A “mãe” na Lua em Capricórnio

Agora bem, quando Capricórnio é a energia de refúgio em si mesmo - é dizer, quando se constitui como Lua em Capricórnio - aparece o que é próprio do lado externo, no lado interno da proteção. O que está concluído e deve sustentar solidamente o crescimento - isolando-se do fora - passa ao interior e se coloca em contato direto com o mais vulnerável. Ali onde - em um processo normal - deveria aparecer o cálido, o brando, possível, nutritivo e vital, se manifesta em contato com o frio, o duro, isolante, austero e formal. A qualidade protetora se traduz aqui em uma enorme capacidade de contração e concentração, que minimiza as necessidades limitando-as ao essencial a fim de sustentar-se e abastecer-se, com uma solidez no isolamento do meio que a rodeia.

Se quiséssemos imaginar o “campo” de energia que envolve a criança que nasce com a Lua em Capricórnio, poderíamos vê-lo como uma pequena habitação de pedra, muito antiga, triste e com pouca ventilação. Dentro dela há um colchão de palha, um pedaço de pão duro e um pouco de água... É um ambiente frio e seco, um eremita solitário e, por suposição, sem nenhuma cor.

A energia deste “campo” nos diz que o ser que nasce com proteção capricorniana é capaz de cuidar de si mesmo, com uma mínima dependência ao ser redor, e que pode suportar grandes restrições em função de alcançar os objetivos exigidos.

Aqui vemos a dificuldade desta Lua, em termos de configuração psíquica: o talento que oferece é próprio de um adulto, mas dificilmente compatíveis com as necessidades de um bebê.

Sabemos que deverá ser esta energia e não outra a que o protegerá. Esta qualidade se manifestará necessariamente como seu campo afetivo desde o primeiro momento de sua vida, e determinará as características de sua nutrição emocional. Enquanto o habitual é receber calor, abundância, contato, companhia, estímulo nas brincadeiras e as explorações, a energia lunar de Capricórnio nos diz que esta criança nascerá do corpo de uma “mãe” austera, pouco dada ao contato físico e emocional, emissora de respostas frias e distantes diante do requerimento da criança. O deixará rapidamente livre em si mesmo, inclusive submetendo-a a pautas restritas de adaptação em relação a princípios gerais e racionais, que outorgam pouco espaço a consideração de suas necessidades pessoais.

Nos agrade ou não esta é a energia através da qual entra a criança na existência quando nasce com a Lua em Capricórnio. Leva em si o tesouro da sustentação emocional e uma capacidade única para plantar-se solidamente no mundo, com base para seu desenvolvimento posterior. Esta qualidade tão exigente deixará marcas custosas no corpo do bebê e em sua psique. A capacidade de solidão que possui a energia de capricórnio - ao manifestar-se como destino - será vivida pela criança como abandono por parte de quem deveria dar esse calor e afeto que, em seu sistema energético, aparecem minimizados.

Vejamos com mais atenção as características da “mãe” da criança, fazendo a exceção, pois esta matriz afetiva pode atualizar-se através de múltiplas e matizadas vias ao combinar-se com as outras qualidades do complexo lunar.

Sabemos que o meio emocional será nitidamente frio e que a criança se sentirá só nele. Desde o princípio, onde deveria haver contato e efusividade há contração e distância, e isto será recordado mais tarde como perda de afeto. É muito comum se apresentar aqui a experiência do desmame cedo: por alguma razão o peito materno seca, ou a criança o rejeita, vendo-se privada do calor, da sensação de alimento abundante e a segurança emocional. A mãe, por vários motivos, pode ver-se oprimida pela presença da criança e toma distância dela, não a tem suficientemente em seus braços, se detém à regras racionais de comportamento e perde espontaneidade no contato, está só e deve atender outras necessidades que a impedem de estar junto de seu filho. Pode ocorrer também que este tenha ficado aos cuidados de avós ou de pessoas excessivamente sérias, que cumpriram unicamente com as necessidades externas da criança, deixando-as sós por muito tempo. O contexto emocional da família pode ser em geral muito austero, com muita afetivação do sacrifício e postergação das necessidades a fim de alcançar objetivos “mais importantes”. A disciplina quem sabe esteve muito valorizada e algum familiar - a própria mãe, o pai, algum avô, ou alguém que a criança registra que é amada pela mãe - tenha provavelmente idéias restritas a cerca da educação das crianças, “para que estas sejam fortes e possam abrir-se de frente ao mundo”.

Este arquétipo frio e autoritário, só responde com afeto à obediência e o cumprimento de regras claras e explícitas. A mensagem emocional dominante é: “serás amado se cumprires com teu dever e bastar a ti mesmo”.

Exagerando a imagem - para facilitar a descrição - poderíamos visualizar a “mãe” com seu dedo erguido mostrando silenciosamente a porta. A criança coloca seu cachecol, toma suas coisas e sai de sua casa enfrentando o vento, a neve, a chuva, indo sol à sol cumprir a tarefa que lhe corresponde...

Quero contar uma cena que pode estar associada com o que acabo de descrever. Meu irmão tem a Lua em Capricórnio e recordo que quando era bebê e alguém queria levantá-lo da cama, minha mãe dizia “deixe-o, se o levantarem ele vai chorar, ele quer ficar só”.

Sim, o afeto: de várias maneiras o comportamento materno se ajustará ao requerimento de solidão e distância que pede a energia capricorniana. Aquilo que para uma sensibilidade canceriana, por exemplo, parecerá uma atrocidade e uma amostra de egoísmo e falta de carinho sobre os filhos, pode ser o comportamento acertado pelo núcleo familiar em que nasce alguém com a Lua em Capricórnio - voluntária ou involuntariamente por parte dos pais, a criança recebeu pouco carinho e afeto direto e se sentiu obrigada a permanecer só por muito tempo. De alguma maneira a mãe ama a capacidade da criança de ficar “sozinho”. Isto é visível, às vezes, em termos muito concretos, mas em outros casos é uma percepção que se organiza na criança, ainda que saibamos que isto traz a matriz significante - a partir da comparação do tratamento que recebe, com o que é desfrutado pelos irmãos, por exemplo.

Psicologicamente, um nível da criança ficará marcado pela sensação de que não merece outro afeto além desse tão escasso - que lhe dão. Entorno a sensação de não ser aceito pela família se configurará o mecanismo pelo qual mais tarde, sendo adulto, terá grandes dificuldades de sentir-se aceito pelos demais.

Como sempre - recordemos que a Lua - como matriz significante, gera o padrão correspondente ao mundo “externo” e que as interações com ele o convertem em um padrão psicológico, que opera de forma mecânica como registro de segurança e carinho.

6 comentários:

Vancourt disse...

Tive um relacionamento com uma Lua em Capricórnio. Nunca tive problemas com o seu silêncio, pois eu sempre estava - ali - junto. Tenho Lua em Touro e o ascendente em peixes deve ter facilitado muito, também.
Agora, dois anos depois, estou atraído por outra, em Capricórnio, e venho, há algum tempo, desenvolvendo algum laço afetivo com ela: tenho mandado bilhetes (cantadas corteses e algumas nem tanto, mas a criatura gostou de todas), trocando olhares, não entrando de súbito na vida dela; estou querendo que ela se acostume com a minha presença onde gosto eu de estar e onde julgo-as mais vulneráveis.
Essa descrição, e as outras que li posteriormente, fecharam muito com ela. E, também, concordo com o fato de que são muito abundantes: a expressão de amor, vindo dessa Lua, quando você consegue liberar, é estonteante de tão bela.

Claudia Sampaio disse...

Quanto material para reflexão! Gostei muito da abordagem dos textos. Gratidão pela postagem e citação da fonte nos marcadores.:)

Lara Moncay disse...

Grata.

ana raposo disse...

Tenho lua em gémeos , meu namorado tem lua em capricórnio , as vezes e um bocado frio , insensível e pouco romântico.

ana raposo disse...

Tenho lua em gémeos , meu namorado tem lua em capricórnio , as vezes e um bocado frio , insensível e pouco romântico.

Anônimo disse...

Tenho lua em Capricórnio, e realmente nunca recebi muito afeto e carinho por parte da minha mãe biológica e nem pela adotiva...n me importo em receber...tanto faz.:)