Polarizações do mecanismo.

Agora, complicaremos um pouco mais a questão, muitas Luas em Aquário consideram a si mesmas muito afetivas, conectadas e ligadas a um encontro emocional profundo... só que nunca encontram a pessoa indicada... Nos dirão, é claro, que sua desgraça é de conhecer pessoas desconectadas emocionalmente... Neste caso, é evidente que o próprio campo energético possui qualidades de intensa afetividade - se trata, por exemplo, de um Sol em Câncer - mas ocorre que, ao estar incluída no sistema uma Lua em Aquário, cada vez que a consciência da pessoa se instala em um pólo, se garante que o outro encarne o pólo oposto.

Esta equação reflete “fora” a distância interna não resolvida, algo muito diferente de realizar uma má eleição. Neste estado de fragmentação não se pode “eleger” outra coisa. Projetar sobre os outros a própria Lua em Aquário permite iludir-se sobre a real dimensão da dificuldade, levando ao “exterior” a responsabilidade pelo rompimento e a fuga da intensidade. Imaginem um canceriano com a Lua em Aquário colocando à culpa “na louca, fria e desalmada” noiva. Claro que por outro lado, não toleraria uma pessoa conectada com o que, chega a sua vida como “absorvente e perigoso”, o canceriano com a Lua em Aquário tomará provavelmente um avião e se dedicará a enviar-lhe cartas dizendo-lhe, “te adoro”. Outra alternativa é enamorar-se perdidamente por algum ídolo, desta maneira, “eu estou totalmente entregue, mas ela não está nunca...”. Ali encontrou a segurança da carga conhecida: a descontinuidade.


Isto é difícil de compreender para as zonas de alguém que desejam continuidade e permanência. Logicamente, este pulso será ainda mais complexo se a Lua em Aquário participa de uma estrutura com características de fusão, por exemplo, com muita energia escorpiana ou plutaniana.

Em uma terapia, é muito difícil pôr em contato esta pessoa com sua emoção profunda porque, quando está por produzir, se distancia. E no momento em que ela parece se entregar, será o terapeuta quem magicamente se encontra em um imprevisto e deve suspender a sessão. Todo o processo emocional é aqui muito lento e necessita um ritmo de distâncias que permitam, por um lado, significar as experiências infantis, e produzam por um lado, uma aprendizagem na natureza cíclica das emoções.

Teremos em conta que o mecanismo dissociativo desta Lua é muito exitoso porque distribui seus afetos: tem muitos amigos, pertence à vários grupos, todo mundo a quer. O término disso transita todas as situações como se estivesse atrás de um vidro que não permite o contato real com aquilo de que participa.

Estas Luas podem desenvolver a capacidade de ser “querida” como em família, em muitos lugares distintos?

Seguramente, e isso seria o mais autêntico desta Lua, se não fosse um ato de defesa. Seu talento é precisamente, o de reconhecer que há uma rede afetiva aberta e a nossa disposição e que, se todos se abrissem o suficiente encontraríamos afeto em toda parte sem depender jamais de apenas uma fonte. Isto poderá ser muito claro mentalmente, mas na realidade cotidiana a pessoa não atua com espontaneidade e sim com afeto dividido defensivamente. Se não atravessa as marcas históricas e não reconhece o núcleo espasmódico, com seu corte energético em um nível corporal, é muito difícil que o mecanismo não siga se impondo sutilmente.

Será difícil para essa Lua, a maternidade?

No geral, a maternidade ou a paternidade é algo desconcertante para essas pessoas, ainda que a desejem, mas é também uma grande oportunidade para atravessar esse vazio emocional e os medos que a ele estão associados. É provável inclusive, que seja algo que “aconteça” de forma súbita e imprevista e que, mais tarde, sejam levadas a descobrir novas facetas da não continuidade, liberdade e imprevisibilidade afetiva na relação com seus filhos.

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu sou Cancer com Lua em Aquário, estudo astrologia já há muito tempo e nunca tinha encontrado uma frase que me descrevesse tanto o meu interior amoroso como a que disse do caso de quando vou para ter (probabilidade, pois nem chego a ter) um relacionamento com alguém carente ou muito emotivo, eu só tenho vontade de fugir e enviar cartas depois, porque interiormente, mesmo que nunca demonstre isso, sinto falta do apoio que tinha. Mas a ideia de me prender a alguém e perder conceitos como liberdade e independência é muito complicado por mim.
Igualmente comprovo a ideia de descontinuidade. Tive um relacionamento com alguém que acabou de uma forma muito ténue e incerta e então eu amei aquela pessoa durante muito tempo após a relação, pois não tinha a presença dela para me pressionar, mas dava aquela segurança de ter alguém que podia voltar para mim.
Quanto aos filhos, ainda não tenho, mas tenho enorme dualidade entre ter/não ter, mesmo sendo um desejo futuro.
Por isso, muitos parabéns e continue a pesquisar e desenvolver este blog! :D

Lara Moncay disse...

Grata.