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Quíron e as Casas


Quíron na 1ª Casa

Com Quíron na 1ª Casa, as feridas podem ocorrer bem cedo na vida. Por exemplo: uma mulher que conheci com este posicionamento, nasceu com uma doença comumente chamada de "osteomielite", ou ossos quebradiços e frágeis. Pela delicadeza de estado, os médicos avisaram à mãe que a criança não deveria ser levantada nem carregada e, assim, enquanto bebê, ela foi privada de conforto físico e de carinho. Outros posicionamentos em seu mapa mostram uma vontade férrea e ela bravamente trabalhou, dentro de suas limitações, para se tornar forte e auto-suficiente. Na época em que fizemos a leitura de seu mapa, Urano em trânsito estava em conjunção com o seu Quíron na 1ª Casa e ela estava esperando para começar um treinamento como fisioterapeuta.

Outro exemplo é o de um artista nascido com Quíron em Sagitário na 1ª Casa em conjunção com o Ascendente. Muito afetado por uma doença atrofiante do sistema nervoso, nem por isso deixou de ensinar pintura para jovens usando as forças que lhe restavam. Embora Quíron tenha escolhido morrer, ele foi recompensado pelos deuses por seu bom trabalho, fazendo parte de uma constelação nos céus para que todos o vejam por toda a eternidade. Da mesma maneira, embora esse homem tenha morrido por volta dos trinta anos, como, o imortal Quíron, sua memória e influência continuam vivas através de suas pinturas e das posteriores obras de arte de seus alunos.

Ambos personificam a natureza de curador/ferido/mestre de Quíron e servem como fonte de inspiração, não só para pessoas incapacitadas como também para as pessoas capazes que os conheceram.

Em seu estudo de sessenta e nove mapas de curadores/terapeutas, Eve Jackson achou que onze deles tinham Quíron na 1ª Casa.


 Quíron na 2ª Casa

A habilidade que Quíron precisou aplicar às intuições espirituais, filosóficas e éticas na vida de todos os dias e nos assuntos práticos é enaltecida com Quíron na 2ª Casa. Elisabeth Kübler-Ross, cujo trabalho pioneiro no campo da morte e do morrer tem sido usado na prática, tanto para as pessoas que estão morrendo como para suas famílias, nasceu com Quíron em Touro na 2ª Casa. Seu trabalho apareceu justamente quando Quíron estava retornando à mesma posição natal (Quíron tem um ciclo aproximado de cinqüenta anos).

Também tenho visto Quíron na 2ª Casa, por exemplo, no mapa de pessoas que sofreram muito por falência bancária e colapso financeiro, e que usaram essa experiência para ampliar seus conhecimentos filosóficos e psicológicos acerca da vida e de si mesmas.


 Quíron na 3ª Casa

Uma mulher que se curou de um câncer fazendo uso de dietas especiais e de técnicas de visualização está atualmente escrevendo e distribuindo informações sobre como combater doenças dessa maneira; ela tem Quíron em Sagitário na 3ª Casa, a casa da comunicação. Observei este posicionamento nos mapas de outras pessoas que escrevem sobre medicina e sobre curas.

Suas feridas podem aparecer durante a adolescência e durante os anos de crescimento. Alguns com este posicionamento podem ter dificuldades de adaptação nos primeiros anos de escola ou ter dificuldades de aprendizado ou de fala. Em poucos casos os que têm Quíron nesta casa tinham irmãos ou irmãs doentes ou angustiados (aflitos) por algum coisa, e seus anos de formação foram marcados pela necessidade de serem sensíveis à condição de irmãos.


Quíron na 4ª Casa

Se a 4ª Casa é considerada como a do pai, então ele pode tomar a projeção de Quíron. A criança com esse posicionamento tende a ser excepcionalmente sensível a seus ferimentos, ou a ver o pai como uma espécie de mestre ou mentor. Uma mulher que conheço que tem Sol em conjunção com Quíron na 4ª Casa, quando menina foi abandonada pelo pai logo depois da morte da mãe. Essas rejeições na primeira infância contribuíram para a sua receptividade em relação à dor, às necessidades e aos sentimentos de outras pessoas.

É possível que nos últimos anos de vida, quem tem este posicionamento desenvolva um latente interesse por várias formas de curas.


Quíron na 5ª Casa

A 5ª Casa é associada a crianças e a jovens, e quem tem este posicionamento pode servir de professor para os jovens. Uma mulher com Quíron nesta posição conseguiu livrar-se da heroína e trabalha agora ajudando adolescentes com problemas de drogas.

Já foi mencionado que o posicionamento de Quíron na casa pode mostrar onde nossos desejos e ansiedades físicas de primeira infância poderiam entrar em conflito com impulsos em direção a algo transcendente, puro e divino. Fiz o mapa de um homem muito religioso com Quíron na 5ª Casa que se torturava com desejos sexuais por meninos e meninas pubescentes. Através de psicoterapia e orações, ele transmutou de forma construtiva esses impulsos, exprimindo seu amor às crianças trabalhando como tutor e conselheiro para adolescentes-problema.

O príncipe Charles nasceu com Quíron em conjunção com o Sol na 5ª Casa, a casa da auto-expressão criativa. Eve Jackson cita parte de uma entrevista por ela concedida: "Desde que eu era criança, interessei-me por assuntos médicos e trabalhos de cura; eu sempre desejei poder curar”. Nos últimos anos, ela tem expressado um sincero e entusiasmado apoio (5ª Casa) pela medicina holística.

  
Quíron na 6ª Casa

De certo modo, Quíron sofria por estar num corpo de que não gostava. Vi esse posicionamento nos mapas de poucas pessoas que se sentiam mal ou limitadas em seu corpo físico. Uma era uma mulher bastante alta, outra era um homem pequeno. No entanto, o tipo de ajuste psicológico que tiveram de fazer contribuiu para a compreensão e a sensibilidade de ambos em relação ao sofrimento alheio. O homem em questão trabalhou muito e produtivamente com pessoas de qualquer idade portadoras de problemas.

Relembrando o enfoque holístico de Quíron com a medicina, este posicionamento aparece freqüentemente nos mapas que vi de terapeutas que trabalham com o corpo - os que usam as técnicas neoreichianas, a massagem e os remédios feitos com ervas etc.

Uma vez que Quíron era tão ligado à arte da sobrevivência, é provável que os que possuem Quíron na 6ª Casa tenham potencial para dominar artes como a de cozinhar, a de costurar ou outro tipo de trabalhos manuais.


 Quíron na 7ª Casa

Com este posicionamento, é possível que a natureza de Quíron possa ser projetada no parceiro, que pode ser encarado como obviamente ferido, tanto física como psicologicamente. Ou pode ser o parceiro que é visto como um tipo de mestre ou de sábio mentor. Inversamente, quem tem Quíron nesta casa poderia agir como professor de outra pessoa.

Os sentimentos de rejeição de Quíron tendem a manifestar-se através de um relacionamento, quando esse planeta está posicionado na 7ª Casa. A dor da separação de uma pessoa amada pode trazer à tona profundas feridas que tocam, sensibilizam e transformam até as pessoas com coração mais duro, ou podem sentir frustrações pela discrepância entre uma noção idealizada do amor e a realidade que se apresenta diante delas.


 Quíron na 8ª Casa

Quem tem Quíron na 8ª Casa pode ser sensível à rejeição sexual ou se sentir deslocado ou confuso a respeito da própria identidade sexual. Fortes desejos libidinosos podem entrar em conflito com suas inclinações mais espirituais e religiosas.

É possível também que eles sejam extremamente receptivos a qualquer dor que paire no ar, e possuam habilidades de cura latentes que deveriam ser encorajados a desenvolver. Alguns são capazes de ensinar aos outros os mais profundos mistérios ou as mais sutis dimensões da vida. A 8ª Casa é associada à morte e quem tem este posicionamento pode querer seguir o exemplo do famoso centauro e escolher a morte de modo pacífico e equânime.


 Quíron na 9ª Casa

A 9ª Casa realça a habilidade de Quíron em aplicar idéias intuitivas e inovadoras de maneira prática. Pessoas com Quíron nessa posição são capazes de se tornar bons professores. O respeitado pensador e astrólogo John Addey nasceu com Quíron em Áries na 9ª Casa em conjunção com o Meio-do-Céu. Deformado por uma espécie de reumatismo incurável, ele trabalhou como professor para deficientes. Mais tarde, em certa ocasião, ele disse que provavelmente não teria sido tão feliz - caso passasse os dias entre o golfe e os cavalos - não fosse por sua doença, que o forçou a ficar parado por um momento e a refletir sobre a vida. Suas feridas impeliram-no a voltar sua atenção para os assuntos da 9ª Casa, como filosofia e astrologia. Com a clareza e a finesse do Quíron mitológico, Addey relacionou os conceitos abstratos e teóricos dos harmônicos de uma maneira prática para a análise de mapas.


 Quíron na 10ª Casa

Qualquer planeta na 10ª Casa estará ligado à carreira e à profissão. Dos sessenta e nove mapas de curadores/terapeutas que Eve Jackson estudou, quinze tinham Quíron na 10ª Casa. Enfim, a função da pessoa no mundo poderia refletir muito bem as qualidades terapêuticas do grego Quíron. No entanto, Quíron era muito inseguro sobre o grupo a que pertencia; ele era meio divino e meio animal, e quem tem Quíron nessa casa pode não ter muita certeza de onde ficar na sociedade e do papel que deve desempenhar no esquema das coisas.

Um Quíron de 10ª Casa também pode indicar um sentimento de rejeição pela mãe e a conseqüente dor psicológica e o crescimento que nasce com essa experiência. É também possível que a mãe tenha levado esta projeção de Quíron; ela é vista como sofredora ou aflita, espelhando de algum modo ou inversamente a natureza filosófica e terapêutica de Quíron.

  
Quíron na 11ª Casa

Os que têm Quíron na 11ª Casa podem estar envolvidos em diversos tipos de correntes de terapias ou centros de cura. Podem ser sensíveis ao sofrimento na sociedade e, talvez, preocupados em ajudar ou ensinar os que são oprimidos e os pobres. Pode haver um medo contínuo de rejeição ou menosprezo dentro de grupos ou amizades, ou algum abalo sofrido com esses envolvimentos. No fim das contas, essa dor poderia agir como catalisador para o melhor conhecimento e compreensão de si mesmo.

Os amigos representam algumas das conotações de Quíron - tanto as pessoas envolvidas em profissão de cura ou ensino, como as que são obviamente vulneráveis psíquica ou fisicamente. Os que têm Quíron nessa casa podem servir de mentor para amigos ou procurar seus sócios em busca de ajuda, de orientação e de apoio.


Quíron na 12ª Casa

No estudo feito por Eve Jackson, a terceira posição mais freqüente de Quíron em mapas de curadores e terapeutas é a 12ª Casa. Destes, notam-se dois grupos distintos: os que praticam a "cura espiritual", como o toque das mãos ou mesmo a cura à distância, e os que primeiro trabalhavam com sonhos e imagens dirigidas. Fiz o mapa de uma pessoa deficiente de nascença com o Sol em conjunção com Quíron na 12ª Casa; agora ela trabalha como psicóloga num hospital (a 12ª Casa é a casa das instituições).

Para os que têm Quíron na 12ª Casa, feridas não curadas podem marcar fundo o inconsciente ou advirem de difíceis experiências pré-natais. O psicólogo Arthur Janov, autor de The Primal Scream ("O grito primitivo") nasceu com Quíron na 12ª em Áries; ele acredita que o modo de religar-se à sua verdadeira força e vitalidade (Áries) é através da liberação de traumas antigos profundamente ameigados.

Os reencarnacionistas podem afirmar que quem tem um Quíron de 12ª Casa teve ligação com curas ou ensinamentos em vidas anteriores. Seja como for, quem possui este posicionamento tem o potencial para abrir a enorme fonte de sabedoria prática que está estocada no íntimo de sua psique.

Quíron e a Astrologia


Em 1977, um pequeno planetóide chamado Quíron foi descoberto entre as órbitas de Saturno e Urano. O aparecimento de um novo corpo celeste anuncia uma mudança de consciência na sociedade e reflete desenvolvimentos históricos cruciais. Por exemplo: a descoberta de Urano em 1781 pode ser ligada a um período de revoluções e rebeliões; a América estava se rebelando contra a Inglaterra, havia lutas de classe na França e Napoleão estava prestes a marchar sobre a Europa. Netuno foi localizado em 1846, coincidindo com a Era Romântica e a ânsia por algo mais ideal do que o início de movimentos para o bem-estar dos pobres, dos jovens, dos doentes e dos necessitados. Em 1848, uma onda de revoluções varreu a Europa. A descoberta de Plutão estava sincronizada com o aparecimento do fascismo e do totalitarismo, e também com o de uma nova ciência, a psicologia, na qual profundidades desconhecidas da mente foram descobertas. Se quisermos saber algo sobre Quíron, podemos nos voltar para a mitologia a fim de descobrir sua conexão com desenvolvimentos críticos na evolução do coletivo. Além do mais, compreender o significado arquetípico de Quíron vai nos capacitar a deduzir seus possíveis efeitos numa casa.

O pai de Quíron foi Saturno; sua mãe, Filira, era uma das filhas de Oceano. De acordo com a lenda, a mulher de Saturno, Réa, surpreendeu o marido e Filira copulando. Para escapar, Saturno transformou-se num garanhão e saiu correndo. O produto dessa união foi Quíron, o primeiro Centauro, nascido com um corpo meio de homem, meio de animal. Perturbada por ter dado à luz ao que ela considerava um monstro, Filira pediu aos deuses que a livrassem de qualquer maneira da responsabilidade da criança recém-nascida. Como resposta eles levaram Quíron e transformaram Filira num limoeiro.

A primeira mágoa de Quíron é a rejeição de sua mãe, e onde quer que Quíron se encontre no mapa (casa), esta é a área em que podemos ser mais sensíveis a rejeições. No nível simbólico, isto pode refletir a "saída do Paraíso", que todos vivemos quando o útero começa suas contrações e nos atira à dura realidade do mundo. Quando nos encontramos num corpo físico separado e distinto, perdemos esse sentido de unidade com toda a vida. O posicionamento de Quíron na casa pode mostrar onde estar num corpo cria um problema - onde os desejos e anseios do nosso físico terrestre podem estar em conflito com impulsos para algo mais transcendente, puro e divino. Quíron, o filho de Saturno, era em parte divino e em parte animal. Nós também somos ou inteiramente um ou o outro, e a posição de Quíron na casa poderia indicar onde esse conflito é sentido mais sutilmente.

Educado pelos deuses, Quíron cresceu para ser muito sábio. Seu lado animal deu-lhe sabedoria terrena e proximidade com a natureza. Ele era o que os índios americanos chamam de xamã, um sábio médico. Bem versado nas propriedades medicinais de várias ervas, ele praticava a cura e a naturopatia. Mas seu conhecimento não se limitava à esfera da cura: ele estudou música, ética, caça, guerra e astrologia. Histórias sobre sua grande sabedoria se espalharam até bem longe e, como era inevitável, vários deuses e mortais de alta estirpe levaram seus filhos para serem educados por Quíron. Tornando-se uma espécie de pai adotivo dos filhos dos deuses, ele foi mestre de Jasão, de Hércules, de Asclépio e de Aquiles, entre outros. Numa excelente palestra sobre Quíron, Eve Jackson salientou que as matérias que mais ensinava eram o bem-estar e a cura. Nesse sentido, ele estava familiarizado em fazer e em curar feridas. A posição de Quíron na casa pode nos mostrar onde fomos feridos ou machucados de algum modo e, através dessa experiência nos fazer obter um tipo de sensibilidade e de autoconhecimento que nos capacita a entender e a ajudar melhor aos outros. Eve Jackson associa a descoberta de Quíron com o nascimento do interesse popular pela psicoterapia, profissão na qual feridas psicológicas doloridas são trazidas à superfície num processo de cura. Na verdade, Quíron aparece num forte posicionamento nos mapas de muitos curadores e terapeutas.

Quíron preparava as pessoas para serem heróis. Não ensinava apenas métodos de sobrevivência, mas também aguçava seus valores culturais e éticos. Seus pupilos estavam aptos a sobreviver no mundo, mas eram também nobres capazes de feitos e de proezas a serviço de seus países ou de um todo maior do qual fizessem parte. A posição de casa de Quíron não só é capaz de indicar onde podemos ensinar os outros, mas também onde o nosso potencial heróico pode manifestar-se - uma área da vida na qual vamos além do normal, sem perder o contato com a "vida real". A órbita de Quíron passa entre Saturno e Urano, e proporciona uma ligação entre esses dois princípios.

Na casa de Quíron, é possível que Urano apresente novas idéias e que as revelações possam ser aplicadas de forma prática e dentro daquilo que é aceitável pelo já estabelecido. Quíron casa instinto com inteligência; em sua casa, podemos ser intuitivos, inventivos, e também ter os pés bem postos no chão.

Bebendo com alguns centauros rancorosos, Hércules feriu acidentalmente Quíron no joelho com uma seta envenenada. O veneno era da tenebrosa Hidra e fez uma ferida incurável até mesmo para a medicina de Quíron. Temos aqui um fenômeno curioso: o grande médico sofrendo com uma ferida que não podia ser curada. Notei que Quíron muitas vezes está bem proeminente nos mapas de pessoas incapacitadas, muitas das quais conseguem dar sentido às suas vidas servindo aos outros. Parece também que os melhores terapeutas são aqueles que têm mais conhecimento de suas próprias imperfeições psicológicas e de suas neuroses. Em seu livro, Power and The Helping Professions, Adolf Guggenbühl Craig mostra "que o paciente tem um médico dentro dele mesmo, mas que também o médico tem um paciente dentro de si". O curador que está em contato com a sua própria dor e fraqueza é mais capaz de ajudar pacientes que envolvam o curador que existe dentro deles.

Como prêmio por todos os serviços que prestou, Quíron recebeu o dom divino da imortalidade. Por isso, ele estava numa posição muito estranha não podia nem curar sua ferida nem morrer. Finalmente, foi encontrada uma solução para a sua situação. Prometeu havia sido banido para os mundos inferiores como castigo por ter roubado o fogo dos deuses. Sua soltura estava condicionada a alguém ficar em seu lugar no Tártaro. Quíron, não querendo mais ser imortal, concordou em trocar de lugar com Prometeu. Nesse sentido, Quíron e Prometeu necessitavam um do outro. Eles representam a fusão de dois tipos diferentes de sabedoria: Quíron pegou a sabedoria terrena e a usou para propósitos mais elevados, enquanto Prometeu tirou o fogo dos deuses, símbolo da visão criativa, e o trouxe para a Terra. A casa de Quíron é onde temos necessidade de integrar a visão do fogo com o senso comum prático.

Quíron escolheu a morte. Ele aceitou calmamente a sua necessidade, preparando-se para ela de modo a encarar essa realidade de uma forma pacífica e nobre. Parcialmente inspirado pelo trabalho de Elizabeth Kübler-Ross, este conceito de aceitar e de se preparar para a morte chamou a atenção de muito mais pessoas. A atitude de Quíron com relação à morte e seu entendimento holístico acerca da saúde, da cura e da educação, são os sinais dos nossos tempos.


Ainda é muito cedo para saber a regência do signo de Quíron. Devido à sua condição de Centauro, alguns astrólogos acreditam que Quíron deveria ser associado a Sagitário. Outros acham o signo de Virgem mais apropriado, por sua associação com curas e com a sabedoria prática. Os atuais avanços tecnológicos em computação e métodos de pesquisas estatísticas estão sendo aplicados para avaliar o significado de Quíron; neste meio tempo, esperamos que os breves exemplos que se seguem dos possíveis efeitos de Quíron nas diversas casas lance alguma luz sobre a sua influência no mapa.

Nodo Lunar e as Casas



Nodo Lunar Norte na 1ª Casa, Nodo Lunar Sul na 7ª.

Essas pessoas deveriam aprender a ficar de pé sobre seus próprios pés, tomando decisões e fazendo escolhas baseadas naquilo que necessitam ou querem para si mesmas. Elas têm de honrar quem são. A linha de menor resistência permite que outros as dominem e se ajustem demais tentando ser o que os outros precisam ou querem que elas sejam.

  
Nodo Lunar Sul na 1ª Casa, Nodo Lunar Norte na 7ª.

Essas pessoas têm a tendência de viverem demais para si mesmas, só olhando para fora à procura do Número Um. Precisam aprender mais sobre cooperação e compromisso, adaptando-se mais facilmente ao que os outros necessitam e requerem, especialmente em relacionamentos íntimos e no casamento.
  

Nodo Lunar Norte na 2ª Casa, Nodo Lunar Sul na 8ª.

Tais pessoas deveriam desenvolver seus próprios recursos e valores em vez de confiar nos recursos e valores alheios. Há a necessidade de ganhar dinheiro por seus próprios meios, mesmo que possam viver sem problemas com o que ganham de outros. Desta forma, desenvolvem um sentido mais verdadeiro de seu próprio valor. Há uma necessidade de entender a si mesmas e de aceitar o mundo da forma e da matéria.


Nodo Lunar Sul na 2ª Casa, Nodo Lunar Norte na 8ª.

Nesta situação, as pessoas podem ter sistemas de valores muito rígidos, que precisam ser alterados levando em consideração os pontos de vista e as crenças de outras pessoas. Alguns podem achar que, permitir que outros os ajudem ou mantenham seja um sinal de fraqueza, e que a auto-suficiência em tudo é a prioridade. Deveriam tentar ajudar os outros a desenvolverem um maior sentido de valor próprio. Podem ter de aprender que dores e crises, antes de serem coisas a evitar a qualquer custo, muitas vezes trazem oportunidades para crescimento e mudanças positivas.


Nodo Lunar Norte na 3ª Casa, Nodo Lunar Sul na 9ª.

Existe a necessidade de desenvolver a capacidade de pensar de modo racional e lógico em vez de ser dirigido demais pela fé cega. Sua visão intuitiva pode ser boa; o problema é integrá-la à vida de todo dia. Vale a pena explorar todas as possibilidades que têm à mão e aquilo que o ambiente próximo tem a oferecer, antes de comer para longe à procura do que querem.


Nodo Lunar Sul na 3ª Casa, Nodo Lunar Norte na 9ª.

Pode haver ênfase demais na mente racional e lógica e ter de desenvolver o lado mais intuitivo, criativo e sensível do cérebro. Há o perigo de ser provinciano demais, e eles deveriam expandir seu conhecimento explorando outras culturas e sistemas de crença, não ficando apenas naquelas que conheceram durante a infância.


Nodo Lunar Norte na 4ª Casa, Nodo Lunar Sul na 10ª.

O crescimento vem através de "trabalho interior" do self. Em vez de ficar se aquecendo com as realizações alheias, na berlinda, essas pessoas deveriam dar um tempo para desenvolver as esferas privadas e pessoais da vida, especialmente no ambiente familiar. Explicando: o lar e a alisa não deveriam ser negligenciados pelo sucesso mundano. São encorajadas atividades que alimentem a vida sentimental da pessoa e que aumentem seu autoconhecimento psicológico.


Nodo Lunar Sul na 4ª Casa, Nodo Lunar Norte na 10ª.

É necessário aventurar-se para fora da base do lar e equilibrar tendências a introspecções mórbidas ou a esconder o self, encontrando empregos ou carreiras que de algum modo sirvam à coletividade. No mapa de uma mulher, isso indica que ser apenas dona-de-casa não é suficiente. Tendências à reclusão ou à introversão podem rivalizar com a necessidade de desenvolver o sentido da própria autoridade, poder e utilidade através de uma carreira.

  
Nodo Lunar Norte na 5ª Casa, Nodo Lunar Sul na 11ª.

Há necessidade de desenvolver mais a própria criatividade dando mais expressão espontânea ao self e aos sentimentos. O que quer que aumente o seu sentido de ser especial e único pode ser encorajado, em vez de se misturar à multidão. Assumir metas e objetivos comunitários em vez de definir suas próprias necessidades e desejos pode vir em detrimento da individuação. Explicando melhor: é mais fácil ser levado pelos outros do que manter-se de pé por si mesmo.


Nodo Lunar Sul na 5ª Casa, Nodo Lunar Norte na 11ª.

Estas pessoas deveriam ser encorajadas a se envolver em empreendimentos grupais. Existe a necessidade de desenvolver um conhecimento social e/ou político, de promover uma causa comum, em vez de ficar preocupado apenas com seus próprios casos e interesses.


Nodo Lunar Norte na 6ª Casa, Nodo Lunar Sul na 12ª.

É preciso prestar mais atenção ao eficiente e prático direcionamento da vida de cada dia. Não aceitar as responsabilidades da existência mundana pode provocar muito sonho acordado ou o secreto desejo de serem libertados, salvos e mantidos pelos outros: Desenvolver e aprimorar suas qualidades, talentos, recursos e capacidades práticas proporcionará mais satisfação. O corpo precisa ser cuidado e respeitado.



Nodo Lunar Sul na 6ª Casa, Nodo Lunar Norte na 12ª.

É preciso mais simpatia e compreensão para com os outros a fim de equilibrar uma natureza por demais crítica e julgadora. Tais pessoas podem ser controladas e racionais demais, só acreditando naquilo que pode ser visto, provado, medido ou testado. O "coração" precisa ser aberto para que se sintam ligadas a algo maior que elas próprias. Neste sentido, a vida se toma mais rica e significativa.

Nodos Lunares


A Lua circunda a Terra a cada mês, cruzando o plano da eclíptica duas vezes: uma, quando ascende do sul para o norte, e outra, duas semanas depois, quando desce do norte para o sul, do lado oposto do zodíaco. O ponto ascendente é o norte, também conhecido como Rahu, Caput draconis ou Cabeça do dragão. O ponto descendente é o nodo sul, também chamado de Ketu, Cauda draconis ou Cauda do dragão. O nodo lunar norte e o nodo lunar sul caem sempre em signos e casas opostos.

Uma vez que os nodos da Lua ocorrem quando a Lua cruza a aparente passagem do Sol em torno da Terra, eles simbolicamente unem o Sol, a Lua e a Terra. Visto dessa maneira, as casas iluminadas pelo eixo nodal indicam as esferas da vida onde podemos fundir ou integrar com sucesso os princípios complementares do Sol e da Lua dentro da personalidade. Uma breve recapitulação dos conflitos inerentes ao modo de proceder do Sol e da Lua mostrará com mais clareza a função dos nodos.

Ishtar, a típica deusa lunar, era adorada como "a que tudo aceita". Às vezes representada como uma prostituta que "se entregava" a qualquer pessoa que passasse, suas imagens eram colocadas nas janelas dos lares da antiga Babilônia. De maneira indiscriminada e sem escolher, Ishtar estava sempre bem com o que acontecia. Se se sentia alegre, entregava-se à alegria; se sentia dor, entregava-se à dor. Nesse sentido, a Lua é identificada com as emoções e os sentimentos e com as necessidades instintivas do corpo.

Agindo fora de hábitos adquiridos ou de impressões guardadas na memória, a Lua representa um puxão para trás, para o passado. Experiências passadas condicionam nossas expectativas e nosso comportamento ulterior. Se quando crianças só tivemos a atenção total de nossa mãe quando estávamos doentes, então a impressão que ficou e que está gravada no inconsciente é a de que, para sermos notados, temos de ficar doentes. Mais tarde, na vida, podemos instintivamente ficar doentes quando achamos que precisamos de atenção. Nesse sentido, a Lua é repetitiva e "preguiçosa". Mas muitas das impressões de memória da Lua guardadas do passado podem ser usadas mais tarde; o modo de proceder da Lua permite-nos sacar de um reservatório de sabedoria instintiva - adquirida não só na primeira infância, mas herdada de nosso passado ancestral e animal, e codificada em cada célula de nosso corpo. A casa ocupada pelo nodo lunar sul é uma esfera na qual, para o bem ou para o mal, agimos instintivamente e por hábito.

Complementando o princípio da Lua, o Sol representa o Herói. O herói não se deixa necessariamente seduzir pela deusa Lua. O Sol ou o caráter heróico é uma proposta da vontade - o "instrumento do futuro" - enquanto a Lua se alinha com a memória - "o instrumento do passado". A vontade sugere resolução, determinação e autogeração, em vez de um comportamento reativo. Resistindo ao puxão do passado, o Sol tem o poder de provocar mudanças, efetua a escolha e, espontaneamente, inaugura uma série de ações sucessivas. Enquanto a Lua é varrida por sentimentos e instintos, o Sol prefere criar a situação como lhe convém, guiado pelo rumo que quer tomar. A casa em que se encontra o nodo lunar norte requer o exercício do caráter heróico do Sol. Esta área da vida é um novo campo de experiência indicado para nós, para ser explorado e conquistado. Desenvolver-nos nesta área traz à tona potencialidades intocadas e aumenta o nosso repertório de habilidades. Ao alcançar este domínio, criamos novas experiências para nós mesmos e geramos novas possibilidades. O esforço para dominar e expandir a nós mesmos nesse espectro de vida inspira um profundo senso de propósito e de direção.

Pode-se fazer uma analogia entre os nodos lunares norte e sul com o cérebro humano. Uma parte do cérebro guarda aquilo que é congênito e instintivo e serve para manter o organismo. No entanto, uma outra área do cérebro - o córtex cerebral - é um desenvolvimento de evolução mais recente. O córtex não é necessário para manter a vida; ele pode ser removido e ainda assim os processos vitais, tais como o funcionamento do coração, da digestão, os pulmões e o metabolismo, vão continuar. O córtex serve a um propósito diferente e, no entanto, muito importante - ele governa as mais altas capacidades psicológicas dos humanos, tais como o pensamento, a imaginação e a organização de experiências. Com o desenvolvimento do córtex cerebral, não somos mais obrigados a ter uma vida instintiva e estereotipada, mas ganhamos a capacidade de sermos auto-reflexivos. O córtex capacita-nos a ter a consciência de que estamos conscientes. Podemos imaginar diversas possibilidades e escolher a desejada. Pode parecer que o nodo lunar sul corresponde à parte instintiva do cérebro, enquanto o nodo lunar norte está ligado ao córtex cerebral.

Para abrir a porta para a casa do nodo lunar norte, primeiro precisamos superar a tendência de ficar em demasia, ou de sermos sugestionados, na área da vida, pelo posicionamento oposto, a casa do nodo lunar sul. O nodo lunar sul é o domínio das capacidades já desenvolvidas. Como a deusa da Lua, somos levados instintivamente, e por hábito, a essa esfera. Ele serve como uma espécie de lugar de descanso, uma área da vida onde podemos digerir as experiências e recarregar nossas baterias antes de embarcar para um território novo e desconhecido. É meu dever enfatizar que muitos dos padrões pré-codificados e a capacidade do signo e posicionamento por casa do nodo lunar norte são, sem nenhuma dúvida, preciosos e não devem ser descartados e negligenciados indevidamente. Mas algumas dessas tendências podem estar gastas e ainda são seguidas porque é mais fácil. A porta da casa do nodo lunar sul abre-se facilmente e podemos escapar inconscientemente para dentro de seu domínio a fim de evitar o problema do crescimento em outras direções. Entrar na casa do nodo lunar norte dá mais trabalho; a chave é virada pelo exercício da vontade e pelo esforço da escolha. Pessoas preguiçosas não passam nem pela sua soleira.


As casas trazidas à baila pelo eixo nodal fornecem-nos os campos de experiência que nos despertam para o conflito arquetípico entre o comportamento inconsciente habitual (a Lua) e a escolha consciente (o Sol). O nodo lunar sul representa aquilo que já estava na bagagem quando a jornada começou. Nós o temos à nossa disposição. O nodo lunar norte aponta para novas aquisições e para a prosperidade que podemos adquirir pelo caminho, contanto que estejamos dispostos a pagar o preço e a fazer o esforço de comprar. Esta não deve ser uma situação entre isto-ou-aquilo, entre as esferas dos nodos lunares norte e sul. É possível e preferível uma situação do tipo isto-e-aquilo. Mas se o campo de experiência associado ao nodo lunar sul é excedido à custa do nodo lunar norte, então o crescimento é vagaroso. Nós não pegamos nada de novo durante a trajetória.

Plutão na 12ª Casa

Com Plutão na 12ª Casa há uma necessidade premente de trazer o que é fraco, oculto ou não revelado na psique para uma análise mais clara. Como com Plutão na 8ª Casa, algumas pessoas podem ter tanto medo de serem sobrepujadas pela natureza ou pela intensidade de seus mais profundos desejes e complexos que exercem um rígido controle sobre eles. No entanto, muitas vezes não apenas impulsos "neuróticos" são suprimidos mas também desejos saudáveis e positivos. O psicólogo Abraham Maslow mostrou que muitas pessoas não evitam aquilo que julgam negativo dentro delas, mas também bloqueiam o que é "divino" e louvável. Ele chama a isso de "complexo de Jonas": o medo de nossa própria grandeza. Por experiência própria, certos indivíduos com Plutão na 12ª Casa defendem-se não só contra os assim chamados desejos "baixos" ou carnais, mas também dos impulsos positivos tais como desejos de desenvolver "melhores" possibilidades mais completamente ou de realizar melhor suas potencialidades inatas. Para parafrasear Maslow, eles têm medo de tornar-se aquilo que vislumbram em seus momentos de maior perfeição. Por quê?

Laconicamente, a resposta é ansiedade da morte. Qualquer mudança torna-os muito ansiosos, pois ela significa a dissolução daquilo que já sabem que são. O crescimento requer inevitavelmente a quebra de padrões existentes ou o abandono de tudo o que nos é familiar, e em algum nível profundo eles comparam esse tipo de mudanças à própria morte. Uma parte deles anseia desesperadamente por crescimento e desenvolvimento, enquanto a outra parte fica de plantão para proteger o que eles inconscientemente acreditam que esteja tentando matá-los. Até que se situem e façam as pazes com o profundo pavor existencial de não-ser, eles ficarão dirigindo seu medo para qualquer coisa que pareça tentar mudá-los. Até que saibam que têm medo de morrer, não podem viver de forma plena.

Roberto Assagioli, o fundador da Psicossíntese, uma abordagem transpessoal do desenvolvimento humano, nasceu com Plutão em Gêmeos na 12ª Casa. Acreditando que Freud concentrou-se demais apenas nos "alicerces" do ser humano, Assagioli planejou seu próprio sistema psicológico, que considera todos os andares da construção. Um principio básico da Psicossíntese reflete o significado de um Plutão de 12ª Casa: que todos os elementos da psique - tanto o claro como o escuro - podem ser conscientemente reconhecidos, experimentados, aceitos e integrados ao conhecimento. Através da análise de sonhos, de introspecção, de terapias e de vários exercícios e técnicas, quem tem Plutão na 12ª Casa pode soltar a energia fechada em complexos inconscientes e redirecioná-la para o fortalecimento e a construção da personalidade como um todo, incluindo suas faculdades "mais elevadas" tanto intuitivas quanto emocionais. Contanto que possam derrubar e lidar com sua ansiedade em relação à morte, as pessoas com Plutão na 12ª Casa estão muito bem equipadas para procurar o que está fraco, bloqueado, escondido, ou aquilo que está faltando na psique. Na verdade, não existe local mais apropriado para exercitarem a natureza investigativa inata de Plutão do que a casa dos "inimigos secretos" e as "atividades por baixo do pano". E antes de ficar esperando que raivosas ou negligenciadas partes de suas próprias psiques saiam atrás delas, são muito aconselhadas a sair à caça delas primeiro.

Na 12ª Casa, a energia destrutiva associada a Plutão pode ser usada para remover o que é obsoleto em detrimento de um novo crescimento. Ou sua energia destrutiva pode ser deslocada de uma forma inadequada e solta traiçoeiramente, voltando-a perigosamente contra si mesmos. A dificuldade dos que têm Plutão na 12ª Casa, no entanto, é que eles não estão simplesmente lidando com seu inconsciente pessoal, mas com o inconsciente coletivo.

Um modelo médico contemporâneo teoriza que bactérias e viroses nocivas estão sempre presentes no sistema físico, mas que a pessoa saudável ou forte tem capacidade para se defender delas. Da mesma maneira, a tensão existe em toda a sociedade, mas algumas pessoas têm mais habilidade que outras para prevenir-se, evitando que entrem em seus sistemas. Quem tem Plutão na 12ª Casa é mais sensível ao que é sombrio, destrutivo ou irresistível na atmosfera do que outra, digamos, que tenha uma Vênus bem-aspectada na 12ª Casa. Enquanto uma Vênus ali pode achar que "há romance no ar", o que um Plutão sente neste posicionamento? Alguns deles podem ser inconscientemente "tomados" por aquilo que outras pessoas reprimiram - impulsos sexuais, ódio, hostilidade etc. Não é nada incomum uma criança com este posicionamento, por exemplo, fazer o papel de bode expiatório da família ou de "o paciente identificado". Quando há muita tensão no lar, ela é que fica doente ou põe fogo na escola. Começar uma conflagração serve a dois propósitos: dá uma expressão concreta às emoções que ela sente ao seu redor e serve também para afastar os pais de seus problemas interpessoais. Quem tem Plutão na 12ª Casa pode dar mais sentido às suas ações e a seu comportamento quando vê aquilo que faz e sente em ralação a um esquema mais amplo.

A 12ª Casa representa uma integridade maior com o todo do qual saímos e para o qual nascemos; Plutão ali precisa contentar-se com os mais desagradáveis aspectos de sua herança: a sombra coletiva, aquela que a sociedade como um todo acha feia e inaceitável. Eles são chamados para tomar conhecimento, para integrar e, se possível, transmutar a raiva, o ódio e o instinto de destruição acumulado durante séculos. Neste sentido, estão carregados do lixo da sociedade. Ou põem para fora a sombra coletiva, soltando com isso a energia acumulada, ou guardam tudo dentro de si e encontram alguma maneira de transformá-la e de redirecioná-la de uma forma criativa. Dois exemplos devem esclarecer bem o que isso significa. Albert Speer, o nazista que serviu no Ministério da Guerra, cuidando da produção de armas para Hitler, nasceu com Plutão na 12ª Casa, regente de Escorpião na 5ª, a casa da auto-expressão. Era ele quem fornecia as armas, no sentido quase literal, armas através das quais o ódio e a agressão coletivas podiam se expandir. 

Algumas pessoas com Plutão na 12ª Casa podem trabalhar para transformar instituições arcaicas, ou fazem campanhas para modificar leis que não funcionam mais como deveriam. Muitas vezes, de modo misterioso ou obscuro, elas facilitam mudanças no nível coletivo. Num questionário organizado por Marilyn Ferguson, autora de The Aquarian Conspiracy ("A conspiração aquariana") havia a pergunta de quem tinha influenciado mais a sua vida. Encabeçando a lista, estava Pierre Teilhard de Chardin, com cinco planetas, inclusive Plutão, na sua 12ª Casa (Assagioli também estava mencionado em 7° lugar).

Periódicos afastamentos podem ser necessários, a fim de ordenar complexos emocionais causados pelas interações sociais. Eles podem ser significativamente afetados por brigas com instituições, tais como o confinamento em hospitais ou prisões. Assagioli (Plutão em Gêmeos na 12ª Casa) foi posto na prisão nos anos 30 porque sua crença humanitária e filosófica ameaçava o governo fascista da Itália na época. Ao ser solto, contou aos amigos que esse havia sido um dos períodos mais benéficos e criativos de sua vida. O escritor americano O. Henry passou três anos na cadeia escrevendo alguns contos dos mais apreciados na América; ele tinha Plutão na 12ª Casa.

Como sugerem esses exemplos, Plutão aqui propicia a capacidade de transformar uma crise em algo produtivo e prático, ou fazer o melhor da mais limitadora ou restritiva das circunstâncias. Assagioli escreveu que muitas vezes é durante as crises que a pessoa descobre a vontade (Plutão), despertando para o conhecimento de que ela é um "sujeito vivo, um agente, dotado do poder de escolha". Mesmo que quem tenha Plutão na 12ª Casa não possa mudar uma situação infeliz, ele ainda pode escolher que atitude tomar diante dela. Ele tem a capacidade de aprender com os erros e os revezes e de entender á necessidade de terminar um ciclo ou fase da existência para que outro possa começar. A este respeito, um Plutão de 12ª Casa lembra um dos ditos de Nietzsche: "O que não me mata, torna-me mais forte”. Mesmo o sofrimento e a dor podem fazer sentido, se tornam a pessoa mais íntegra.

Escorpião na cúspide ou contido na 12ª é semelhante a Plutão ali.

Plutão na 11ª Casa


O filósofo e historiador Will Durant escreveu que "o significado da vida reside na possibilidade que ela nos dá de produzir ou de contribuir para algo maior que nós mesmos". Para muitas pessoas, a família serve a este propósito; mas para outras poderia ser um grupo que traz à tona o potencial de nobreza da pessoa e lhe dá "uma causa pela qual trabalhar que não será abalada pela sua morte". Por um lado, essas idéias englobam os mais altos propósitos de um Plutão de 11ª Casa: ser capaz de se dedicar a algo maior do que eles próprios e que vai continuar para sempre.

Espera-se que os grupos derrubem fronteiras e mudem quem tem Plutão na 11ª Casa. Por esta razão, algumas pessoas com esse posicionamento têm muitos problemas e se sentem pouco à vontade em grupos. A energia destruidora de Plutão pode ser projetada no grupo e elas sentem que o grupo está tentando destruí-las. Profundos complexos emocionais são trazidos à tona através de situações grupais; eis o motivo pelo qual esta é a área da vida através da qual importantes transformações psicológicas podem ocorrer. Embora seja possível parecer uma experiência atemorizante para essas pessoas, elas podem beneficiar-se muito do tipo de terapia de grupo, onde as tendências ocultas ativadas pelo grupo tendem a ser discutidas abertamente. Às vezes, elas acabam sendo o bode expiatório ou "a sombra do grupo", botando para fora aquilo que os outros reprimem ou negam.

Quem tem Plutão na 11ª Casa poderia ser levado a grupos interessados na reforma radical de estruturas e instituições existentes na sociedade. Outros poderiam estar mais interessados em grupos ligados ao crescimento psicológico, como Jerry Rubin, o político americano ativista dos anos 60, que nasceu com Plutão em Câncer na 11ª Casa. Mais tarde, como muitas vezes acontece com Plutão nessa casa, a casa das metas e dos objetivos, ele mudou e se ligou a grupos de orientação mais filosófica e psicológica. Jean Houston, uma conhecida psicóloga humanista, orienta grupos sobre como ser um ser humano mais completamente realizado e maior. Ela também tem Plutão na 11ª Casa. Notei que grande número de músicos e regentes têm este posicionamento de Plutão - a banda ou a orquestra é o grupo, essencial para seu trabalho e expressão. Em certos casos, é possível que alguém com Plutão ali se junte ao grupo como 5ª coluna, com o propósito de miná-lo e infiltrá-lo. Os motivos nem sempre são tão explícitos quando se trata de Plutão.

Zelar por uma boa causa é sempre algo positivo, mas um aspecto difícil de Plutão na 11ª Casa poderia trazer o que alguns psicólogos chamam de "cruzadeirismo". Essas pessoas são manifestantes em busca de uma saída, abraçando compulsivamente uma causa após outra. Os motivos de tão resistente ativismo podem ser examinados para ver se elas não estão mascarando algum medo profundo sobre a falta de propósito de suas vidas.

Plutão na 11ª Casa também se revela através das amizades. Numa nota positiva, isso poderia significar uma profunda amizade, capaz de durar muitos anos e atravessar períodos de crise e de mudança: porém, invariavelmente, existem grandes complicações para a amizade com Plutão aqui. A traição tende a ser um problema. Eles podem ter sido decepcionados ou abandonados por alguém em quem confiavam e descobrir que eles próprios são capazes de ser rudes e de agredir alguém. O famoso gangster John Dillinger, traído pela "dama de vermelho", nasceu com Plutão nesta casa regente de Escorpião na 5ª Casa, a casa do romance. Os grupos a que ele pertencia eram plutonianos, isto é, do submundo ou mundo inferior.

Rivalidade sexual ou tendências sexuais entre amigos ocorrem com Plutão nesta casa. Uma amizade pode começar com um relacionamento sexual e transformar-se em outra coisa, ou vice-versa. A perda ou a morte de um amigo pode despertar uma série de problemas psicológicos e filosóficos. Conflitos de poder entre amigos também são possíveis com este posicionamento. Eles podem temer que, embora controlem o relacionamento, o amigo venha a fazer algo capaz de feri-los.

Com Plutão na 11ª Casa, a razão de fazer amigos deveria ser examinada. Existem motivos secretos ou profundos para ser amigo particular de uma pessoa? Eles também podem achar que, ao contrário, um amigo trapaceia a esse respeito.

A 11ª Casa também está relacionada com as metas e os objetivos de uma pessoa na vida e com os ideais que se deseja realizar no futuro. Com Plutão ali, toda a maneira pela qual eles se colocam a respeito de realizar suas metas e objetivos pode precisar ser examinada e revista periodicamente. Alguns mostram uma inabalável e aguda concentração, enquanto outros se inclinam para uma obsessão que justifica qualquer tipo de rudeza e falsidade a fim de assegurar seus desígnios. Em dado momento, pode haver uma significativa reorientação de seu sentido de propósito, direção ou do papel que vão desempenhar num mais amplo esquema de coisas.


Se Plutão tem muitos maus aspectos, eles podem ficar confusos sobre onde se encaixam no coletivo em geral. Alguns tendem a se sentir isolados ou sozinhos, como se o fluxo da história estivesse indo numa direção diferente daquela que eles estão querendo tomar. Liz Greene refere-se a esta posição como aos "profetas de mau agouro", que olham para o futuro e só vêem destruição. Em vez de ver o que está ocorrendo de bom, eles primeiro olham o que está indo mal, ou percebem as ocultas sementes da destruição naquilo que parece o melhor e o mais claro dos planos. Como Cassandra na mitologia grega, podem achar que os outros não querem ouvir a respeito do que vêem.

Plutão na 10ª Casa - Escorpião no Meio do Céu

Se tomarmos a 10ª Casa como representando a mãe, então Plutão nesta posição pode mostrar uma mãe sombria, ameaçadora e capaz de destruí-los. Ela pode ser considerada uma bruxa, ou alguém primitivo, rude e manipulador. Eles tendem a sentir na mãe um ódio intenso e uma frustração ou sexualidade contida emanando dela. Sentem como se a mãe estivesse sempre ali, observando-os, mesmo que não esteja fisicamente presente. Enfim, ela é considerada perigosa e não confiável. No entanto, na realidade, ela pode não ser esse tipo de pessoa, mas a criança com Plutão nessa casa, em certos casos pode vivenciá-la predominantemente desse modo. Ou às vezes a morte prematura ou a perda da mãe são a raiz de futuros problemas na vida.

Como já foi dito na análise geral da 10ª Casa, nossas primeiras experiências com a mãe (nosso primeiro invólucro) contribuem para a maneira como vamos nos relacionar com o invólucro maior da sociedade. Se a imagem associada a uma mãe plutônica negativa é projetada no mundo, então essas pessoas vão temer que o mundo seja um lugar perigoso que tentará destruí-los. Alguns com esse posicionamento tendem a reagir a isso fugindo da sociedade e tendo o menor contato possível com o mundo. Outros compensarão o pavor de serem devorados com uma necessidade obsessiva de poder e de controle sobre os outros. Tentando conseguir novamente o sentido perdido da onipotência infantil, eles desejam estender seus territórios de influência o máximo possível sobre o mundo. Se eles é que mandam, quando eles são a autoridade, então se sentem seguros. Sua necessidade de poder pode ser tão premente que quaisquer meios justificarão a realização dos fins, como no caso do presidente Nixon, com Plutão na 10ª Casa. Ali também existe a desconfiança de quem quer que tenha autoridade sobre eles, um desejo de derrubar e destruir os que mandam antes que seja tarde. Por todas essas razões, quem tem Plutão na 10ª Casa sente a necessidade de reavaliar e de chegar a um entendimento mais profundo de seus motivos psicológicos ocultos de ambição, poder e sucesso mundano.

É claro que a descrição acima é uma explicação unilateral de Plutão projetada negativamente. É possível que a mãe tenha uma associação positiva com Plutão. Ela poderia ser vista como a grande doadora de vida, e vivenciada como fonte de conforto e de apoio excepcionalmente forte em todas as contingências do dia-a-dia. Algumas pessoas que conheço com este posicionamento observaram a mãe defrontar-se com sucesso com uma crise pessoal ou com um profundo trauma, e ficaram mais impressionados com sua habilidade de lidar com a adversidade e de sair mais renovada e regenerada. A mãe tornou-se então o protótipo positivo para futuras experiências desafiadoras com as quais tiveram de se defrontar. Desse modo, como adultos, com Plutão na 10ª Casa, desenvolveram qualidades de firmeza, vontade e resistência em relação aos outros.

O posicionamento de Plutão num mapa é onde periodicamente derrubamos, destruímos ou alteramos as circunstâncias existentes a fim de criar novas. É onde podemos ser reduzidos a nada a fim de levantar outra vez. Não só Nixon o fez, mas o chefe de sua equipe, H. R. Haldeman, nasceu com Plutão na 10ª Casa regendo a 3ª. Ele foi julgado por conspiração e ficou um ano e meio preso; foi quando escreveu o livro The Ends of Power ("Os fins do poder"). A atriz Elizabeth Taylor, cuja vida e carreira têm muitos altos e baixos, também nasceu com Plutão nessa casa. Em alguns casos, esse Plutão pode indicar a perda ou o abandono de uma carreira estabelecida e a necessidade de ingressar numa carreira de natureza completamente diferente.

Quem tem Plutão na 10ª Casa procura, em última instância, uma carreira profundamente engajante, significativa e excitante. Ou o trabalho é de natureza plutoniana ou seu enfoque será de um tipo de intensidade e complexidade associado a esse planeta. Alguns podem ser responsáveis pela reforma de instituições sociais já existentes, mas que estão velhas e ultrapassadas. Outros campos relacionados com Plutão são a medicina, a psicologia e trabalhos de ocultismo e psíquicos (Uri Geller, o famoso entortador de garfos, tem Plutão aqui), investigações científicas e jornalismo, política, mineração, pesquisa atômica etc. Fiz o mapa de duas pessoas com Plutão na 10ª Casa que trabalhavam em empresas onde não lhes era permitido revelar a natureza exata de seus trabalhos. (Uma delas tinha Escorpião na cúspide da 3ª Casa e falava russo fluentemente.) Outros podem seguir carreiras que reflitam o lado obscuro da sociedade - tal como a prostituição, o crime e o envolvimento com o submundo.

Ocasionalmente, cruzo com pessoas que têm Plutão na 10ª Casa e que dizem não ter ambição. Depois de conversar algum tempo com elas, torna-se claro que ainda se vêem como "pequenas" comparadas com o grande e poderoso mundo (a mãe) de fora. Normalmente são frustradas em algum nível pela falta de influência que exercem ou pelos empregos chatos em que se encontram. Em certos casos, aposto como algumas pessoas com Plutão na 10ª Casa não vão encontrar sua verdadeira vocação enquanto não forem capazes de usar seus poderes sabiamente e pelo bem de um de grupo mais amplo, em vez de usá-los somente para fins pessoais.


Escorpião no Meio-do-Céu ou contido na 10ª Casa é semelhante a Plutão nessa casa.

Plutão na 9ª Casa

Observei que, em geral, as pessoas encaram a casa na qual Plutão se encontra de duas maneiras francas, mas diferentes. Alguns se atiram para as coisas da casa, lutando com as implicações mais profundas deste campo e, inevitavelmente, saem mudados e transformados pelas experiências que viveram ali. Outros, tentando preservar seu senso de self e temendo o que o planeta possa fazer a eles, fecham a porta e tentam chutar Plutão para fora de casa de qualquer jeito, esquecidos de que ele tem uma habilidade fora de série para quebrar fechaduras.

Essa mesma dinâmica aplica-se a Plutão na 9ª Casa. De um lado, o desafio de quem tem este posicionamento é alcançar Plutão no que se refere a um conhecimento mais profundo dos fatos básicos relativos à vida. Com Plutão nessa casa, soluções religiosas e filosóficas muitas vezes são encaradas com seriedade e reverência, como se sua sobrevivência dependesse de chegar a dominar a natureza de Deus ou da existência. O desejo espiritual nessas pessoas pode ser obsessivo e fanático; elas muitas vezes são vorazes em encontrar respostas e em descobrir leis e modelos básicos e irrefutáveis que governam a vida. Na busca da verdade procuram grandes alturas ou sondam as sombrias correntes e profundezas da psique. Mas o que estão mesmo procurando é um chão debaixo de seus pés. Como se pode encarar a vida sem algo sobre o que firmar os pés? Mesmo que o chão seja escorregadio ou irregular, ainda é melhor do que nenhum.

Mesmo que pareça que a vida não tem determinação e que não há nenhum desígnio ou estrutura preordenada de existência, quem tem Plutão na 9ª Casa precisa encontrar ou criar um significado, desesperadamente. Mas Plutão também é um grande destruidor e, mais cedo ou mais tarde, suas filosofias podem estar sujeitas a algum tipo de purgatório ou ser derrubadas e reconstruídas. Neste sentido, os que têm Plutão na 9ª Casa algumas vezes são injustiçados ou destratados por suas crenças ou religiões. O colapso de um sistema de crença pode ser uma experiência traumatizante, lançando-os em profundo desespero e depressão até que renasçam novamente através de outra crença.

Seu dogmatismo e seu rigor consigo mesmos podem provir do medo de que, se a filosofia de outra pessoa contradiz a sua, então aquilo em que acreditam pode ter de ser questionado. Antes de ameaçar a santidade daquilo que veneram e adoram, podem tentar controlar aquilo em que todos acreditam ou trazer todos para seu lado. O ditador espanhol Francisco Franco nasceu com Plutão na 9ª casa regente de Escorpião na cúspide da 3ª.

A imagem de Deus muitas vezes é colorida pelo planeta que se encontra na 9ª Casa. Para quem tem Plutão ali, Deus pode não ser todo justiça, beleza e luz. Provavelmente onipotente, Ele pode ter um lado sombrio em sua natureza e, ocasionalmente, decidir que Ele não gosta de seus fiéis. Ele poderia ter prazer em conduzi-los à beira de um precipício, balançando-os ali, ou destruindo-os completamente, não se importando com o fato de terem sido "bons". Não é de admirar que muitas pessoas que conheci com Plutão na 9ª Casa tenham dificuldade em conceber um futuro róseo. Por mais terrível que isso soe, alguns reais benefícios aparecem desses dilemas. Primeiramente, são forçados a suportar o sofrimento e a encontrar algum significado através dele, mesmo que seja um destino contra o qual nada possam. Em segundo lugar, vão tentar escapar o mais possível de qualquer experiência, engajando-se a cada momento muito mais completamente do que qualquer outro que tenha um conceito menos aflitivo de Deus.

Já disse anteriormente que alguns não querem Plutão em casa de jeito nenhum, embora invariavelmente ele encontre uma maneira de se esgueirar para dentro dela. Quando escrevia este livro, encontrei pessoas com este posicionamento que, amedrontadas ou contrariadas pela procura da verdade, tornaram-se niilistas. Diametralmente opostas aos que usam a sondagem construtiva de Plutão, essas pessoas são desalentadas e apáticas e não vêem valor em coisa alguma. Por que me preocupar, se tudo termina mesmo com a morte? Mas é exatamente por isso que elas deveriam preocupar-se. A morte é, provavelmente, o acontecimento mais importante da vida, e nós não podemos morrer bem se não vivemos bem. Cícero disse: "Filosofar é preparar-se para a morte”. 

Diferentemente daqueles que têm Plutão na 8ª Casa, estas pessoas não sofrem necessariamente repressão ou mau funcionamento de instintos sexuais ou agressivos, mas repressão ou frustração de um igualmente importante e particular desejo humano - o de querer encontrar significado para a vida.
Enquanto a 8ª Casa representa os desejos que nos impulsionam de dentro, a 9ª Casa representa trabalhos ou metas que nos impulsionam de fora. Quem tem Plutão nesta casa, recebe um forte puxão para seguir o comando de Plutão e, ainda assim, muita ansiedade e temor sobre o que podem encontrar neste processo. Esta dinâmica aplica-se também na procura de educação superior e em grandes viagens.

Experiências que provocam profundas transformações podem ocorrer através de uma educação superior. Plutão é encontrado nas salas de aula, talvez disfarçado num professor importante que os estimule, ou através dos conflitos e desafios que qualquer curso ou sistema educacional sempre apresenta. Em certos casos, eles podem mudar drasticamente seu campo de estudo durante o período escolar. Algumas pessoas com Plutão na 9ª Casa são capazes de fazer descobertas que requeiram a reescritura da história, a revisão de alguma disciplina e a eliminação do que é velho e falso em algum sistema de ensino. O zoólogo Thomas Huxley, que lecionou história natural e afetou profundamente o pensamento científico de seu tempo, nasceu com Plutão em Áries na 9ª Casa.

Grandes viagens representam outra área na qual um Plutão na 9ª Casa é ativado. Pessoas com Plutão na 9ª Casa podem ser transformadas por viagens, ou encontrando e assimilando o conhecimento e as tradições de culturas outras que as suas próprias. Um famoso exemplo disso é o artista Paul Gauguin, com Plutão em Áries na 9ª Casa, regendo Escorpião na 4ª. Ele deixou mulher e filhos (Escorpião na 4ª) e emigrou para o Taiti, onde produziu suas mais famosas obras e onde pode ter contraído sífilis; mais tarde, morreu desta doença nas ilhas Marquesas. Existe a possibilidade de algumas pessoas com Plutão aqui projetarem as partes inaceitáveis de suas próprias psiques sobre outra raça, religião ou cultura, perseguindo e culpando algo fora deles pelo que há de sombrio ou de mau no mundo.

O relacionamento com familiares também pode pertencer à esfera em que Plutão é sentido. Por exemplo, num aspecto difícil com a Lua, a sogra ou a cunhada tendem a ser vistas como destratantes ou manipuladoras. A morte de um parente pode ter efeito profundo na vida.


Plutão na 8ª Casa

Num poema intitulado "In Tenebris", Thomas Hardy escreveu: "Se houvesse um caminho para o Melhor ele obrigaria a olhar inteiramente para o Pior”. Hardy devia estar pensando em Plutão na 8ª Casa quando escreveu essas linhas.

De acordo com Freud, nascemos com certos mecanismos que nos impulsionam de dentro, mas devido a pressões internas ou externas, nos tornamos ansiosos a respeito da expressão desses impulsos e criamos mecanismos de defesa para restringi-los. Dois deles em particular - o sexo e a agressividade - nos dão muitos problemas. Se são apenas negados, eles muitas vezes irrompem de modo explosivo em comportamentos compulsivos e incontroláveis. No entanto, se os deixamos livres, existe o perigo de que eles nos controlem. O desafio de quem tem Plutão na 8á Casa é explorar e aceitar esses mecanismos e também encontrar maneiras de canalizá-los para um propósito na esfera dos relacionamentos interpessoais.

Sexo e agressividade normalmente são associados com o planeta Marte. Eles parecem endógenos, impulsos instintivos, parte necessária de nossa herança biológica. O valor do sexo está obviamente na reprodução; a agressão ou o poder são necessários para crescer e dominar na vida. O despertar sexual é, de muitas maneiras, semelhante à psicologia da raiva. Na verdade, Kinsey relatou quatorze mudanças psicológicas comuns ao despertar sexual e à raiva. Por experiência própria podemos saber quantas vezes o amor se transforma em ódio ou aquilo que começa como uma briga termina em orgasmo; mas quando começamos a falar em reprimir e em dominar impulsos, deixamos o campo de Marte e entramos no domínio de Plutão.

Algumas pessoas com Plutão na 8ª Casa dominam maravilhosamente e dirigem com grande habilidade a energia da sua libido em realizações impressionantes. Winston Churchill, Leonardo da Vinci, Galileu e Bismarck - todos homens de excepcional força e competência - nasceram com Plutão nessa casa. Este posicionamento também mostra tremenda força e recursos em crises, bem como a resistência de liderar outras pessoas em tempos difíceis. Além de reorientarem o uso da força nos níveis físico, mental, social, emocional ou espiritual, eles possuem a habilidade de alterar drasticamente a vida daqueles com quem têm contato.

No entanto, folheando The American Book of Charts, mais três exemplos de Plutão nesta casa saltam â vista. Um deles é John Gacey, com Plutão na 8ª Casa regente de Escorpião na 12ª e na 1ª. De acordo com Rodden, ele era considerado um "fabuloso" e proeminente membro da comunidade até ser indiciado por ter "assaltado sádica e sexualmente e matado trinta e dois jovens e meninos" (enterrados, como manda este posicionamento, no seu porão). Albert Dyer era um homem amistoso que patrulhava a travessia de estudantes diante de uma escola e que um dia raptou, seduziu e estrangulou três menininhas. Ele tinha Plutão em Gêmeos na 8ª Casa, regente de Escorpião ascendente. Arthur Bremer, que atirou no senador George Wallace, também tem Plutão nesta casa. Rodden escreveu que "seu diário recebe toda a sua frustração sexual e suas preocupações".

Quando as energias naturais de sexo e agressividade são obstruídas em seu desenvolvimento e expressão, e deixadas para apodrecer no mundo inferior, elas se tornam horríveis e mortais. A menos que examinadas e positivamente canalizadas, acumulam força e fogem para o consciente, quebrando quaisquer controles do ego. Antes que a pessoa perceba, o diabo está à solta.
Obviamente, nem todos os que têm Plutão na 8ª Casa vão cair na categoria de um Churchill ou de um tarado. No entanto, uma coisa é certa: uma tremenda reserva de energia, o que alguns diriam ser "uma serpente do poder enrolada" à espreita.

A 8ª Casa descreve o que se passa entre as pessoas e, com Plutão ali, o símbolo da troca é a intensidade. Relacionamentos podem envolver brigas pelo poder, violência física ou emocional ou a quebra de tabus. Alguns têm queda para o relacionamento trágico, atormentado e transformador bem na tradição de Romeu e Julieta ou de Tristão e Isolda. Por trás do simbolismo do ato sexual está o desejo de autotranscendência ou de poder. Temendo o excesso ou o caos de seus fortes desejos sexuais, eles podem tentar evitar contatos íntimos. Plutão na 8ª Casa também é indício, às vezes, de conflito, de trapaça e de intriga com o dinheiro de outras pessoas. Complicações e problemas que duram muito tempo podem aparecer com heranças, impostos, negócios e divórcios, especialmente se Plutão está mal aspectado. Seu sistema de valores pode diferir radicalmente do de seu sócio, ou aquilo em que o sócio acredita pode afetá-lo e mudá-lo dramaticamente. Eles podem querer desafiar e derrubar o que a outra pessoa estima.

Além de ter de lidar com seus desejos sexuais e agressivos, eles também terão necessidade de lutar com pensamentos em torno da morte. Freud achava que todos nós temos um desejo de morte (Tanatos) e ansiamos por voltar ao estado sem tensão que vivenciamos antes do nascimento. Esta vontade de quebrar as fronteiras limitantes, de quebrar o self a fim de dissolver-se em não-ser pode ser forte para quem tem Plutão na 8ª, Casa. Alguns tendem a flertar com a morte colocando-se em situações perigosas ou de alto risco, ou brincando inconscientemente com tendências autodestrutivas. Outros ainda podem ser fascinados por todos esses tópicos e pesquisar intensamente a vida após a morte, a reencarnação e tudo o que se relaciona com conceitos metafísicos.

Conheci algumas pessoas com esse posicionamento que tiveram esbarrões com a morte e, depois de uma breve escapada, voltaram à vida reavaliando todas as suas prioridades. Outros podem ter alguma experiência com a morte de pessoas muito chegadas. No entanto, encontrei alguns com este posicionamento absolutamente atemorizados e ansiosos a respeito de sua própria morte. É preciso que eles se lembrem de que a morte é parte inextricável da vida negar a morte é negar a vida. Se tomarmos inteiro conhecimento de que um dia vamos morrer, isso pode nos fazer mergulhar na vida com mais autenticidade e apreciando cada momento que passa tão completamente quanto possível. Santo Agostinho escreveu certa vez que "é somente em face da morte que a personalidade do homem nasce". A morte nos sacode para a vida.


Se não têm medo disso, essas pessoas estão intimamente sintonizadas a energias que trabalham em níveis profundos na vida e ouvirão trovões no ar bem antes dos outros. O aparelho sensorial é algo como o dos animais, que sabem de antemão quando um terremoto vai acontecer. Há um desejo de entender e mesmo de ter poder sobre os segredos da natureza e o que alguns chamam de "poderes ocultos". Às vezes, mesmo sem estar sabendo conscientemente, essas pessoas fazem "mágica" influenciando outras pessoas através da manipulação dessas forças sutis. Inexoravelmente obrigados a penetrar no reino do conhecimento proibido, ousam explorar níveis de existência que outros nem sabem que existem ou cuja proximidade temem.