Lua em Aquário

Aquário expressa a criatividade das redes de energia que transcendem a forma, mas que se manifestam através dela. É o momento em que a circulação e o intercâmbio espontâneo entre as diferenças de um campo - que já não estão atadas a uma posição fixa - renovam em sua interação a estrutura do sistema. De uma perspectiva sequencial, a forma totalmente despregada em Capricórnio - levando dentro de si, essencialmente, todas as transformações que a precederam - se descobre em Aquário como um ponto, dentro de uma constelação, através do qual circula toda a energia em padrões sempre renovados. Esta interação franca em abrir-se nos fala da disponibilidade dos componentes aquarianos, sem toda a proteção e sim outro refúgio da mesma criatividade.

Neste sentido nos encontramos em um ponto paradoxal em relação a Lua. Há aqui uma enorme afinidade com a espontânea intensidade da vida em sua origem, apta para tomar as formas que sua própria criatividade exija, livre de renovar-se nas mutações que expressam suas dimensões mais profundas. Mas, ao mesmo tempo, há também uma incompatibilidade quase absoluta com a necessidade de fechar-se sobre si e excluir interações, própria da fase lunar de todo o sistema. Em Aquário a única segurança está em abrir-se, naquilo que se entrega com confiança o que nunca se repete e que haverá de renovar a forma no desconhecido de si mesma.

Lua em Aquário significa então, que o único refúgio é a ausência de refúgio. A única segurança é a confiança de um espaço indeterminado, onde a renovação é a única constante. É a certeza de que cada situação desembocará em outra completamente nova, só sustentada por uma criatividade que se descobre incessantemente em si mesma. Permanecer aberto a todas as situações significa não pertencer totalmente a nenhuma, não reconhecer em nenhum lugar um calor e uma intimidade exclusiva, que não possam experimentar em outro lugar.

Em padrão energético, a pessoa que nasce com a Lua em Aquário possui uma capacidade de renovar-se em um mundo de interações criativas e imprevisíveis. Ao longo de sua vida, participará recorrentemente de uma súbita transformação das condições em que havia se estabilizado. Isto à lançará ao desconhecido com uma grande liberdade e espontaneidade, mas também à arrancará de improviso das construções de seu passado.

O espaço aqui, é a única coisa que não é possível - nem necessário - construir um teto ou fechar-se em um círculo protetor. A segurança reside na espontaneidade criativa que, quanto mais se abre e vincula o diferente, tanto mais possibilita descobrir as formas corretas para cada situação única. “Minha mãe é o céu”, parece dizer aqui a energia. O único teto são as estrelas, tudo pode acontecer dentro desta casa infinita e transparente. Esse céu imprevisível se abrirá com a abundância de seus donos, mas também com o furacão e o raio. Esta “mãe” nunca será igual, será distante e opressora ao mesmo tempo, ausente e presente, imensa e vazia.

Podemos ver que este padrão energético, tão belo em sua espontaneidade criativa, submeterá a criatura, desde o momento de seu nascimento, a uma séria de fatos não contínuos, muito diferentes do arquétipo lunar canceriano de estabilidade, simbiose e permanência, que parecem ser condições imprescindíveis para o ser humano em seus primeiros passos.

Estas qualidades de intermitência, imprevisibilidade, espaço aberto sem contato corporal e renovação súbita do afetivo - que pertencem a criança enquanto estrutura energética - se descarregarão sobre ela, como sabemos, através da mãe que à traz ao mundo e seu campo emocional. Estes níveis de intensidade o afetarão poderosamente, condicionando-o para o futuro.

De diferentes formas, este padrão se repetirá ao longo de sua vida através de experiências que alterem subitamente as condições emocionais, formando parte da estrutura de destino desta pessoa. Mas cada nova manifestação desta pauta se encontrará com as reações que provocou na primeira infância, em que se configurou um padrão de resposta à estas experiências. Como terá relacionado esse “corpinho” diante da súbita e reiterada interrupção do sistema afetivo, durante a infância? Esta é a pergunta fundamental que devemos fazer para compreender o hábito lunar associado a Lua em Aquário.

9 comentários:

Acharya devi dasi disse...

obrigado Lara! Esta descrição da Lua em Aquario mais parece minha biografia, é a minha historia na perfeiçao. Só agora aos 35 anos ao ler este post, buscando uma analise do meu mapa e as caracteristicas da minha lua em aquario é que pude me reconhecer e ter explicações para meus padrões de relacionamentos, separações, divorcios, minha relação com minha mãe, e com meu filho... e minhas atitudes de me manter longe e segura do campo das emoções. Pensava até então que nascera sem coração... mas afinal.. não é tão grave assim... nasci apenas com a Lua em Aquario!

Acharya devi dasi disse...

Sim ... aconteceu isso tudo comigo... em minha infância cresci sem meu pai, fui separada da minha mãe e criada com meus avós... ali era só mais uma entre muitos...um lar sem nenhuma afetividade... quando adulta terminava meus relacionamentos sempre que via que estava dando certo demais... temia me apaixonar... casei sem gostar e me divorciei sem motivos... os homens ficavam sem respostas... perplexos. E até hoje, sou capaz de rir em velorios, e dizer que a sorte é do morto que descansou e a gente ainda vai andar por aqui a bater cabeças... e não é piada não... falo com sinceridade. Seu post me ajudou a me entender... afinal.. não sou maluca.. sou apenas filha da lua em aquario. obrigado mesmo. :)

Anônimo disse...

Lara, agora entendo (lua-em aquário), finalmente uma explicação clara, depois de tantos mapas desenhados, discutidos e etc. Fui criada por avós maternos, pessoas boas, simples e um pouco temperamentais, mas queridos. Minha mãe pouco ligava pra mim, meu pai, esse só me deu o nome, antes de morrer cheguei a ve-lo umas 3 vezes na vida. Casei e me separei por uma louca paixão, joguei tudo para o alto. E pior não me arrependi.Enfim, em meus relacionamentos quando me querem, pouco ligo, quando me desprezam ai fico apaixonada só falto ficar sem vida. É isso mesmo! Fico totalmente descompensada. Adorei entender meu comportamento diante de tais situações amorosas. Por isso busco sempre uma explicação para determinadas atitudes que nem análise e terapia consertou. Obrigada.

Lara disse...

Muito obrigada pela participação e pelos relatos de vocês, isso me inspira a continuar estudando e buscando explicações a essa complexidade que é ser nós mesmos.
Obrigada mesmo.
Grande abraço a vocês e espero que esses textos possam continuar ajudando.

Terapeuta Holística Luciana Calixto disse...

Eu perdi meu pai aos 3 anos e minha mãe sempre teve a vida sofrida e, até hoje, tem problemas emocionais. Tive uma infância que não posso chamar de sofrida, mas foi triste. Minha relação com a minha mãe é de altos e baixos...como ela tem alguns problemas psicológicos, as vezes, prefiro me afastar para não lidar com o sofrimento. Demorei 11 anos para casar no civil com meu marido e morro de medo de ser mãe. às vezes, penso em jogar tudo para o alto e ficar sozinha..mas ai vem o vazio, que nunca sei explicar. Amei esse post. Você me ajudou muito. Ass: filha de uma lua em aquário.

Lara disse...

Obrigada Luciana por teu relato e participação é sempre importante termos o retorno das pessoas. Nada é muito simples em nossas vidas, mas tudo é oportunidade de aprendizagem e crescimento. Boa Sorte, sempre.
abraços.

Aline disse...

Olá Lara, primeiramente parabéns pelo blog, os estudos são bárbaros, nunca li abordagens tão consistentes quanto as vistas aqui. Os textos são de sua autoria? Abraços

Anônimo disse...

Também fui criado pela minha avó materna. Minha mãe tem problemas com o álcool e meu pai morreu quando eu tinha 11 anos (e ele nunca foi um pai presente). Minha infância foi conturbada... Fui abusado sexualmente e sofri muito na escola. Já tive milhões de experiências loucas! Sempre chuto quem gosta de mim e corro atrás de quem não quer nada comigo. É uma Lua difícil, mas extremamente amiga e inteligente. Me identifiquei com todos os relatos :D

Anônimo disse...

Lara,
Me identifiquei 100% com o seu post e com os comentários das pessoas!
Tenho Lua em Aquário assim como minha mãe e minha infância foi marcada por ausência de ambas as partes. Minha mãe era muito concentrada no trabalho e se casou várias vezes com pessoas que eu não gostava - eles eram seres humanos ignorantes, além de dependerem dela para tudo.

Ontem foi Natal e estou refletindo sobre minha vida familiar & amarosa. Tenho 19 e não moro com nenhum dos meus pais e meus irmãos. Vejo muito mais minhas amigas e não sei se isso é certo. Minha vida amorosa tbm anda vazia e minha família já estranha. Acho que tenho medo, mas não sei exatamente do quê. Obrigada pelo seu post! Me ajudou a refletir! :)