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Outras considerações

A Lua em Leão é uma Lua negadora?

No princípio, todo o mecanismo lunar o é. Veremos que a Lua em Escorpião não o parece em absoluto e que não nega nada... exceto seu próprio mecanismo. Agora bem, toda Lua em fogo, no princípio é sempre negadora no sentido de que sua segurança se relaciona com a sensação de muita integridade e força pessoal, de modo que lhe é difícil descobrir a si mesma em seu lado escuro. Por exemplo, a Lua em Áries sempre se garante através da iniciativa fazendo e fazendo, adquirindo assim sua segurança.

Mas querer descodificar que o mesmo que a leva a sentir-se plena e cheia de energia é algo defensivo, que surge de uma profunda insegurança, requer um grande trabalho sobre si, porque a primeira sensação é ficar sem potência. Uma mínima mancha apaga a imaginação do fogo, é muito mais fácil entregar-se a sensação de que os demais estão equivocados e voltar assim a lançar a própria energia sobre o mundo, ainda que este seja muito infantil.

Parece que de um ponto de vista, é melhor para o equilíbrio da Lua em Leão ter Saturno na 5ª casa...

Lamentavelmente, peço para não acreditar que o  que no cosmos está em equilíbrio, também esteja na psique. É provável que as experiências contraditórias associadas à esta estrutura criem fraturas internas e dualidades que retardarão por muito tempo toda integração. Uma pessoa com a Lua em Leão e Saturno na 5ª casa pode ter que desenvolver, por um lado, um lugar onde se experimenta como centro e, por outro, um lugar onde se sente completamente abandonada. Assim, esta pessoa estará oscilando entre um pólo e outro em vez de integrá-los, e quem sabe leve muitos anos para dissolver essa polarização. Seria muito maduro dar-se conta rapidamente de que, na verdade, “nem me abandonam, nem me adoram, simplesmente me querem” Queremos fazer identidade nas marcas lunares e teremos que viver o resto de nossa estrutura a partir dali, mas no fundo é um imaginário que não encontrará jamais a segurança que deseja. Neste caso, com a Lua em Leão se relaciona uma sensação de identidade muito forte desde o momento do nascimento, isto pode obstruir o encontro com níveis de identidade mais profundos. É possível que, quanto mais complexa seja a estrutura natal, mais tentada se sinta de refugiar-se em sua Lua em Leão, já que não registra uma identidade segura em outros lugares, pelo menos a encontrará ali.

Gostaria de voltar um pouco para o assunto da astrologia e da psicologia, no tratamento de uma Lua. Falei várias vezes que antes da matriz psicológica está a energética. Se isso é assim, só olhando desta maneira as Luas, estaríamos questionando vários princípios de nossa cultura ocidental.

A grande dificuldade de toda esta visão. Digamos, que somos identidades separadas, com um mundo interno próprio; e que já não temos nenhuma razão estrutural com a totalidade que nos rodeia. O ponto de partida da astrologia é o inverso; somos diferenças de uma unidade e, em conseqüência, estamos profundamente ligados com tudo que acontece “fora” de nós.

Proponho que, a medida que apareçam necessidades de “explicarmos” tudo isto, o tomemos como momento indispensável para achar respostas, mas nunca como definitivas. Estamos diante de um processo muito complexo e ainda não somos suficientemente sensíveis para reflexões em nós mesmos e assim compreendê-las. Estas explicações são inevitavelmente parciais e  irão constituindo-se a si próprias, porque há algo atrás delas que está além das palavras.

Na visão astrológica, a meu modo de ver, está muito distante por nosso contexto cultural e possivelmente nos atrase tanto hoje em dia, porque nosso ser mais profundo necessita compensar a crença no qual os seres humanos sentem-se “o centro do universo”. Mas que nos atraia não quer dizer que a compreendemos. Por isso, dizemos, que por hora não estão demais estas interpretações basicamente psicológicas, mas tenhamos em conta que estas são parciais e provisórias.

Os símbolos astrológicos falam de uma totalidade, não só da estrutura psíquica como também com respeito aos mecanismos aos acontecimentos de nossa existência. A astrologia consiste em pôr um espelho para poder perceber toda a estrutura da vida, mas isso implica interpretar ou dizer à alguém “és assim”. Acredito que a astrologia é sensibilidade, percepção, é uma visão, mas a medida que entramos em uma descodificação mais profunda de seus símbolos, a tentação de nós apropriarmos deles em nossa imagem e semelhança se faz cada vez maior. É comum que - quando começamos a ver estes mecanismos lunares, por exemplo - queiramos sair correndo e dizer a nossos amigos com a Lua em Câncer ou Leão à que se deve certa conduta ou reação. Em minha opinião, a melhor maneira de relacionarmos isso é ter presente que estamos diante de um mistério profundo que nos excede e que não terminamos de compreender. Mas que, de todo jeito, estamos nadando neste rio.

Se o diálogo com a outra pessoa se instala através de uma atitude de referência, de noção da índole da linguagem sagrada que estamos aprendendo a comunicar, então surgirá outra qualidade e a interação será muito mais frutífera. Mas essa qualidade não se pode transmitir e muito menos “explicar”, só se pode acreditar nas condições para que se produza.

Talentos da Lua em Leão

Ao nascer com esta Lua, a pessoa recebeu a marca de ser um indivíduo no princípio mesmo de sua vida - ou em sua memória energética - e isto pode ser insolúvel. Esta marca outorga uma forte sensação de dignidade pessoal que lhes permite plantar-se com solidez diante dos atos da vida.

De alguma maneira, certas patologias ou dificuldades de interação psíquica resultam quase impossível com esta Lua. De pronto é muito difícil avassalar uma Lua em Leão porque estas pessoas tem um sentido de dignidade que lhes evita ser maltratadas facilmente. No princípio, poderiam ver que é mais fácil passar por cima de uma pessoa com o Sol em Leão que fazê-lo com alguém com a Lua em Leão porque esta reage de imediato, impondo suas condições para os demais para permanecer na situação.

Esta qualidade pode dar um talento para organização e direção muito grande, , muita decisão e, sobre tudo, uma evidente capacidade expressiva. Por isso, esta é uma Lua comum em artistas, mas haverá que discernir aqui entre a capacidade expressiva e as tentativas desesperadas para chamar a atenção. Ao transcender o imaginário infantil e desenvolver o traço de expor-se, surge uma capacidade espontânea para exteriorizar o sentimento criativo e chegar ao coração dos demais. Como podem ver, isto é quase o inverso da pessoa altiva e irritante que se instala em sua superioridade imaginária. Na realidade, é só questão de quebrar a forte dependência emocional até a aprovação dos demais, para que surja neles uma liberdade expressiva e gasosa, totalmente independente do reconhecimento.

Como se desarma este mecanismo?

Com o mecanismo lunar só se pode trabalhar quando a pessoa se compromete ativamente a fazê-lo sobre si mesma. Tenhamos em conta que é a parte mais regressiva de uma, a parte mais incontrolável que, de pronto, atua contra nós. É preciso um grande compromisso para querer ver estes lugares tão infantis e regressivos e atrever-se a descobrir que, na realidade, o que consideramos atributos são em grande medida comportamentos que surgem da insegurança e que constantemente estamos imaginado contextos que são reais. Ser surpreendido no próprio mecanismo lunar implica numa grande nudez, porque se trata de uma intimidade que se desvela. É muito provável que uma Lua em Leão se ofenda a escutar tudo isso e diga que estou exagerando. É certo que estou sublinhando com traços grossos uma série de condutas para que sejam associadas e se façam inteligíveis. Mas ainda num nível mais sutil todo o hábito lunar remete ao isolamento, no sentido que são as capas mais superficiais da própria identidade as que o satisfazem. Imaginem um Sol em Peixes ou em Virgem com a Lua em Leão: a presença do mecanismo lunar pode impedir que se manifestem por muito tempo as qualidades de entrega e colaboração que realmente caracterizam estas pessoas. Em todos os casos há um nível de síntese possível das demais energias com as da lua; mas enquanto dure a identificação, os níveis mais profundos ficarão ofuscados pelos hábitos lunares e não poderão expressar-se com toda a sua potência e criatividade.

Tudo isso indicaria que na Lua em Leão não há uma verdadeira base afetiva?

Não, podem haver feridas e carências mas não precisamente na base e sim produzidas pelo contraste entre esta e as experiências posteriores, ou seja, pelo desenvolvimento do resto da carta. Na realidade pode haver um piso afetivo bastante sólido já que, na primeira infância, esta pessoa foi seguramente muito querida e muito importante para alguém. Isto é algo que dá “um lugar no mundo”, no sentido de que não se trata de alguém “arrasado” afetivamente ou com algum vazio emocional difícil de reparar na sua própria base, como muitas vezes acontece com a Lua em Capricórnio ou em Aquário, nas quais está em jogo um núcleo muito mais carente. Pelo contrário, na Lua em Leão não há tal carência e sim, abundância de afeto no nascimento. O perigo reside em que a pessoa pretende a mesma abundância ligada a sensação de importância durante toda a vida. Isto é o mecanismo desta Lua e por isso o reconhecimento que receba - ainda que receba afetivamente e grandes quantidades - sempre podem parecer-lhe insuficientes.

Para que veja qual é o jogo emocional e onde se produz a marca dolorosa, vou dar um exemplo que é quase literal: o pai de uma criança com a Lua em Leão saiu a caminhar com sua filha por um campo, tirando-lhe várias fotografias; é típico que os pais destas pessoas tenham vários álbuns com fotos, vídeos e gravações de seus filhos. Durante toda a tarde até que, de pronto, o pai registrou que o sol estava se pondo em um acaso maravilhoso, de maneira que desviou a câmara para registrar esse instante” os gritos indignados da filha foram inacreditáveis! E não se acalmou até ele voltou a tirar-lhe fotos com o Sol “simplesmente” atrás dela. Este é um exemplo claro, porque fatos desse tipo, seguramente, ficarão presentes no destino destas pessoas já adultas. Muitas vezes se darão conta que o “foco da atenção” passou a ser algum “sol” e a tendência será repetir a mesma birra até que aflore seu lado mais maduro, ainda que muitas vezes este aparece demasiadamente tarde.

Mas, na realidade essas pessoas vão sentir sempre que deixam de ser o centro.

Este é o ponto pelo qual está é uma “Lua sofredora”... Ou se descobre o mecanismo lunar e o trabalha, ou para essas pessoas nunca haverá segurança suficiente para emergir do pequeno mundo em que se sente importante e admirada.

Também é possível que a identificação tivera lugar por rechaço, é dizer, através de uma matriz “materna” tão potente e alienante na infância que levou a pessoa a polarizar-se - do ponto de vista psicológico - no oposto daquilo que a mãe amava.

Geralmente aqui a mãe é vista como uma rainha insuportável que não dá lugar a seu filho e diante do qual se sente totalmente desvalorizado. Com um olhar atento é possível verificar como condição do afeto e de segurança. Não poder alcançar essa posição gera uma grande insegurança que, de todo modo, pode ser criativa e desafiante. É muito comum que estas pessoas projetem com força seu desejo de ser querido através da posição central que observam em outros, criticando-os com dureza e sentindo-se acima deles com esta atitude. Em geral, realizam um duplo movimento em relação as pessoas que ocupam lugares importantes. Primeiro buscarão ser “elogiados”, para recriar assim o contexto próprio de sua infância; inclusive acreditaram que são especiais para essa pessoa, num nível puramente subjetivo. Mas se isso não é possível ou se produz algum desejo, projetarão sua sombra sobre as mesmas pessoas, mostrando-se muito críticos em relação à elas.

Ações afetivizadas, reações, mecanismos.

Se a Lua em Leão estivesse maduramente integrada ao resto da carta natal, dali podiam surgir outros recursos para reconstruir as situações temidas. Mas em tanto hábito inconsciente, a pessoa não sabe o que fazer, salvo mostrar-se orgulhosa e - como a ausência de resposta positiva a isto, aumenta a sua insegurança - se incrementa o correspondente comportamento altivo para conjugá-la. Impõe-se aqui, o mecanismo em que ele é o “príncipe”, para seguir sendo-o, decide que está rodeado por “torpes plebeus” incapazes de reconhecer quem ele realmente é. Assim, o mecanismo de defesa da Lua em Leão a leva “a colocar o nariz à 45”. Ou seja, maximizar seu orgulho até chegar ao desprezo. Isto, gera irritação nos demais, para quem é impossível compreender que na realidade se trata de uma pessoa assustada, insegura e necessitada de afeto, que expressa isto de uma maneira absolutamente paradoxal. Geralmente, não é muito difícil compreender alguém nos momentos em que se encontra atrapalhado por seus condicionamentos.

A indiferença pode lhes ser, por tanto, altamente ofensiva.

Sim, a ofensa se produz simplesmente se o outro não se dá conta imediatamente que ele - ou ela - está ali. Tentem imaginar o que acontecerá com Madona, que tem por hábito emocional - e podemos dizer inclusive corporal de ter todos os olhares e as atenções dos demais, se de pronto não fora reconhecida por ninguém quando anda na rua. Provavelmente se lado mais maduro se sentirá aliviado, mas seu hábito a faria sentir-se em uma situação desconhecida. Vai se sentir obrigada a apelar a outros recursos e não simplesmente ao que fica instalado em “Hei, sou eu, Madona... como é possível que não reconheçam!”. Exatamente isto acontece com a Lua em Leão e quero dizer através do exemplo que o central aqui é o hábito. Há uma sensação recorrente de centralização, se organizando - como em toda a Lua - uma sensorialidade que implica afeto e corporalidade em uma síntese, que se sente segura e relaxada somente se confirmam essas sensações. Por isso, nesta ou em qualquer outra Lua, dependemos inconscientemente dessas vivências e sua ausência ativa os comportamentos associados com a geração das mesmas. Esta ausência provocadora de respostas automáticas é toda a questão e isso pode levar, em um limite, a uma atividade exasperada e quase frenética do mecanismo. Isto se observa tanto na briga da Lua em Áries como no apego taurino, na racionalização geminiana ou, neste caso, na altivez leonina.

Esta Lua pode compreender quais são suas necessidade afetivas?

Aqui reside precisamente o perigo. A Lua em Gêmeos se dispõe a ler um livro enquanto a situação se complica, ou se lança a fazer várias coisas de uma vez para tranqüilizar-se, quando na verdade está incendiando sua casa. O mecanismo lunar gera comportamentos que nos distanciam cada vez mais da realidade da situação e de nossas verdadeiras necessidades. O comportamento da Lua em Câncer é arquetípico: em fechar-se sobre si mesma e não olhar acreditando que assim se resolvem as situações difíceis. Toda a Lua, no nível do mecanismo, se fecha sobre si mesma e não olha: no comportamento ativo de uma Lua em Leão a pessoa é um bebê com os olhos fechados, incapaz de compreender o contexto real da situação, e por isso continua dando uma resposta completamente inadequada a mesma.

Não é fácil apreciar toda a dificuldade deste círculo vicioso e compreender o grande sofrimento que gera, como alguém que está trancado em uma caixa invisível, o mecanismo desta Lua separa as pessoas das demais quando mais necessitam. É muito fácil para elas - e me refiro a talento - refugiar-se em um mundo de escassos vínculos e bombardear relações ou possibilidades importantes.

Quem sabe a maior dificuldade deste mecanismo lunar é sua tendência a ficar desobrigada diante dos demais, porque suas respostas básicas estão ligadas ao orgulho. A pessoa mesmo pode não entender porque se comportou desta maneira.

Na realidade o melhor para a Lua em Leão - a meu critério - expor-se porque assim pode entregar-se ao aprendizado real, a possibilidade de descobrir seus recursos genuínos e não mover-se com base no imaginário. Mas isto é muito duro e também o é para quem o rodeia. Imaginem a situação do marido de uma Lua em Leão que chega do trabalho cansado, porque quem sabe o despeçam a qualquer momento... e já não se dá conta de que entrou no palácio real! A “rainha” pensará “como não me trouxe flores!” Mas, sem dizer-lhe nada, levantará altivamente a cabeça e o depreciara o resto da noite. Aqui está a dificuldade para vincular-se própria desta Lua.

Como atuará um Sol em Leão em casos similares?

Quando o mundo externo não corresponde ao padrão radial em que se experimenta a si mesmo, o leonino desenvolve toda a sua energia para provocar o “feed-back” adequado. O mecanismo da Lua em Leão, no final, pressupõe que não é necessário realizar nenhum movimento nem desempenhar energia alguma para que se produza o reconhecimento, e sim que isto deveria acontecer espontaneamente. Em princípio, a natureza de um Sol em Leão tem capacidade para fazer gestos e irradiar até conseguir chegar ao centro de algum ambiente, isto é decorrente do padrão radial, próprio de sua energia. Em outras palavras, faz todo o possível e se empenha para demonstrar que “está ali”, mas isto é um pressuposto emocional. Na Lua em Leão, não existe de imediato essa capacidade mas sim o pressuposto de que ‘é importante por si só...”, entendido como algo já dado e aceitado por todos. Pressupõe - e está é sua confusão - que para ser querida tem de ser especialmente valorizada, de modo que toda a situação em que se sente ignorada, torna-se desconcertante.

Então, se acredita ser o centro das atenções, não quer dizer que o seja efetivamente... Mas, alguma vez foi assim...

O registro histórico é haver sido esse centro de atenção, num momento determinado. Ali se desenvolveu o hábito afetivo pelo qual sente que se não é importante, não é querida. Esta é uma confusão psicológica, se os demais não reconhecem seu valor - sem que tenha que demonstrar nada - então não sente a presença de afeto e a situação entranha perigo. Não é fácil para a Lua em Leão expor-se para que sejam verificadas suas reais possibilidades. Em seu mundo imaginário não é possível ver-se obrigado a demonstrar nada, os demais deveriam saber de que é capaz, sem lhe pedir prova alguma. Toda a situação de exame ou de exposição é muito difícil para eles e tendem a reduzir-se a distintos tipos de racionalizações. Em seu mundo interno é - ou tem sido - aplaudido e reconhecido, mas quando isto se confronta com a realidade, o estrago é muito grande e em muitos casos paralisante.

Isto fará com que tenham grandes dificuldades para ampliar seus raios de ação quando não encontram alguém, para quem são especiais. Atrever-se a ir mais além do reino em que se sentem valorizados e admirados se converte em um traço grande demais para seu nível emocional.

Fixos em seu mundo, não se atrevem a entregar-se a novas possibilidades e experiências e, assim não fazem, muitas vezes participam com certa indiferença. Seguramente, as uvas que estavam verdes, haviam nascido um dia com a Lua em Leão.

Por certo, seu talento autêntico é a capacidade de expressar-se do fundo do coração, contagiando os demais com seu entusiasmo e vitalidade. Mas, predomina no imaginário infantil esta experiência fundamental postergando-se e subtraindo a verdadeira qualidade lunar às possibilidades do sistema em conjunto.

Desejos e frustrações

O que acontecerá então, quando o pequeno príncipe ou princesa viva sua primeira “desilusão”, por exemplo, ao concorrer no jardim de infância ou quando nascem irmãos mais novos, eventualmente solares? A partir daqui a Lua em Leão começara a sofrer inevitáveis desejos: como se dão conta de eu sou o rei? Porque não me tratam como deveriam? Algo não se encaixa para esta criança nas situações novas e é provável que se instale nele uma sensação de recorrentes não identificação: a vulnerabilidade e o desagrado da exposição que se sente submetido, é muito grande.

A maioria das Luas em Leão reage à estas circunstâncias de um modo mecânico, negando o vazio emocional que experimentam e desenvolvendo seus ares principescos. Mas por outro lado, a raiz dos golpes recebidos pela ausência de reconhecimento espontâneo a que estão acostumados, podem adquirir uma atitude marcadamente defensiva. Tratando de não se expor, diante do terror de não receber o retorno afetivo que pretendem. Na realidade, o mal-entendido mais importante, que para ela ficaram associados afeto, segurança e proteção com valorização, adoração e posição central.

Está é a base da confusão, a pessoa pode sentir-se insegura e falta de afeto nos lugares onde na realidade é querida, mas não na forma inconscientemente conhecida. Isto pode levá-la à oscilar entre comportamentos muito opostos. Em alguns ambientes se desenvolverá, expressando toda a sua dignidade e segurança, mas em outros se sentirá sistematicamente diminuída e inclusive ignorada.

Não é fácil, por tanto, que estas pessoas se abram e mostrem sua vulnerabilidade diante do mundo. É tão custoso para elas sair de seu refúgio lunar e abandonar seu comportamento principesco, que é muito difícil que possam ser compreendidas pelos demais, não pelo fato de “não serem entendidas” - como narcisamente tenderão a afirmar - e sim porque sua conduta pode ser desconcertante e inclusive irritante e desconfiada. Diante da “incompreensão do mundo”, é bem possível que se retirem dos ambientes em que não se sentem seguras, remoendo as situações nas quais não encontram o contexto que necessitam.

Mas outra reação eventual - quem sabe a mais comum - é que o mecanismo se reforce. Neste caso se mostrará excessivamente destemperada, expressando uma atitude de importância auto-conferida não confirmada por dados objetivos, que provavelmente será chocante para os demais. Esta desorientação de base - que a pessoa não percebe - a faz muito suscetível a ofensa. Na realidade é tão fácil irritar a Lua em Leão que praticamente não se pode evitar, posto que satisfazer este núcleo regressivo exigirá homenagens contínuas.

Assim, se constitui o circuito: quanto mais atemorizada e insegura a pessoa se sente, tanto mais insiste em emitir a mensagem que na infância garantiu amor. Mas esse sinais serão interpretados pelo que está “fora” como mostras de altivez e orgulho, e geralmente provocarão rechaço. No mundo interno necessitam de reconhecimento e admiração, só manifestarão sua “dignidade querida”, reforçando a resposta interna que eterniza o circuito.

Circuito emocional

O campo energético, na primeira etapa da vida da criança com a Lua em Leão, provoca um “feed-back”, pois circula uma carga de extrema valorização e importância pessoal.

Este será o sinal que lhe indica a presença de amor e segurança, sua ausência, pelo contrário, significará desamparo. É comum que se manifeste esta Lua em filhos únicos ou em crianças muito esperada por alguma razão. Em geral, será o favorito ou favorita da família ou, pelo menos, de alguma figura importante da mesma como o pai, a mãe ou os avós.

Esta posição preferencial implica muita exigência para a criança?

Não, porque não se espera que ela seja maravilhosa no futuro, não está obrigado a sustentar o favoritismo de que goza nem se pretende que se destaque no mundo, como no caso de um Sol no Meio do Céu, por exemplo. Com a Lua em Leão se é maravilhoso pela única razão de haver nascido, ser alguém muito especial é um traço natural para ela, não uma demanda. No âmbito protetor que a família lhe outorgou na infância se sente adorado e por isso não pode perder suas preferências, não experimenta exigência alguma.

É que ela nasceu “em berço de ouro”

Sim, mas não em termos materiais. Ainda que a pessoa com essa Lua tenha, ao mesmo tempo, Saturno na 5ª casa - de maneira que, quem sabe, não foi precisamente o filho querido da mãe - provavelmente o foi da tia que vivia com eles ou da irmã, com quem a mãe o deixava quando saía para trabalhar. O mecanismo se articula em relação a esta experiência, parcial ou total, de ser o centro adorado de alguém. Neste caso, a combinação deste fatos podem fazer que com que a afetividade oscile entre ser adorado e o pânico de ser abandonado, ou a convicção de ser uma princesa ou um príncipe que nunca conseguiu o amor que merecia.

Envolto por esta adoração, goza de prerrogativas e uma atenção que os demais não obtém e que a ela é oferecida sem condições. Isto é muito diferente de ter sido considerado o centro absoluto da vida de seus pais, sem o qual eles não conseguiriam viver. Ele não deve entregar nada pelo fim de seu favoritismo, como ocorreria no caso da Lua em Escorpião, por exemplo. Na Lua em Leão, ser o centro do mundo não está ligado a um forte desejo posto sobre a criança, e sim sua extrema valorização.

Em definitivo não é possível que esta pessoa passe desapercebida.

Precisamente nisso reside o problema para o futuro, sem a consciência fica identificado com essa matriz primária. O lugar preferencial e a adoração - em maior ou menor medida - tiveram lugar realmente durante a infância em família. Mas mais tarde é perfeitamente possível que a pessoa passe despercebida, mais ainda, seguramente lhe ocorrerá em várias situações. Ainda que nos marcos afetivos primários siga obtendo olhares admirados, a necessidade emocional deste hábito protetor constituído na infância exigirá o retorno da mesma qualidade, quase em qualquer circunstância. Isto obviamente não acontecerá, e aqui começam as dificuldades para esta Lua.

A necessidade de ocupar o centro, como único contexto seguro para estas pessoas, converte paradoxicamente a esta Lua em um fato de desobrigação e sofrimento para o conjunto do sistema, dado que é muito pouco provável que essa experiência de incondicional valorização - para alguém que a dá por descontada - se possa prolongar indefinidamente ao longo da vida.

Lua em Leão

O signo de Leão simboliza o momento em que a energia se expressa em padrões radiais de criatividade. Estes se exteriorizam como um centro e uma periferia que, ao interagir, geram um campo vincular de intensa ressonância e vitalidade em que a energia circula a partir da diferença funcional entre os componentes do sistema. Psicologicamente, isto pode produzir a ilusão de que a criatividade é própria de um só pólo de interação e não da particular diferenciação e o correto equilíbrio da estrutura centro-periferia que, permite que a energia se distribua em relação as necessidades de cada singularidade.


Quando uma criança entra na vida através desta qualidade e vive suas primeiras experiências identificado com ela, expressa uma intensa energia radiante que encontrará particular ressonância no mundo e ao seu redor. Inevitavelmente centralizará atenção dos demais e, durante todo o tempo em que esta Lua cumpra sua função protetora, sentirá que só sua presença cheia de vitalidade ao redor e acalma as experiências de quem a rodeia.

Se imaginarmos esta Lua como um capulho de energia, veríamos irradiar um centro ao redor do qual giram os demais componentes do sistema que garantam seu bem estar e sua vitalidade. Já vimos nas Luas anteriores que este fato protetor, através do qual a criança entra na vida, estará presente não só em sua corporeidade básica, mas também como parte integrante essencial do mundo afetivo que a rodeia. Uma pessoa com a Lua em Leão, provavelmente nascerá através de uma mãe que tenha estas qualidades ativas ou latentes. Seguramente em sua família alguma figura feminina centraliza a atenção dos demais, recriando o padrão radial próprio da energia leonina; quem sabe se trata da mãe, da avó ou alguma outra mulher admirada e venerada. O ambiente familiar pode estar impregnado de crenças e situações referidas a existência de pessoas excepcionais, a quem lhes corresponde um trato preferencial em relação aos demais. Também é provável que haja ao redor da família certa singularidade e relativa fama cujo comportamento chame a atenção. A diferença da Lua em Câncer, em cujo ambiente predomina a sensação de compartilhar, de desfrutar do fato de pertencer, o afeto grupal e a presença de tradição familiar, aqui se observa uma alta estima e diferença por individualidades que, pertencendo a família, se destacam de alguma forma. Esta fascinação por pessoas “especiais” podem ser uma característica das mulheres da família, assim, no nível inconsciente, está preparado o lugar para a chegada do filho que cumpra com esta expectativa e, ao mesmo tempo, outorgue com seu nascimento a posição de “rainha mãe” a quem o traga ao mundo. Sobre este marco familiar, os sucessivos filhos provavelmente expressarão distintos aspectos do padrão solar, com suas luzes e sombras. Mas aquele que nasce com a Lua em Leão ocupará o lugar do favorito, recebendo a mensagem equívoca de que se trata de alguém “único e diferente”.

Poderíamos imaginar uma cena arquetípica em que a “rainha mãe” veste seu filho ou filha com os atributos de sua majestade principesca: coroa, cetro e capa. Cada vez que este bebê despertar em sua cama se encontrará rodeado por uma multidão que em aplausos e gestos de aprovação, diante do olhar da mãe para quem esta homenagem é totalmente natural, tratando-se de seu príncipe ou princesa.