vê o valor de alguma coisa, enquanto a 8ª olha por baixo numa tentativa de encontrar significados ocultos. A 2ª Casa tende a satisfazer os apetites e as necessidades corporais, enquanto a 8ª tenta ganhar domínio sobre os processos instintivos.

A oposição 5ª-11ª

Na 5ª Casa criamos para nossa própria satisfação pessoal, tal como decorar nossa própria papelaria. Na 11ª devotamos nossa energia a algo maior que nós, tal como desenhar um poster para promover uma conferência para um grupo ao qual eventualmente pertençamos. Outro tema refere-se à nossa vontade de gerar uma criança ou uma obra artística (5ª) no mundo (11ª). Pode manifestar-se um dilema entre "aquilo que eu quero fazer" e o consenso do grupo do qual eu faço parte. Peço a eles que estejam de acordo comigo (5ª) ou aceito a opinião do grupo (11ª)?

A quadratura 2ª-5ª

Os conflitos podem ser tumultuados se os planetas na 2ª Casa estiverem em quadratura com os da 5ª. A necessidade de segurança e de uma entrada regular de dinheiro (2ª Casa), pode interferir com um tempo maior dedicado a atividades mais criativas e de recreação (5ª Casa). Inversamente, o esforçado artista ou o folgado ator (5ª) sofre muitas vezes com a falta de uma entrada de dinheiro estável (2ª). Algumas pessoas com quadraturas entre a 2ª e a 5ª derivam sua sensação de poder, valor e importância (5ª) somente através do que têm e possuem (2ª). Crianças (5ª) podem ser tratadas como posses (2ª) ou vividas como um escoadouro de recursos.

A quadratura 5ª- 8ª

Na 5ª Casa gostamos de ser vistos como pessoas brilhantes, positivas, criativas e especiais. O valor é colocado nas coisas que aumentam a alegria e a dignidade da vida. A 8ª Casa descreve os elementos mais sombrios, intensos e destrutivos ocultos na personalidade. Se tivermos essas duas casas acentuadas poderemos nos ver engajados numa cruel batalha entre forças de luz e de sombra na psique. Os tipos de crises associados à 8ª Casa podem momentaneamente romper a espontaneidade e entusiasmos de vida da 5ª Casa. Em vez de acharmos que tomamos conta de nossas vidas (5ª), podemos ser dirigidos por complexos inconscientes (8ª) a agir de formas sobre as quais tenhamos pouco controle. Uma conquista sexual poderia ser usada para afirmação de nossa auto-importância. Quadraturas entre a 5ª e a 8ª casas podem eventualmente manifestar-se em conflitos intensos com suas crianças. A criatividade pessoal (5ª) é associada com tensão emocional e frustração (8ª). Do lado positivo, períodos de renovação e higiene psicológica (8ª) libertam a força da vida para se expressar com mais pureza (5ª). A expressão criativa (5ª) pode ser um meio de aclarar as coisas de um sistema (8ª). Excessos destrutivos (8ª) podem ser romanceados (5ª), como no caso do torturado poeta francês Arthur Rimbaud, que tinha Saturno na 8ª em quadratura com Netuno na 5ª.

A quadratura 8ª-11ª

A 11ª Casa pode ter a visão de uma sociedade melhor, mas será que levou em consideração complexos muitos arraigados (8ª), em pessoas que não têm habilidade para se relacionar com outras de forma franca e objetiva? A criança zangada e carente que há em nós (8ª) pode fazer grandes estragos em nossos relacionamentos com amigos ou grupos (11ª). O reformador social com quadratura entre a 11ª e a 8ª pode ser despedido com tal convicção que quaisquer meios justificam a realização dos seus fins. Influências sexuais ocultas (8ª) podem introduzir-se numa amizade (11ª). Por fim, emoções muito fortes podem inibir a facilidade com que nos relacionamos com uma unidade maior da sociedade. É possível que apareçam conflitos entre nossos ideais humanitários, políticos e sociais (11ª) e os ideais de nosso parceiro (8ª).

A quadratura 11ª- 2ª

A 11ª Casa pode propor idéias liberais, tais como distribuição eqüitativa de bens, mas a 2ª Casa deseja ter as coisas pessoalmente e contradiz isso. A 2ª Casa precisa estabelecer fronteiras individuais certas, que entram em conflito com a ansiedade da 11ª Casa por um maior número de sócios no grupo. O idealismo da 11ª Casa não está sintonizado com a Terra, a Terra da 2ª Casa. Problemas tendem a resultar de negócios financeiros (2ª) com amigos (11ª). É possível que fiquemos extremamente empenhados (2ª) na realização de certas metas e objetivos (11ª); para isso empregaremos energia em excesso, visando sua obtenção, e tendemos a nos fixar em demasia (2ª) a estas idéias (11ª). Pensando mais positivamente, pode haver um senso prático e alguma habilidade (2ª) para realizar estas esperanças e estes desejos (11ª).

Casas Sucedentes

As forças colocadas em movimento nas casas angulares são concentradas, adornadas, utilizadas e desenvolvidas mais tarde nas casas sucedentes, a 2ª, a 5ª, a 8ª e a 11ª. Estas casas são naturalmente associadas aos signos fixos de Touro, Leão, Escorpião e Aquário que consolidam a energia que gera os signos cardeais. A 2ª Casa sucedente adiciona substância à identidade pessoal (1ª), definindo nossas posses, recursos, condições e limites. Na 5ª Casa sucedente nos afirmamos e reforçamos o sentido do "Eu" purificado da 4ª angular exprimindo quem somos e impressionando aos outros. Na atividade de relacionamento com os outros (7ª Casa angular), aumentamos nossos recursos e nos aprofundamos mais em nós mesmos (8ª sucedente). Participando da manutenção e funcionamento da sociedade (10ª angular), ampliamos o conhecimento sobre nós mesmos como seres sociais e formamos a base para expandir nosso sentido de identidade, o que nos leva a englobar maiores e mais livres limitações (11ª sucedente).

Como as casas angulares, as quatro casas sucedentes representam esferas da vida potencialmente em conflito umas com as outras.

Aspectos entre as casas angulares

A oposição da 1ª à 7ª

Alguma condição de identidade e liberdade pessoal (1ª) tem de ser sacrificada para funcionar num relacionamento (7ª). Uma oposição entre essas duas casas mostra o clássico dilema da vontade versus o amor; quanto de nossa individualidade mantemos e quanto ajustamos àquilo que os outros necessitam ou requerem. Existe o temor de que, se nos ajustamos demais, perdemos nossa própria identidade separada, mas, inversamente, se somos por demais centrados em nós mesmos e exigentes, os outros não nos amarão.


A oposição da 4ª à 10ª

Há aqui um possível conflito entre ficar em casa e participar da união da família (4ª) versus ficar longe da família a fim de seguir carreira (10ª). O homem coberto pelas responsabilidades de uma carreira não tem tempo para estar com a família ou poucos momentos tem para refletir sobre o significado mais profundo da vida. A mulher com oposições entre estas duas casas pode ver-se dividida entre o desejo de ter uma profissão e seu papel como esposa e mãe. A criança em nós (4ª) poderia entrar em conflito com o comportamento de adulto, esperado na vida profissional (10ª). O homem de negócios, por exemplo, vê-se impedido a dar um xeque-mate na frente do cliente quando a negociação pode falhar no último momento.
Nosso condicionamento infantil (4ª) influencia a nossa função mais tarde, na sociedade (10ª). É possível que tenhamos sido tão difamados quando crianças que julgamos não ter nada para oferecer à sociedade? Ou somos a criança rejeitada, determinada a mostrar a todos o nosso próprio valor no mundo? Fomos tão mimados e protegidos por nossos pais que nos falta retaguarda ou ímpeto para nos aventurar fora do lar? Essas saídas podem aparecer quando há oposições entre planetas na 4ª e na 10ª casas.


A quadratura da 1ª- 4ª

Nascemos como indivíduos separados e únicos (1ª), porém em que grau a vida no lar (4ª) sustenta ou reprime nossa individualidade florescente? Tive oportunidade de analisar o mapa de um jovem com Júpiter em Leão na 1ª quadratura com Netuno em Escorpião na 4ª, Sua espontaneidade e entusiasmo naturais (Júpiter na 1ª Casa) tinham de ser contidos a fim de não perturbar um pai doente (Netuno na 4ª). Podemos querer ser independentes e livres (1ª), mas pressões morais para que fiquemos com o que é seguro e já conhecido nos inibem (4ª).

A quadratura da 4ª-7ª

Nas quadraturas ente a 4ª e a 7ª casas, existe a probabilidade de projetar "assuntos não-resolvidos" sobre um dos pais (geralmente o pai) ou sobre o parceiro. Padrões estabelecidos no começo da vida (4ª) muitas vezes obscurecem nossa habilidade de ver claramente outras pessoas (7ª). Problemas em estabelecer um lar (4ª) com um parceiro (7ª) podem manifestar-se quando planetas nestas casas estão em quadratura entre si. A capacidade de ser objetivo e justo com outros sofre a interferência de necessidades e de complexos infantis.

A quadratura da 7ª-10ª

Os conflitos podem aparecer entre a carreira (10ª Casa) e o relacionamento (7ª Casa). Se estivermos muito ocupados seguindo uma carreira, poderemos ter menos tempo para relacionamentos íntimos. Nossa atração por um parceiro (7ª) pode ser contingente do nosso status no mundo (10ª) ou o parceiro pode ser visto como aquele que melhora nossa posição social. É possível que problemas com nossa mãe façam com que não vejamos claramente o nosso parceiro.

A quadratura da 1ª-10ª

A autodisciplina é necessária para desenvolver uma carreira (10ª Casa), e invariavelmente isso limita nossa liberdade e espontaneidade pessoal (1ª). Aquilo que a sociedade aprova e acha válido (10ª) pode impor restrições ao que somos naturalmente inclinados a fazer (1ª). Algo que a mãe representa (10ª) pode inibir a expressão do planeta que se encontra na 1ª Casa. Um homem com Vênus em Leão na 1ª quadratura com a Lua em Touro na 10ª esforça-se por ser artista (Vênus em Leão na 1ª); sua mãe, no entanto, insiste para que ele escolha uma carreira mais prática (Lua em Touro na 10ª). Muitas vezes, somos classificados somente pelo que fazemos no mundo (10ª), em vez de o ser por outras qualidades que possamos ter (1ª).

Casas Angulares

No sistema quadrante de divisão de casas, as casas angulares são as que ficam imediatamente após os quatro ângulos: a 1ª Casa começa com o Ascendente, a 4ª Casa com o Fundo-do-Céu, a 7ª com o Descendente e a 10ª com o Meio-do-Céu. No zodíaco natural, as casas angulares correspondem aos signos cardeais de Áries (equinócio de outono), de Câncer (solstício de inverno), de Libra (equinócio de primavera) e de Capricórnio (solstício de verão).* Os signos cardeais geram e desencadeiam novas energias. Do mesmo modo, as casas angulares nos estimulam para a ação e representam quatro áreas básicas de vida que têm forte impacto em nossa individualidade: identidade pessoal (1ª Casa), o lar e o ambiente familiar (4ª Casa), relacionamentos pessoais (7ª Casa) e a carreira (10ª Casa).

Os signos da cruz cardeal quadram ou se opõem figurativamente uns aos outros. Do mesmo modo, as quatro casas angulares representam quatro esferas da vida que estão potencialmente em conflito uma com a outra. A compreensão dos paradoxos e dos dilemas apresentados pelas diferentes casas angulares vai ajudar na interpretação de possíveis quadraturas e oposições que os planetas podem fazer uns aos outros nestas casas.**

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* Ocorrências no hemisfério sul.

** Quadratura é um ângulo de 90° entre dois planetas. Oposição é um ângulo de 180°. Um planeta na 1ª Casa pode ou não estar oposto a um planeta na 7ª. No entanto, se estão em oposição aparece uma tensão entre estas duas áreas de vida. Mesmo que não formem um aspecto de oposição, a resistência de uma casa pela casa oposta ainda assim pode representar um problema. O mesmo se aplica a planetas nestas casas que, figurativamente falando, quadram um com outro.




Classificação das Casas

As Casas astrológicas classificam-se de três maneiras: angulares,  sucedentes e cadentes.


Agrupando as Casas

As doze casas podem ser subdivididas e classificadas sob vários títulos. O conhecimento desses agrupamentos enriquece um entendimento do significado de cada casa e a maneira como uma casa ou esfera de vida se relaciona com outra.

Hemisférios e Quadrantes

A linha do horizonte divide o mapa num hemisfério superior (sul) e num hemisfério inferior (norte). As casas que se localizam abaixo do horizonte (da 1ª à 6ª) estão mais diretamente ligadas ao desenvolvimento do indivíduo, à identidade separada e aos requisitos básicos que a pessoa precisa para viver. São conhecidas como as casas pessoais.

As casas que ficam acima do horizonte (da 7ª à 12ª) focalizam a conexão de um indivíduo com outros num nível íntimo de pessoa para pessoa, em termos de sociedade como um todo e com relação ao resto da criação. São conhecidas como as casas coletivas (veja Figura 5).


O eixo do meridiano cruza a linha do horizonte, cortando o horizonte ao meio e gerando outra divisão na roda das casas, os quatro quadrantes (veja Figura 6).

No Quadrante I (casas 1ª à 3ª) o indivíduo começa a tomar forma como entidade distinta. Um sentido de identidade separada forma se através da diferenciação do self (1ª Casa), corpo e substância (2ª Casa) e mente (3ª Casa), saído da matriz universal de vida.

No Quadrante II (casas 4ª à 6ª) o crescimento envolve ulterior expressão e aprimoramento do self diferenciado. Na 4ª Casa formada pela educação familiar e pelas heranças ancestrais, o indivíduo molda um sentido mais convincente de sua própria identidade. Tendo isso como medida e base, o Eu tenta se externar na 5ª Casa e, mais tarde, especificar, aprimorar e aperfeiçoar sua natureza particular, suas competências e capacidades (6ª Casa).

No Quadrante III (casas 7ª à 9ª) o indivíduo expande o conhecimento através de relacionamentos com outras pessoas. Na 7ª Casa existe um encontro íntimo entre a realidade de uma pessoa e a realidade de outra. A 8ª Casa descreve a queda do ego-identidade individual através do processo de união com o outro. A conseqüente amplificação, um novo despertar e um novo visual do self é mostrado pela 9ª Casa.

No Quadrante IV (casas 10ª à 12ª) a principal preocupação é expandir ou transcender as fronteiras do self para incluir não só um outro, mas muitos outros. O papel de uma pessoa na sociedade é descrito pela 10ª Casa; várias formas de conscientização grupal são exploradas na 11ª e uma identidade espiritual do indivíduo, seu relacionamento daquilo que é maior mas que, no entanto, inclui o self, é explorado na 12ª.

Uma vez que o agrupamento de casas em quadrantes faz sentido em termos de limites lógicos criados pelo cruzamento do horizonte com o meridiano, é possível subdividir a roda de mais de uma maneira (veja Figura 7). Nas casas 1ª à 4ª, o indivíduo nasce e se torna consciente de sua própria existência, corpo, mente, ambiente e sentimentos. Esta fase estabelece um sentido de "eu aqui dentro". As casas 5ª à 8ª descrevem a vontade de exprimir e compartilhar o self autônomo com os outros: "eu aqui dentro" encontro "os outros lá fora". Nas casas 9ª à 12ª, a proposta é integração, não só com alguns poucos mas com a sociedade inteira e com o todo maior do qual fazemos parte: o desenvolvimento da realidade do "nós aqui dentro". Nesta classificação, cada fase começa com a faísca e a inspiração de uma casa de Fogo (1ª, 5ª e 9ª) indicando o nascimento de um novo nível de ser; e cada fase termina com uma casa de Água (4ª, 8ª e 12ª), descrevendo a dissolução, assimilação e transição que leva ao estágio seguinte.

As Casas como procedimento

Numa conferência intitulada "Criando uma psicologia sagrada", o psicólogo Jean Houston contou uma piada a respeito da vida de Margaret Mead. Quando criança, Margaret pediu à sua mãe que lhe ensinasse a fazer queijo. A mãe retrucou: "Sim, meu bem, mas você vai ter que ver o bezerro nascer." Desde o nascimento do bezerro até a confecção do queijo Margaret Mead aprendeu quando criança o procedimento completo, do começo para o meio e o final.

O dr. Houston lamenta que sejamos vítimas de uma "era do procedimento interrompido". Nós apertamos um botão e o mundo se põe a girar. Sabemos um pouco a respeito do inicio das coisas, um pouco do final das coisas mas não temos idéia alguma do meio. Perdemos o sentido do ritmo natural da vida.

Nossa cultura atual é intoleravelmente desequilibrada. Antes do século XVI, o enfoque dominante era orgânico. As pessoas viviam junto à natureza em pequenos grupos sociais e conheciam suas próprias necessidades como subordinadas às da comunidade. A ciência natural baseava-se na razão e na fé, e o material e o espiritual estavam inextricavelmente ligados. Durante o século XVII, este enfoque mudou dramaticamente. O sentido de um universo orgânico e espiritual foi substituído por uma noção diferente: o mundo como uma máquina que funciona à base de leis mecânicas e que poderia ser explicado em termos de movimento e encaixe das diversas partes. A terra não era mais a Mãe Grande, sensível e viva mas um mecanismo reduzido a engrenagens e peças como um relógio. O famoso pensamento de Descartes - Cogito, ergo sum, penso, logo existo - provocou uma nítida divisão entre a matéria e a mente. As pessoas passaram a se interessar mais por seu intelecto, deixando o corpo em segundo plano. Fragmentação tornou-se a regra do dia e continua a reinar apesar de os sábios do século XX demonstrarem que relacionamento é tudo, e que nada pode ser entendido isolado de seu contexto.

Ironicamente, a astrologia, o estudo dos ciclos e dos movimentos da natureza, também perdeu seu sentido de procedimento e seu sentimento da integridade orgânica da vida. A visão mecanizada do mundo levou à crença de que a natureza poderia e deveria ser controlada, dominada e explorada. Do mesmo modo, a astrologia chegou a enfatizar a predição e os resultados, em detrimento de uma compreensão do significado mais profundo das coisas. As casas eram descritas por meio de palavras-chave e significados que as faziam parecer não relacionadas umas às outras ou apenas debilmente interligadas. Por que a 2ª Casa, a do "dinheiro, ganhos e posses", é seguida da 3ª Casa, da "mente, meio ambiente, irmãos"? Por que a 6ª Casa, a do "trabalho, saúde e pequenos animais", é gerada pela 5ª Casa da "auto-expressão criativa, hobbies e diversões"? Certamente como o verão segue a primavera e o dia se torna noite, deve haver alguma razão fundamental pela qual uma casa leva à seguinte.

As casas não são separadas, isoladas, apenas segmentos de vida. Concebidas em sua totalidade elas desdobram um processo de maior significado - a história do aparecimento e do desenvolvimento de um ser humano. Começando do nascimento no Ascendente, não temos consciência de nós mesmos como distintos de qualquer outra coisa. Gradualmente, casa por casa, através de uma série de passos, fases, danças e mudanças, construímos uma identidade que pode afinal se expandir para incluir toda a criação. Emergimos de um mar amorfo, tomamos forma e imergimos novamente. Somente apreciado como processo de desdobramento, tanto a vida como as casas preenchem seu significado essencial. Este processo baseia-se no mais profundo da experiência humana. A divisão é só uma parte do ciclo completo e, no entanto, nos prendemos dentro dela. Mas a totalidade é tudo.

As Casas e os Campos de Experiência

Em muitos livros, a cada casa geralmente se atribui um campo de experiência que descreve uma certa disposição de circunstâncias na vida de uma pessoa. Por exemplo, um significado tradicional da 4ª Casa é "o lar", da 9ª Casa é "viagens longas" e uma das áreas cobertas pela 12ª Casa são as "instituições". Os textos nos dizem que se queremos saber como é a vida de uma pessoa em seu lar, temos de examinar a 4ª Casa desta pessoa. Se queremos saber o que vai acontecer a uma pessoa numa viagem longa precisamos analisar a 9ª Casa e se quisermos descobrir como uma pessoa vai passar em hospitais ou prisões temos de considerar os posicionamentos na 12ª Casa. Embora muitas vezes correta, esta maneira de interpretar as casas é simplória, aborrecida e não ajuda em nada. O significado primordial de uma casa tem de ser compreendido - o significado mais profundo do qual saltam todas as inumeráveis associações e possibilidades ligadas a esta casa. A referência à 4ª Casa como casa "do lar" tem uma razão e esta razão deve ser entendida. A 9ª Casa é associada a "grandes viagens" porque o fato de viajar é um dos processos mais comuns associados à vivência da 9ª Casa. "Hospitais e prisões" marcam pouco a superfície da 12ª Casa.

Planetas e signos numa casa revelam bem mais do que "o que nos aguarda lá fora". Posicionamentos numa casa descrevem uma paisagem interior - as imagens inatas que carregamos e que são então "projetadas" nesta esfera. Nós filtramos o que está acontecendo no exterior através das lentes subjetivas do(s) signo(s) ou planeta(s) numa casa. Se Plutão está na 4ª Casa, mesmo que alguém faça algo "bacana" para nós em nosso lar isto pode ser sentido como perigoso, clandestino e ameaçador. Porém, o mais importante é que os signos e planetas nas casas sugerem a melhor maneira e a forma mais natural pela qual "deveríamos" conhecer esta área da vida a fim de desdobrar e realizar nossas potencialidades inerentes. Como escreve Dane Rudhyar, "cada casa de nosso mapa simboliza um aspecto especial de (nosso) dharma".

O Zodíaco Natural

Uma vez que as casas são determinadas pela linha do horizonte (onde o céu e a Terra se encontram), elas ligam as atividades e as energias simbolizadas pelos planetas nos signos (os eventos celestes) à vida na Terra (eventos terrestres). Em outras palavras, as casas mostram áreas específicas da experiência do dia-a-dia através das quais se manifestam os efeitos dos signos e dos planetas. Cada uma das doze casas representa um departamento diferente da vida - uma fase especial daquilo que Rudhyar chama de "o espectro da experiência".

Continuamos, porém, com o problema de atribuir significado às diversas casas. Em geral, o significado de cada casa reflete o significado dos doze signos do zodíaco: Áries é considerado semelhante à lª Casa. Touro é considerado semelhante à 2ª Casa e assim por diante até o final quando encontramos a conexão de Peixes com a 12ª Casa. No que chamamos de Zodíaco natural (ver Figura 4), o primeiro grau de Áries é colocado no Ascendente, o primeiro grau de Touro é colocado na cúspide da 2ª Casa, o primeiro grau de Gêmeos é colocado na cúspide da 3ª Casa, e assim por diante. O Zodíaco Natural é simbólico, e seu propósito principal é ajudar o estudante a conseguir uma compreensão mais profunda do significado das casas. Na prática atual, as casas no mapa de uma Pessoa quase nunca se encontram em tal correspondência exata com os signos como no zodíaco natural.


A ligação de 0º de Áries com o Ascendente tem sentido pois tanto Áries quanto o Ascendente (cúspide da lá Casa) são pontos iniciais de seus respectivos ciclos. O ciclo anual do movimento aparente do Sol ao redor da Terra começa em 0º de Áries - o ponto de encontro do equador celeste com a eclíptica no Equinócio da Primavera (hemisfério norte). O ciclo diário do Sol através das casas tem início simbolicamente no Ascendente - o ponto em que o horizonte do observador da Terra encontra a eclíptica. Uma vez que tanto Áries quanto Ascendente implicam em inícios, é compreensível que ambos compartilhem significados similares. Áries é um signo que implica em "iniciação" (começo), novas partidas e o primeiro impulso para agir. O Ascendente e a lª Casa são associados com o nascimento e a maneira como encaramos a vida. O regente de Áries, Marte, também mostra energia inicial, o querer e a pressa em causar um impacto no ambiente.

Zipporah Dobyns em seu Livro de consultas do astrólogos descreve a astrologia como uma linguagem simbólica na qual os signos, planetas e casas formam o alfabeto. Ela acha que a astrologia representa doze maneiras de ser no mundo, ou então, os doze lados da vida. Esses doze aspectos da totalidade da vida podem ser escritos de maneiras diferentes como no alfabeto, onde temos as letras maiúsculas, as minúsculas e as itálicas. Os signos simbolizam uma forma das letras do alfabeto, os planetas outra, e as casas outra mais. Signos, planetas e casas, em outras palavras, representam maneiras diferentes pelas quais os doze princípios básicos podem ser expressos. Mais especificamente, Áries, Marte e a lª Casa representam uma letra; Touro, Vênus e a 2ª Casa, outra; Gêmeos, Mercúrio e a 3ª Casa uma terceira, e assim por diante. É preciso lembrar, no entanto, que qualquer planeta ou signo pode estar localizado em qualquer casa, dependendo da hora exata, local e data do nascimento. Por este motivo, os fatores simbolizados por um signo, planeta ou casa se acham misturados.

A Divisão dos Quatro Ângulos nas Doze Casas

Enquanto a determinação dos ângulos não apresenta muitos problemas, o modo como os quatro ângulos deveriam (ou não) ser divididos em três setores para formar as doze casas é uma das maiores controvérsias na astrologia.

Em termos gerais, parece haver concordância de que a linha do horizonte - o eixo Ascendente-Descendente - é a base sobre a qual deve se basear a divisão de uma carta em casas. Em outras palavras, a maioria dos astrólogos concorda em que o Ascendente deveria marcar a cúspide ou ponto inicial (ou ângulo principal) da 1ª Casa e o Descendente deveria marcar a cúspide ou ponto inicial da 7ª Casa. Isso feito, os astrólogos se dispersam em todas as direções. Aqueles que apóiam o Sistema de Casas Iguais de divisão de casas apresentam a solução menos complicada. Chamando o Ascendente de "cúspide da 1ª Casa", eles simplesmente dividem a eclíptica em doze casas de igual tamanho, com 30º cada uma. Assim, se o Ascendente estiver a 13º de Câncer, a 2ª Casa estaria a 13º de Leão, a 3ª Casa a 13º de Virgem etc. No caso de cartas com Casas Iguais, o Meio-do-Céu não coincide necessariamente com qualquer cúspide de casa.

No entanto, no sistema Quadrante de divisão de casa, todos os quatro pontos dos ângulos correspondem a cúspides de casas: o Ascendente se toma a cúspide da 1ª Casa, o Fundo-do-Céu é a cúspide da 4ª Casa, o Descendente é a cúspide da 7ª Casa e o Meio-do-Céu é a cúspide da 10ª Casa. Mas a maneira como deveriam ser calculadas as cúspides das casas intermediárias (isto é, as cúspides da 2ª, 3ª, 5ª, 6ª, 8ª, 9ª, l1ª e 12ª casas) provoca uma série de perguntas. Em alguns desses sistemas, o espaço é dividido para determinar estas cúspides; em outros, o tempo é o fator sobre o qual se faz a divisão. Uma mais ampla discussão deste item de divisão de casas está incluído no Apêndice 2. Pessoalmente, e por razões que explico no Apêndice, prefiro o sistema Quadrante ao de Casas Iguais e pelo que me proponho neste livro, relaciono geralmente a cúspide da 10ª Casa ao Meio-do-Céu e a cúspide da 4ª Casa ao Fundo-do-Céu.

Seja qual for o sistema que escolhermos, o que queremos é chegar às doze casas. Por que doze? A razão mais óbvia para isso é que os astrólogos acreditavam que a divisão da esfera mundana em doze casas deveria refletir a divisão da eclíptica em doze signos. Rudhyar nos oferece uma resposta mais filosófica. Ele argumenta que cada quarto da carta (como definido pelo Ascendente, Fundo-do-Céu, Descendente e Meio-do-Céu) deveria ser dividido em três casas porque "qualquer ato da vida é basicamente dividido em três (tríplice), inclusive a ação, a reação e o resultado dos dois". Em sua opinião, então, a 2ª e a 3ª casas confirmam o significado do Ascendente e da lª Casa; a 5ª e 6ª casas completam aquilo que se iniciou no Fundo-do-Céu e na 4ª Casa; a 8ª e 9ª casas continuam aquilo que começou no Descendente e na 7ª Casa; e a 11ª e 12ª casas complementam aquilo que se iniciou no Meio-do-Céu e na 10ª Casa. Além de justificar a necessidade das doze casas, a maneira de raciocinar de Rudhyar nos ajuda a avaliar o fato de que o significado e a importância de cada casa provém logicamente da anterior. Mais adiante vamos falar mais a respeito do processo cíclico das casas.

As casas são tradicionalmente contadas no sentido anti-horário a partir do Ascendente. A 1ª e a 7ª casas estão sempre opostas uma à outra - isso quer dizer que o signo que estiver na cúspide da 7ª Casa será o signo oposto àquele que está na cúspide da lª Casa, e o grau da cúspide também será o mesmo. Esta mesma regra se aplica aos outros pares de casas opostas: a 2ª e a 8ª, a 3ª e a 9ª, a 4ª e a l0ª, a 5ª e a 11ª, a 6ª e a 12ª.

Martin Freeman faz a relação entre os signos do zodíaco e a divisão em doze partes das casas mais claras pintando o zodíaco como uma "grande roda que envolve a Terra e pela faixa da qual se movem os planetas". Esta roda é focada contra um fundo de céu, e os signos são marcados dentro dos raios. As doze casas são como os "raios de uma roda que gira sobreposta a uma roda maior". Os raios das casas fazem um círculo completo em 24 horas alinhados com à rotação diária da Terra. A maneira especial pela qual a roda das casas se relaciona com a roda do zodíaco no lugar e na hora do nascimento é o que torna o mapa único para cada indivíduo.

Uma vez que a Tema faz um movimento de rotação a cada 24 horas, os doze signos e os dez planetas passam através das doze casas neste período. O mapa de nascimento é um momento congelado no tempo que mostra o alinhamento especial de planetas, signos e casas para o tempo e o lugar do nascimento. Duas pessoas podem ter nascido no mesmo dia e ter o mesmo posicionamento de planetas, mas por terem nascido em lugares diferentes ou em horas diferentes, o padrão planetário vai ser visto numa área diferente do céu, isto é, em casas diferentes.

Até agora, dividimos o espaço em signos, o tempo em quatro quadrantes e os quatro quadrantes em doze casas. Chega de dividir, por enquanto. É tempo. de dar um significado às casas e considerar as relações de uma com a outra e com as nossas vidas.

A Divisão da Carta em Ângulos


Para entender as casas é imprescindível lembrar que estamos considerando dois tipos de movimentos: o da Terra e dos outros planetas ao redor do Sol, e também o da Terra sobre seu eixo. A divisão da esfera mundana que eventualmente se tornou conhecida como as casas surgiu da necessidade de se relacionar a rotação axial da Terra com o movimento dos planetas no céu. Enquanto os signos são subdivisões da aparente revolução do Sol, da Lua e dos planetas ao redor da Terra, as casas são subdivisões da rotação diurna (diária) da Terra sobre seu próprio eixo.

Em As casas astrológicas, Dane Rudhyar desenvolve a idéia de Cyril Fagan de que aquilo a que hoje nos referimos como casas eram originalmente períodos de tempo chamados "relógios". Os relógios baseavam-se no movimento do Sol em seu nascimento a leste, passando sobre a cabeça do observador e se pondo a oeste. Cada relógio cobria aproximadamente seis horas de tempo, mareando os pontos de nascimento, meio-dia, pôr-do-sol e meia-noite. Com o advento da Renascença, os astrólogos inventaram diversos métodos para dividir estes relógios nas doze casas do horóscopo. Mais tarde, desenvolveram uma correspondência entre os vários tipos de atividades humanas e os diversos relógios ou casas. Deste modo, as casas se tornaram o quadro de referência através do qual as potencialidades da combinação de planeta com signo podiam ser relacionadas com os atuais acontecimentos e conceitos de vida. Sem a estrutura das casas, os astrólogos não podem trazer para a Terra o significado dos eventos celestes. É fácil ir dos quatro relógios para os quatro pontos da carta chamados de ângulos (ver Figura 3). Do ponto de vista da posição de um observador na Terra, a qualquer hora do dia um certo signo será visto elevando-se no leste, enquanto seu signo oposto (a 180º de distância) será visto se pondo a oeste. O grau que o signo ocupa no ponto mais ocidental do céu é chamado de o grau ascendente, e o signo no qual se encontra é chamado de Ascendente ou signo ascendente. Astronomicamente, o Ascendente marca a intersecção da eclíptica com o horizonte do observador. Isto significa que é o encontro do céu com a Terra. O ponto oposto ao Ascendente é o descendente, o signo que se põe a oeste. A linha que liga o Ascendente ao Descendente é chamada de eixo do horizonte.



Do mesmo modo, a qualquer hora do dia para um observador na Terra, determinado grau de certo signo estará culminando no meridiano superior, o ponto ao sul do local em questão. Ele é chamado de meio-do-céu ou MC, uma abreviação do termo latino Médium Coeli, - o meio dos céus. O ponto oposto ao Meio-do-Céu é chamado de Imum Coeli ou IC, uma abreviação de fundo-do-céu. A linha que liga o Meio-do-Céu com o Fundo-do-Céu é chamada de eixo do meridiano.

Esses quatro pontos são determinados astronomicamente. Chamados coletivamente de os ângulos, os signos que se encontram nestes pontos revelam muito a respeito da orientação do indivíduo às experiências básicas na vida. Seu significado é discutido com maiores detalhes nos próximos capítulos. A intersecção do eixo do horizonte com o eixo do meridiano estabelece os quatro quadrantes da carta. Devido à inclinação da Terra, o tamanho dos quadrantes que se originam desta subdivisão raramente é igual, variando de acordo com a latitude e a época do ano do nascimento.

A Divisão do Tempo

A palavra "horóscopo" vem da palavra grega horoscopus, que significa "consideração da hora" ou "consideração do grau ascendente". Em outras palavras, o horóscopo é literalmente um "mapa do tempo". Dividindo o espaço do céu em signos, os antigos astrólogos eram capazes de posicionar os planetas no céu, mas logo perceberam que tinham necessidade de mais alguma coisa: um quadro de referência que ligasse o modelo planetário a uma determinada pessoa nascida a certa hora e em certo lugar.

Além do movimento causado pela aparente revolução do Sol, da Lua e dos planetas em torno da Terra, existe ainda outro tipo de movimento que o horóscopo tem de levar em consideração: A rotação diária da Terra em torno de seu próprio eixo. Os antigos astrólogos precisaram encontrar um meio de relacionar o fenômeno celeste dos planetas que se movem através dos signos com o fenômeno terrestre da rotação diária da Terra em seu próprio eixo.

A maneira mais óbvia de fazê-lo foi dividir a rotação de 24 horas da Terra em setores baseados no tempo que o Sol levou para se movimentar de sua posição ao nascer até sua posição ao meio-dia, e desse ponto ao meio-dia até o ponto de se pôr, e assim por diante. Uma vez que em certas 'épocas do ano o Sol levaria mais tempo acima do horizonte, as divisões não seriam sempre iguais.

Martin Freeman em seu livro Como interpretar uma carta de nascimentos ajuda os estudantes iniciantes em astrologia a conceituar o tipo de movimento causado pela rotação da Terra. Ele sugere que imaginemos um dia no começo da primavera. Do ponto de vista da Terra, o Sol no início da primavera localiza-se na parte do Cinturão Zodiacal conhecido como Áries (no hemisfério norte). No nascimento do Sol do dia em questão, o Sol e o signo de Áries vão ser vistos aparecendo no horizonte leste do observador na Terra. Ao meio-dia, no entanto, nem o Sol nem Áries estarão mais a leste eles passaram para uma posição mais ou menos acima da cabeça do observador, e um signo diferente, provavelmente Câncer, está no horizonte leste. Mas na hora de se pôr, tanto o Sol como Áries podem ser vistos se pondo no horizonte oeste, e o signo oposto de Libra (distante 180º de Áries) estará se elevando no horizonte leste. Ao nascer do Sol no dia seguinte, o Sol e Áries podem ser vistos novamente a leste, mas o Sol estará 1º mais à frente dentro do signo de Áries. Assim, devido à rotação diária da Terra em seu eixo, a posição dos signos (e dos planetas que neles se encontram) muda em relação ao horizonte.

Espaço - Tempo - Limites

A Divisão do Espaço

Não imposta quão casual o universo às vezes possa parecer; ele é, no entanto, claramente organizado. Cíclicos e previsíveis, os corpos celestes tentam manter seus caminhos e ater-se a seus próprios movimentos. Talvez com o intuito de atribuir um significado e uma ordem a suas vidas, nossos ancestrais humanos observaram uma relação entre os eventos celestes (os movimentos do Sol, da Lua e dos planetas) e a vida na Terra. Faltava-lhes, porém, uma estrutura de referência na qual pudessem se basear para planejar e marcar as posições destas luzes que se movem no céu. Para conseguir isso o espaço foi dividido em diversos setores, sendo então classificado.

Os astrólogos modernos enfrentam o mesmo problema: como dividir o espaço para criar uma estrutura de referência pela qual se possa identificar as posições dos corpos celestes. Isso ocorre de um ponto de vista geocêntrico de tal maneira que o Sol, a Lua e os planetas parecem mover-se num amplo espaço circular ao redor da Terra. Este espaço estende-se por mais ou menos 8 ou 9 graus de cada lado do que é conhecido como eclíptica - o caminho aparente do Sol ao redor da Terra -, e é chamado de Cinturão Zodiacal. A eclíptica é então dividida em doze signos de 30° cada, começando com 0° de Áries, o ponto em que o caminho do Sol cruza o Equador Celeste (o equador da Terra projetado no espaço) no Equinócio da Primavera. Neste sentido, os signos do Zodíaco (Áries, Touro, Gêmeos etc.)* são subdivisões da eclíptica, o aparente movimento anual do Sol ao redor da Terra (ver Figura 1). As posições dos planetas são colocadas dentro (contra) destas divisões da eclíptica, mostrando em que signo cada um dos planetas está passando a cada dia do ano (ver Figura 2).

* Os signos levam os mesmos nomes que as constelações; mas, devido ao fenômeno conhecido como a precessão dos equinócios, os signos e as constelações não coincidem mais.


Os planetas, cada um com sua velocidade, passam continuamente através dos diversos signos. O Sol leva cerca de um mês para passar através de um signo e praticamente um ano para fazer o círculo completo de todos os signos através da eclíptica. A Lua leva cerca de dois dias e meio em cada signo e precisa de 27 dias e 1/3 para atravessar todos os doze signos. Urano leva aproximadamente 7 anos para passar num signo e praticamente 84 anos para completar um círculo... um planeta descreve uma determinada espécie de atividade que se expressa de acordo com a natureza do signo em que se encontra.