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Talentos de uma Lua em Libra.


Esta Lua possui a possibilidade de irradiar uma delicada ternura e compreensão afetiva com os demais, gerando ambientes e situações de grande prazer e encontro com os outros. Sua sensibilidade faz com que a beleza possa abrir-lhe caminho para o mundo das artes e da estética em geral. Possui também um talento inato para a diplomacia e a capacidade de encontrar o que o outro necessita, assim como, realizar um acordo que satisfaça a todas as partes.

O sentido de oportunidade pode ser muito forte neles, e assim como no mecanismo isto se opaca em uma contínua postergação das decisões - em uma ilusão de alcançar o momento perfeito que haverá de satisfazer à todos - a sensibilidade para encontrar o instante adequado para a ação é uma qualidade desta Lua integrada.

Mas, a meu juízo, o mais importante é que possui uma real intimidade com a graça a beleza e a vida. Esta, além do imaginário infantil, é uma qualidade profundamente instalada em seus corpos que lhes facilitam ascender em momentos de intensa plenitude. Quando se permitem ser fiéis a esse dom, destilam um encanto que transcende o pessoal e são capazes de nutrir os demais.

Criam hábitos e situações onde outras pessoas tomam contato com a beleza em todas as suas formas “internas e externas”, pode ser um modo natural de expressar o talento desta Lua.

Diferenças entre o Sol e a Lua em Libra.


No mecanismo da Lua em Libra há pautas de formalidade, de muita amabilidade e gentileza, mas não há uma relação com os outros aberta e natural, como ocorre no Sol em Libra. No caso da Lua, o que está em jogo é o cumprimento das formas e modelos de comportamento, porque isso garante ser querido pelos demais. Não se trata de sua própria identidade, forjando um equilíbrio contínuo com o outro, como ocorre com o Sol, sua segurança consiste em que os outros se sintam agradados e contentos. Daí o acento na repetição das formas e condutas que mecanicamente se supõe que agradam, e a tendência a fugir de um verdadeiro encontro com os demais.

É muito difícil que se sintam seguros se antes, com os gestos, atitudes e palavras apropriadas, não se tenha criado o clima que o mecanismo precisa. Visto assim, essa Lua não se abre em sua sociabilidade e sim se fecha, escondendo-se em situações onde tenham garantido que podem agradar e que não apresentam conflito visível. O Sol em Libra tem um sorriso especial, muito aberto para os outros, é um traço distintivo. A Lua em Libra também o tem, mas podemos observar que em situações emocionalmente tensas, é o sorriso de um bebê que repete o movimento com o fim de agradar.

A sedução da Lua em Libra.


A sedução é obviamente um tema central nesta Lua, mas quem trata de agradar aqui realmente não é o nível adulto e sim uma criança. A Lua em Libra não está colocando em jogo seu desejo, e sim a repetição de estereótipos que garantam a posição vincular que tem associada a segurança. Não se abre realmente em um sorriso cativante como assim o faz o Sol, mas faz gestos e movimentos que transparecem a repetição mecânica de um comportamento arraigado que na realidade nada tem de espontâneo e aberto, como pretende mostrar. Agradar e atrair é o comportamento conhecido e supostamente necessário para dissolver toda a sensação de perigo e dificuldade.

Como dissemos, estas são pessoas geralmente populares, já que buscam agradar constantemente e sabem fazer os movimentos necessários para gerar simpatia e afeto. Por isso, esta é uma Lua comum em pessoas que lidam com grandes públicos, atores, políticos e líderes de massa. Peron, por exemplo, tinha a Lua na casa VII, igual a Hitler e Mussolini. Outra Lua em Libra é a de Menem.

Mas como se compatibiliza o tema da auto-desvalorização com a liderança política?

Quem sabe teremos que discutir um pouco acerca da presumida liberdade e autodeterminação de alguns líderes. Em geral, dependem muito do afeto dos demais. De todo modo não é correto falar de desvalorização com a Lua em Libra, e sim do risco que entranha a identificação exclusiva com a capacidade de agradar os outros.

Mas é alguém que deve “ir em frente”...

Sim, vão em frente, mas dependem de uma praça cheia de gente que os aplauda ou lhes dê o apoio massivo expressado de qualquer outra maneira.

Disse líderes de massas, não de outro tipo, ainda que não podemos descartar o talento que há aqui para criar uma corrente de energia em que os outros - nestes casos em grande escala - se sintam satisfeitos em seus desejos.

Porque sendo uma Lua em Ar, não valoriza o mental ou o intelectual?

O ar enfatiza um registro vincular que discrimina e associa simultaneamente e, em particular, fala da mente como relação, são estruturas equivalentes em níveis distintos. Do ponto de vista emocional a dificuldade das Luas de Ar como vimos antes, reside na forte tendência a dissociação e a falta de contato. A função lunar por excelência é capacidade de contato, intimidade, registro de necessidades básicas e atitude para nutri-las. Ao dissociar, a Lua em Ar se desdobra e a pessoa se separa de si mesma para sentir-se segura, em Libra isto é sentido como a presença de um outro, com seu olhar imaginário, que está sempre presente em sua intimidade. Agradar a este outro é psicologicamente mais seguro e cômodo que permanecer em contato emocional com a totalidade de si mesmo. Mas se observarmos bem, isto que na Lua em Gêmeos toma a forma de um excesso de pensamento, também se reduz a estar a desdobrando em um diálogo constante com o mundo mental. Quando a Lua em Gêmeos se refugia na leitura está com um “outro”, daí a dificuldade de sintetizar um pensamento próprio. Ainda que possam tomar formas diferentes, a estrutura é a mesma em ambas as Luas e também o será na terceira de Ar - Aquário - que já veremos. De todo modo, a Lua em Libra pode desfrutar muitíssimo da leitura e da participação de conversas intelectuais e estéticas. É mais difícil, sim, que se identifique com a capacidade intelectual posto que o afetivizado é a posição passiva que goza ao sentir-se envolvida pela beleza das palavras ou das idéias.

Imagino que a pessoa com a Lua em Libra é alguém muito dependente de seu arranjo pessoal...

Em afeto, isso é muito evidente em Menem, por exemplo, que tem esta Lua....

Vincula-se também com o carismático?

Em particular no caso da Lua na casa VII, a astrologia tradicionalmente fala de “popularidade”. A capacidade inata para agradar aos demais e o talento real que há nela, faz com que estas pessoas sejam buscadas pelos outros para sentir-se bem. São certamente populares, mas no nível do mecanismo, dramaticamente dependentes das respostas dos demais.

Mas então, porque sofrem?

O mecanismo lunar não sofre em si mesmo. Os que “sofrem” são os outros aspectos da pessoa, que são ignorados quando a Lua absorve todo o campo da consciência, eventualmente também a totalidade do sistema sofre quando em certo momento se revela aquilo que prometia segurança ou proteção uma ilusão. De todo modo - em relação a popularidade estas pessoas se esvaziam tanto no ato de agradar os outros e sacrificam tantos aspectos de si mesmo por retenção, que cedo ou tarde esses outros se convertem em objetos de ressentimento inclusive de desprezo. Toda a carga acumulada pelo resto do sistema se lança contra eles revelando a ambivalência profunda que existe na pessoa. Quando a Lua em Libra é mero mecanismo, a alienação em outros é realmente muito forte e, para recuperar-se e voltar a tomar contato com o próprio centro, a oscilação deverá ser necessariamente dramática.

Qual o risco que percebe esta Lua?

O grande temor do núcleo infantil é mostrar-se desagradável, definir-se de modo tal que a leve a um conflito aberto com os demais. Brigar ou permitir-se uma discussão frontal é uma sensação desconhecida e uma transgressão explícita daquilo que está conotado como seguro, é exatamente o oposto da Lua em Áries. Claro que sempre poderemos observar alguma pessoa com a Lua em Libra que, em sua necessária briga com sua “mãe interna”, se mostrará até exageradamente desagradável ou atuará através de evasivas e postergações de um modo realmente agressivo diante desse “outro” que deve ser inconscientemente castigado. Estas são polarizações que, segundo se prevê, provocarão um retorno oscilatório a posição inicial, que pode levá-la a ser ainda mais dependente das formas sociais que antes. É óbvio, em todos esses jogos, quem tem o domínio da situação é o nível mais regressivo e que em nenhum outro caso se trata de uma resolução madura. Se assim fosse, os restantes das qualidades da carta transcenderiam a Lua ao integrá-la, mas no contato, ao permanecer em nível de mecanismo, só se polarizam e antagonizam com ela.

A “sinceridade” da Lua em Libra.

Uma das coisas mais difíceis deste hábito lunar é a falta de sinceridade, ou seja, a sensação de risco que experimenta a pessoa ao dizer a verdade ou ao enfrentar uma situação de forma franca. Por certo, isso foi muito perigoso na infância quando ao embelezar a realidade era premiado e ao desnudá-la castigado, mas o mecanismo leva a que estas associações sejam vividas como reais na idade adulta. A única possibilidade de ter que enfrentar um conflito vincular - ou inclusive uma simples confrontação - faz com que estas pessoas fiquem iludindo as suas definições, ou muito comumente, digam algo para não ficarem mal. Como é previsível, logo farão outra coisa completamente diferente ao não conseguir sustentar aquilo que a Lua lhes “obrigou” amavelmente a dizer. Recordo uma amiga com o Sol em Escorpião e a Lua em Libra, a quem acompanhei em uma oportunidade para conversar com uma sócia circunstancial, com a qual havia tido enormes diferenças de critérios em seus negócios. A escorpiana estava muito enojada, estava realmente furiosa e dizia coisas terríveis sobre a outra, no caminho até a oficina desta mulher. Quando chegamos, a suposta vítima realizou o gesto exato para ativar a Lua em Libra: recebeu-nos com “cafezinho”... Ao criar esta situação amável, disparou o feitiço e minha amiga, entre uma coisa e outra começou a dizer: “bom, em princípio estou muito satisfeita com esta sociedade que estamos estabelecendo, se bem que há alguns pontos que teremos que discutir, quem sabe o faremos em outra oportunidade...”. Durante o resto da conversa - em que traçavam planos para novos projetos - o Sol em Escorpião só pode se manifestar através de algumas faíscas carregadas de ironia. Quando chegamos no carro o Sol emergiu do feitiço da Lua, voltou a enfurecer-se e desta vez, logicamente, não só com a sócia mas consigo mesma. Posteriormente não cumprir com nada que foi acordado e finalmente houve a ruptura por desgastes e evasão do vínculo. Aqui se vê novamente o “comportamento de avestruz” dos mecanismos lunares: se não vejo o conflito, então este não existe. É muito comum que estas pessoas tão encantadora e amáveis, que possuem a arte de tratar bem todo mundo, ciclicamente terminem desenvolvendo condutas ilusórias e decididamente pouco sociáveis. Mas como estão baseadas na evasão e na não confrontação direta daquilo que os outros pensam delas, se comportam como se o conflito não existisse.

No fundo o mais grave neste mecanismo é, a meu juízo, que esta relação com o mundo “externo” reflita um vínculo interno. A pessoa se faz totalmente difícil dizer a verdade a si mesma. Enquanto o mecanismo está vigente - ou cada vez que a comoção emocional o dispare - enfrentar as coisas como realmente são é um compromisso que uma parte da pessoa não quer assumir. Não pode escutar a verdade e tão pouco é capaz de dizer aos outros; e se não pode evitá-la, tratará de embelezá-la e, sobre tudo, postergar o momento de enfrentá-la diretamente.

Reconhecer nossos aspectos escuros é algo que a todos resulta difícil, mas a uma Lua em Libra produz um vazio emocional e uma insegurança ainda mais mascarada que nos demais. Isto não quer dizer que a pessoa seja mentirosa e sim que busca o momento harmonioso e perfeito em que os conflitos possam ser enfrentados com tanta comodidade e amplitude de ambas as partes, que o acordo fique assegurado. Pospor decisões até o momento em que a resolução apareça como desejada naturalmente por todas as partes, é uma arte libriana, mas no mecanismo lunar isto não nasce através de uma amplitude real e sim como resposta ao temor e a insegurança desta criança assustada que sente que cometeu um erro.

Outro fator complexo que pode aparecer, é que a identidade afetivizada fica ligada basicamente a qualidades estéticas - beleza, elegância, refinamento - e ao encanto e a amabilidade. A pessoa se sente querida por sua beleza e sua sociabilidade, não por sua inteligência, por seu dinamismo ou caráter. Isto é quase sempre mais forte nas mulheres, que podem ficar inconscientemente identificadas com o estereótipo da “bonequinha”. No seu imaginário emocional, não encontram segurança alguma nas outras qualidades que possuem, porque o afetivizado é ser “linda e agradável” e fora dali só existe o vazio. Assim é como o vinculado a potência, a força, a iniciativa, a capacidade intelectual ou a criatividade, é experimentado como inseguro. Apoiar-se nesses atributos seria sair completamente da Lua, e como tal, emocionalmente perigoso.

Se constitui o circuito

Como se vê aqui a espontaneidade resulta praticamente em ter que dar continuamente as respostas que a família diz que devem dar. A necessidade emocional de cumprir sempre com as formas esperadas leva a postergar os impulsos e as reações imediatas em função de encontrar a resposta, não a mais madura e sim a mais agradável e socialmente acertada. Captar as formas sociais adequadas e ater-se estritamente a elas será o essencial. Como pode expressar a criança o que quer, o que realmente está sentindo no momento? Toda a espontaneidade atenta dramaticamente contra sua segurança emocional; permitir-se garante que o afeto que lhe estava destinado será retirado, deixando-a desprotegida e sem segurança alguma. Como pode dizer então o que realmente está pensando? Com uma Lua em Virgem é necessário pensar o que se quer, mas tratando de não dizê-lo jamais. Para a Lua virginiana, o principal é ser madura e útil, a Lua libriana, necessita cumprir com uma forma vincular, repetir os movimentos e ideais que sabe ser encantadora, agradável e harmonizante. A primazia das formas belas, que na realidade são estereótipos familiares ou culturais repetidos mecanicamente, é aqui a pauta que faz circular a totalidade da energia da carta de uma maneira pobre e muito por baixo de seu potencial.

Ou seja, é uma Lua de bons modos....

Exato, e desta maneira se conforma num sutil mecanismo não vinculado com a sinceridade, associado com a sensação de que esta sinceridade é muito perigosa. A franqueza está aqui emocionalmente proibida e existe um juízo muito forte contra a explicitação direta das situações e os conflitos. Toda a afetividade da Lua em Libra está impregnada de “mentiras piedosas”, que são verdades supremas - diante do qual as outras são secundárias ou relativas - é a ausência de conflito com o outro. Isto, do ponto de vista do conjunto da carta, se converte em um peso difícil de sustentar porque a espontaneidade, o centrar-se em si mesmo, e tudo o que signifique impulso agressivo e imediatamente desejante, ficará ligado a um forte vazio emocional que não é fácil de atravessar.

A maneira em que tomou forma a energia lunar faz, em todos os casos, que se constitua um hábito emocional, um registro inclusive corporal em que a ausência da qualidade afetivizada produz uma sensação de vazio que por um momento é insuportável. Diante desse vazio, a inércia do mecanismo se dispara na procura de preencher a ausência com o conhecido, neste caso com a sensação de harmonia, ainda que esta seja puramente formal e ilusória. O feito de que na realidade exista vitalidade e inclusive afeto na situação desconhecida - como, por exemplo, na franqueza ou no desejo imediato - não é percebida a causa do hábito.

A velocidade com a qual este se gatilha inibe os outros registros que poderiam dar conta corretamente da situação. Este é o ponto na qual o mecanismo da Lua atua regressivamente, criando um obstáculo ao desenvolvimento das outras qualidades presente nesse indivíduo, que pode ter o Sol em Escorpião ou em Áries, por exemplo. Querer ver com precisão a diferença existente entre integrar uma Lua em Libra com um Sol em Escorpião - ou em Áries ou qualquer outro - e tentar expressar Escorpião ou Áries através da Lua em Libra, é dizer, filtrado por ela.

Como já temos visto nos capítulos anteriores, esta capacidade de filtro protetor é a função da Lua em seu momento, mas o hábito e a identificação com a sensação de segurança que brinda, perpetua no tempo uma “proteção” que realmente já não necessitamos e distorce nossa identidade.

No caso da Lua em Libra, a necessidade emocional de agradar os outros não está em absoluto associada a capacidade intuitiva de desenvolver o próprio desejo em complementação ao dos outros, como se no contato pode fazer um Sol em Libra. Nela, claramente, é visível a dificuldade para expressar enquanto que no caso do Sol, o intercâmbio com o outro é de desejo em desejo, jogando-se ali na magia do encontro. Na Lua não está em jogo o desejo na complementação e sim a necessidade de afeto e mais ainda - inconscientemente - e agradar a mãe. É evidente que se não se compreende a natureza profunda da origem destes traços encantadores da Lua em Libra, a condição regressiva dos mesmos inibe enormemente o contato com - ou melhor - a expressão de - o que realmente deseja.

Estas pessoas podem ter limitada sua espontaneidade...

Recordem a película “A idade da Inocência”: nela se mostra um meio ambiente tão apegado ao formalismo social, que realizar o próprio desejo leva toda uma vida. Inclusive no momento final, no protagonista se dilui a possibilidade de perceber o que realmente quer, sem expressar definitivamente o desejo que sempre teve, ou manter as formas que construiu enquanto o retira.

A tendência inconsciente - que leva a sustentar as sensações confortáveis que nos produz o imaginário lunar - em todos os casos obtura a possibilidade de conectar-se com um desejo renovador, sintético e profundo. Mas com a Lua em Libra, o anel inconsciente de segurança diz expressamente: não desejará aquilo que não corresponde as formas adequadas e que não agrade aos outros.

Neste ponto advertiram que é muito provável que a pessoa com esta Lua, incapaz de elaborar seu mecanismo, cedo ou tarde trave uma batalha feroz com sua mãe Lua em um nível mais ou menos inconsciente, de modo análogo como vimos na Lua em Virgem. Neste caso se reforçam as energias da carta mais ligadas ao socialmente inaceitável, a violência, a transgressão e inclusive o desprezo pelos outros. Isto poderá atuar a partir de uma identidade polarizada com a Lua - mas determinada ainda por ela - ou se projetará em outras pessoas com as quais se estabelecerá uma relação de inconsciente dependência, em que se dramatizará o choque entre as energias dissociadas. É muito notável como se gera em muitos indivíduos uma particular tensão interna provocada pelas exigências da Lua em Libra.

Longos períodos da vida se organizam contra esse núcleo incompreendido mas inconscientemente dominante, potencializando características transgressoras e inconformistas que são tão imaturas como o mecanismo lunar. Despojar a enorme sensibilidade e sentido de harmonia da Lua em Libra, e dos mandos e formalismos adquiridos na infância, para dar lugar a uma personalidade integrada, é quase sempre um longo e duro trabalho.

A “mãe” de uma Lua em Libra

É fácil imaginar que a “mãe” - entendida como estrutura vincular que vai além da mãe concreta - será extremamente sociável e muito interessada em manter vínculos harmoniosos e complacentes com o mundo. Como em toda a Lua em ar, o afeto aparecerá mediado por um forte laço vincular e, neste caso, a importância do outro para a “mãe” será tal que a capacidade de compreender os demais constituirá o requisito essencial para que esta criança sinta que obtém carinho e segurança.

Podemos imaginar uma família em que um - ou vários - de seus componentes propiciam uma intimidade quente sempre preparada para receber visitas e inclusive estranhos. Estes devem ser atendidos e agasalhados da melhor maneira, antepondo suas necessidades aos dos membros do lugar. A intimidade deve contentar os outros, ficando assim exposta e aberta: fica registrado na criança como um suporte básico da existência. No circuito afetivo sempre haverá um “outro”, presente ou virtual, diante do qual deverá aparecer sorridente, amável e elegante: um ser intimamente social.

Isto cria, evidentemente, um campo muito exigente para uma criatura, que se vê forçada a adaptar-se ao meio, de um modo semelhante ao que vimos na Lua em Virgem. A presença dos outros na intimidade fará que a casa e seus habitantes respondam geralmente a fortes critérios estéticos e que estejam sempre arrumados para a “chegada das visitas”. Sempre há gente entre a mãe e a criança. No imaginário ela nunca está só com a mãe, e nesta socialização se vê obrigada a dar constantemente respostas ao desejo dos outros.

Isto não ocorrerá através de um comportamento hiper-maduro como da Lua em Virgem, ou de brilhante intelectualidade como em Gêmeos, e sim de refinamento e de amabilidade.

Os gestos e movimentos serão então objeto de uma contínua atenção: sempre se estará tentando fazer com que os outros se sintam bem, de não realizar o gesto incorreto e de não adotar a atitude inadequada.

Quem sabe a cena infantil que melhor identifica a cena desta Lua é a chegada do bebê em sua casa, encontrando-a cheia de visitas: estão todos reunidos em um salão elegante, tomando o chá esquisitamente preparado. Então, a mãe diz: “que linda é minha filha”, “vocês não acham”, “Querida, porque não toca um pouco de piano ou recita uma poesia para nós?”. Esta imagem condicionante é muito potente e nela se gera um circuito pelo qual, pese a abertura e a socialização, não se busca a carga afetiva nos outros e sim que toda a atenção está colocada na mãe através dos outros. Neste agradar aos outros para “mãe”, se configura numa atitude que na idade madura condicionará sutilmente a grande sociabilidade destas pessoas.

É possível que artistas ou pessoas ligadas a arte e a beleza estejam presentes no núcleo familiar, ou seja, extremamente valorizadas por esta pessoa, a importância da cultura, o compromisso social e os valores estéticos podem ocorrer com insistência nas conversas familiares, criando um ambiente de idéias refinadas e objetivos sociais do qual a criança se alimenta.

Lua em Libra

A energia que impregna a criança no momento do nascimento e na qual se instala naturalmente - a fim de experimentar as outras energias de sua carta natal - neste caso Libra. É dizer, o momento do zodíaco no qual a existência se registra como uma oscilação harmônica entre opostas em equilíbrio dinâmico. Em Libra nada é completo em si mesmo, cada ser é complemento de outro e o encontro dos complementários abre o ser com toda a sua beleza.

Esta criatura traz consigo os gestos adequados para abrir-se de tal maneira que aquilo que não é ela se abra também e se contente no encontro. A harmonia que evita todo extremo e a graça dos movimentos fazem com que o externo tente naturalmente o acordo, serão as qualidades cuja presença farão com que esta criança se sinta segura e protegida, cômoda frente os possíveis perigos da vida. A beleza, o acordo e a cooperação constituem a atmosfera natural no início da existência desta pessoa. Atmosfera que irá nutri-la ao longo da vida para que lhe seja possível expressar suas qualidades mais profundas.

Como sempre, a maneira como se manifesta esse campo energético protetor - em tanto destino - é através das pessoas que constituem seu mundo afetivo primário, que deverão vincular esta qualidade de harmonia que cobrirá seus primeiros passos.